Mundo
16/07/2008 - 20h33

Milhares de libaneses comemoram libertação de prisioneiros de Israel

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da Folha Online

Cinco militantes libaneses foram recebidos nesta quarta-feira como heróis por dezenas de milhares de simpatizantes do grupo radical xiita Hizbollah, após serem libertados por Israel em troca dos corpos de dois soldados israelenses.

A troca desigual foi vista como um trunfo por Hassan Nasrallah, líder do Hizbollah, que declarou que "a era das vitórias chegou" e consolidou a ascensão do grupo --apoiado pelo Irã-- no cenário político libanês e sua reputação no mundo árabe em geral.

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Dezenas de milhares se reúnem para comemorar a libertação de cinco ex-prisioneiros de Israel em acordo com o Hizbollah
Dezenas de milhares se reúnem para comemorar a libertação de cinco ex-prisioneiros de Israel em acordo com o Hizbollah

Para Israel, a troca encerrou um capítulo doloroso da guerra de 2006 no Líbano --iniciada com o objetivo de resgatar os dois militares-- e fez os críticos questionarem se a troca de prisioneiros por corpos irá estimular futuros seqüestros por parte de grupos militantes.

"A era das derrotas se foi e a era das vitórias chegou", declarou Nasrallah à multidão. "Esse povo, essa nação, deram uma grande e clara imagem hoje a seus amigos e inimigos de que não podem ser derrotados", completou, antes de sair cercado de guarda-costas.

Grandes cartazes no palco afirmavam "vitória divina", o nome dado pelo Hizbollah à guerra de 2006, e "a realização de Deus em nossas mãos". Os simpatizantes carregavam bandeiras amarelas do Hizbollah, e nos prédios ao redor era possível ver varandas decoradas com retratos de Nasrallah.

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 Libaneses com fotos dos ex-prisioneiros de Israel e do líder do Hizbollah, Hassan Nasrallah, passeiam por Beirute nesta quarta
Libaneses com fotos dos ex-prisioneiros de Israel e do líder do Hizbollah, Hassan Nasrallah, passeiam por Beirute nesta quarta

"Estamos vindo pra dar as boas vindas aos nossos heróis", disse o motorista de ônibus Ali Kawtharani, que participou da manifestação, em Beirute. "Esse é um dia histórico."

Nasrallah declarou que o Hizbollah havia alcançado seus dois principais objetivos desde o fim da guerra --conseguir a libertação de todos os prisioneiros libaneses no poder de Israel e formar um governo de unidade nacional.

"Uma das maiores fortunas é que o governo de unidade deu as boas vindas aos prisioneiros libertados", disse Nasrallah depois, transmitido em um telão.

A manifestação no reduto do grupo, no sul de Beirute, e a recepção dos cinco homens no aeroporto reuniu líderes políticos, mostrando o crescente controle do grupo sobre o poder do país. Entre eles havia membros de partidos rivais cujos simpatizantes lutaram durante o mês de maio contra militantes do Hizbollah. Os EUA classificam o grupo como terrorista.

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Todos os políticos presentes, incluindo o premiê Fuad Siniora --apoiado pelos EUA-- deram a cada ex-prisioneiro um abraço e um beijo. O líder xiita beijou e abraçou cada um dos cinco em sua primeira aparição pública desde janeiro. Nasrallah apareceu apenas três vezes em público desde o fim da guerra temendo uma tentativa de assassinato por parte de Israel.

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Prisioneiros libertados por Israel fingem romper grades de uma prisão, durante comemorações por sua libertação em Beirute
Prisioneiros libertados por Israel fingem romper grades de uma prisão, durante comemorações por sua libertação em Beirute

Durante os confrontos de maio, os combatentes do Hizbollah tomaram com facilidade boa parte da capital. O grupo forçou seu retorno ao gabinete de Siniora e formou um governo onde desfruta de poder de veto sobre as principais decisões. O Hizbollah também ignorou as resoluções da ONU para se desarmar e manteve seu arsenal de milhares de foguetes, argumentando que a ameaça de Israel é permanente.

Porém, o conflito de maio manchou a imagem do grupo perante grande parte do mundo árabe-sunita, especialmente por causa dos confrontos contra muçulmanos sunitas.

O expert em Hizbollah Amal Saad-Ghorayeb disse que o grupo pode usar a troca de prisioneiros para um "sério controle de danos." "Irá amenizar, até certo ponto, as tensões entre xiitas e sunitas, ao menos temporariamente."

"O retorno de vocês é uma nova vitória", disse o presidente Michel Suleiman aos ex-prisioneiros, vestidos com uniformes do Hizbollah. Suleiman cumprimentou o grupo xiita por "seu novo feito".

Ao sul do Líbano, parentes dos militares israelenses se preparavam para enterrar Ehud Goldwasser e Eldad Regev, seqüestrados pelo Hizbollah em 12 de julho de 2006 em uma ação em território israelense que desencadeou a guerra com Israel. O conflito deixou mais de 1.200 mortos no Líbano, a maioria civis, e matou cerca de 160 israelenses, em sua maioria soldados.

 

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