Israel confirma identidade dos corpos entregues pelo Hizbollah
da Folha Online
O Exército israelense confirmou que os restos mortais entregues pelo Hizbollah [que recebe apoio da Síria e do Irã] nesta quarta-feira correspondem a seus soldados Eldad Regev e Ehud Goldwasser, capturados pelo grupo extremista islâmico em 2006.
Generais do Exército israelense informarão os resultados das análises às famílias dos soldados. Fontes militares disseram que o processo de identificação durou várias horas por causa do estado deteriorado dos corpos dos soldados, segundo o jornal "Jerusalem Post". O site do "Haaretz" afirmou que Israel verificou a identidade de Regev e Goldwasser cinco horas após os corpos terem sido entregues. Veja vídeo.
| Issam Kobeisy/Efe |
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| Membros do Hizbollah entregam corpos dos soldados israelenses à Cruz Vermelha |
Os restos mortais dos soldados foram entregues hoje pelo Hizbollah à Cruz Vermelha para que eles sejam trocados por prisioneiros libaneses capturados por Israel.
O acordo para a troca, que acontece dois anos depois de a captura dos soldados ter dado início a uma guerra de 34 dias com o Hizbollah --no confronto morreram cerca de 1.200 pessoas no Líbano e 159 israelenses-- é visto como um triunfo para o grupo guerrilheiro xiita libanês e como uma dor necessária para muitos israelenses.
Dois caixões pretos foram retirados de um veículo do Hizbollah em uma base e paz da ONU (Organização das Nações Unidas) na fronteira israelo-libanesa após um oficial do Hizbollah, Wafik Safa, revelar pela primeira vez que os reservistas estavam mortos.
| AP |
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| Imagens de Eldad Regev (à esq.) e Ehud Goldwasser; Hizbollah entregou seus corpos |
O CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha) levou os caixões para Israel. Safa disse mais tarde que exames de DNA realizados pelo CICV confirmaram as identidades dos soldados. O Exército israelense afirmou que faria sua própria verificação.
"Estamos entregando agora os dois soldados israelenses que foram capturados pela resistência islâmica no dia 12 de julho de 2006 à Cruz Vermelha", disse Safa na fronteira. "O lado israelense vai agora entregar os grandes combatentes árabes Samir Kantar e seus companheiros ao CICV", afirmou.
Pelo acordo mediado por uma autoridade de inteligência alemã indicada pela ONU, Israel deve libertar Kantar e outros quatro prisioneiros --Maher Qorani, Mohammad Srour, Hussein Suleiman e Khodr Zeidan. Kantar cumpria sentença de prisão perpétua pelas mortes de quatro israelenses, incluindo uma garota de 4 anos e o pai dela, em um ataque da guerrilha a uma cidade israelense em 1979.
Chamado em Israel de "mal em pessoa", Kantar foi perdoado formalmente nesta terça-feira. O presidente israelense, Shimon Peres, afirmou ter tomado uma decisão difícil, mas acrescentou que "a decisão não significa de maneira alguma o perdão aos atos de Kantar".
"Esse não é um dia feliz para nenhum de nós, soltar assassinos como este. Mas nós temos uma obrigação moral e espiritual de trazer os nossos soldados de volta para casa", acrescentou Peres ontem.
| Reuven Kastro-7.jul.2005/AP |
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| Foto de arquivo de Samir Kantar, o preso mais importante a ser libertado por Israel |
Os pais dos dois soldados israelenses falaram sobre sua dor ao ver imagens dos caixões de seus filhos. "Não á fácil ver isso, apesar de não haver muita surpresa. Mas... enfrentar essa realidade é difícil, sim", disse Shlomo Goldwasser para a rádio israelense.
Zvi Regev disse para a rádio do Exército: "Foi muito emocionante. Não podíamos olhar muito. Foi algo terrível de ver, realmente terrível. Eu sempre fui otimista e sempre esperei que encontraria Eldad e o abraçaria."
Um caminhão do CICV, mais tarde, foi ao Líbano com os corpos de oito membros do Hizbollah mortos durante a guerra de 2006. Israel também entregará os corpos de 199 árabes que foram mortos ao tentar se infiltrar no norte de Israel.
Comemoração
Em comunicado, o ministro da Defesa libanês, Elias Murr, felicitou "os libaneses em geral e a resistência", liderada pelo Hizbollah, especialmente pela libertação dos detidos nas prisões israelenses. "Hoje é um dia de vitória para a unidade do povo, do Exército e da resistência", afirmou o ministro.
Murr afirmou ainda que a libertação dos detidos preservará a unidade do Líbano, apoiará o presidente Michel Suleiman e o Exército, e fortalecerá a democracia, a liberdade e a soberania.
O grupo extremista islâmico Hamas --que controla a faixa de Gaza-- também parabenizou o Hizbollah pela troca de presos com Israel, qualificada como uma "vitória para a resistência" e para o grupo libanês. "Esta é uma grande vitória para a resistência e para o Hizbollah, e será uma festa para os prisioneiros e suas famílias", disse em Gaza o porta-voz do movimento, Sami Abu Zuhri.
Gilad Shalit
Mesmo com a morte dos soldados, a troca de prisioneiros com o Hizbollah pode dar força às negociações com o grupo radical islâmico Hamas para soltar o soldado israelense Gilad Shalit, seqüestrado em Gaza em 2006.
"O desafio de libertar Shalit nos confronta. É muito importante aproveitar a relativa calma na fronteira com Gaza", afirmou o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak. Segundo ele, Israel deve aproveitar a "janela de oportunidade" para avançar nas negociações para a libertação de Shalit.
Barak disse ainda que as conversas "não serão fáceis", já que ambos os lados precisarão tomar "decisões difíceis" para concluir o acordo.
Com agências internacionais
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