Milhares de libaneses comemoram libertação de prisioneiros de Israel
da Folha Online
Cinco militantes libaneses foram recebidos nesta quarta-feira como heróis por dezenas de milhares de simpatizantes do grupo radical xiita Hizbollah, após serem libertados por Israel em troca dos corpos de dois soldados israelenses.
A troca desigual foi vista como um trunfo por Hassan Nasrallah, líder do Hizbollah, que declarou que "a era das vitórias chegou" e consolidou a ascensão do grupo --apoiado pelo Irã-- no cenário político libanês e sua reputação no mundo árabe em geral.
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| Dezenas de milhares se reúnem para comemorar a libertação de cinco ex-prisioneiros de Israel em acordo com o Hizbollah |
Para Israel, a troca encerrou um capítulo doloroso da guerra de 2006 no Líbano --iniciada com o objetivo de resgatar os dois militares-- e fez os críticos questionarem se a troca de prisioneiros por corpos irá estimular futuros seqüestros por parte de grupos militantes.
"A era das derrotas se foi e a era das vitórias chegou", declarou Nasrallah à multidão. "Esse povo, essa nação, deram uma grande e clara imagem hoje a seus amigos e inimigos de que não podem ser derrotados", completou, antes de sair cercado de guarda-costas.
Grandes cartazes no palco afirmavam "vitória divina", o nome dado pelo Hizbollah à guerra de 2006, e "a realização de Deus em nossas mãos". Os simpatizantes carregavam bandeiras amarelas do Hizbollah, e nos prédios ao redor era possível ver varandas decoradas com retratos de Nasrallah.
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| Libaneses com fotos dos ex-prisioneiros de Israel e do líder do Hizbollah, Hassan Nasrallah, passeiam por Beirute nesta quarta |
"Estamos vindo pra dar as boas vindas aos nossos heróis", disse o motorista de ônibus Ali Kawtharani, que participou da manifestação, em Beirute. "Esse é um dia histórico."
Nasrallah declarou que o Hizbollah havia alcançado seus dois principais objetivos desde o fim da guerra --conseguir a libertação de todos os prisioneiros libaneses no poder de Israel e formar um governo de unidade nacional.
"Uma das maiores fortunas é que o governo de unidade deu as boas vindas aos prisioneiros libertados", disse Nasrallah depois, transmitido em um telão.
A manifestação no reduto do grupo, no sul de Beirute, e a recepção dos cinco homens no aeroporto reuniu líderes políticos, mostrando o crescente controle do grupo sobre o poder do país. Entre eles havia membros de partidos rivais cujos simpatizantes lutaram durante o mês de maio contra militantes do Hizbollah. Os EUA classificam o grupo como terrorista.
Apoio
Todos os políticos presentes, incluindo o premiê Fuad Siniora --apoiado pelos EUA-- deram a cada ex-prisioneiro um abraço e um beijo. O líder xiita beijou e abraçou cada um dos cinco em sua primeira aparição pública desde janeiro. Nasrallah apareceu apenas três vezes em público desde o fim da guerra temendo uma tentativa de assassinato por parte de Israel.
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| Prisioneiros libertados por Israel fingem romper grades de uma prisão, durante comemorações por sua libertação em Beirute |
Durante os confrontos de maio, os combatentes do Hizbollah tomaram com facilidade boa parte da capital. O grupo forçou seu retorno ao gabinete de Siniora e formou um governo onde desfruta de poder de veto sobre as principais decisões. O Hizbollah também ignorou as resoluções da ONU para se desarmar e manteve seu arsenal de milhares de foguetes, argumentando que a ameaça de Israel é permanente.
Porém, o conflito de maio manchou a imagem do grupo perante grande parte do mundo árabe-sunita, especialmente por causa dos confrontos contra muçulmanos sunitas.
O expert em Hizbollah Amal Saad-Ghorayeb disse que o grupo pode usar a troca de prisioneiros para um "sério controle de danos." "Irá amenizar, até certo ponto, as tensões entre xiitas e sunitas, ao menos temporariamente."
"O retorno de vocês é uma nova vitória", disse o presidente Michel Suleiman aos ex-prisioneiros, vestidos com uniformes do Hizbollah. Suleiman cumprimentou o grupo xiita por "seu novo feito".
Ao sul do Líbano, parentes dos militares israelenses se preparavam para enterrar Ehud Goldwasser e Eldad Regev, seqüestrados pelo Hizbollah em 12 de julho de 2006 em uma ação em território israelense que desencadeou a guerra com Israel. O conflito deixou mais de 1.200 mortos no Líbano, a maioria civis, e matou cerca de 160 israelenses, em sua maioria soldados.
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