Veja cronologia do conflito agrário na Argentina
da Efe, em Buenos Aires
O conflito entre o governo argentino e o setor agropecuário entrou nesta quinta-feira em um novo capítulo, após a rejeição no Senado do polêmico decreto governamental para aumentar os impostos sobre as exportações de grãos.
Após uma jornada de debates que durou mais de 17 horas, o vice-presidente do país, Julio Cobos, se viu obrigado a desempatar, e emitiu um voto contrário ao projeto do governo.
Estes são os principais eventos do desenvolvimento do conflito:
-11 de março: Após dois dias de bloqueios aos portos por parte dos produtores agropecuários em protesto pela proibição de exportar trigo, o governo anuncia um novo esquema de impostos às exportações de grãos, cuja taxa varia em função dos preços internacionais.
-13 de março: As quatro entidades que reúnem os produtores agropecuários iniciam um locaute reforçado com bloqueios de estradas em vários pontos do país.
-20 de março: O sindicato de caminhoneiros envia representantes aos bloqueios para forçar os agricultores a permitir o trânsito do transporte de carga.
-25 de março: A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, condena o protesto e rejeita o que qualifica como uma "extorsão" iniciada pelo setor rural.
Em Buenos Aires e nas principais cidades do país, o governo de Cristina ouve seu primeiro panelaço. Setores aliados à situação vão à Praça de Maio para impedir a passagem de manifestantes contrários ao projeto, o que gera alguns incidentes.
-26 de março: O governo adverte que enviará as forças de segurança aos bloqueios para liberar as estradas. Novos panelaços são ouvidos durante a noite em Buenos Aires.
-27 de março: O desabastecimento de alimentos básicos é sentido nas principais cidades do país. Cristina convoca os produtores para dialogar, mas condiciona a negociação ao fim dos bloqueios. O convite é bem recebido pelas quatro entidades agropecuárias.
-28 de março: Os produtores suspendem os bloqueios e é aberta uma mesa de negociações com o governo, que fracassa em função da falta de acordos. Os produtores retomam os bloqueios.
-31 de março: O governo anuncia compensações para pequenos produtores agropecuários, que na prática ficam isentos da alta dos impostos. As organizações agropecuárias reagem com cautela e ratificam a continuação da greve até 2 de abril.
-1º de abril: Agrupamentos sociais, políticos e sindicais convocam um ato na Praça de Maio em respaldo ao governo de Cristina. Os produtores agropecuários permitem o trânsito de caminhões com alimentos perecíveis, como lácteos e hortaliças.
-2 de abril: As patronais agrárias anunciam a suspensão por 30 dias do locaute e os bloqueios de estradas para retomar as negociações.
-6 de abril: O governo denuncia à Justiça as entidades do campo por "violar as leis de abastecimento e da segurança" e por "impedir o funcionamento normal do transporte", após o locaute de 21 dias e os protestos do setor.
-11 de abril: O governo retoma as conversas com as patronais agrárias.
-17 de abril: As duas partes concordam em garantir o fornecimento para provocar a queda dos preços dos cortes de carne populares, e para levantar as restrições à exportação do produto.
-18 de abril: O governo formaliza o começo do esquema de reintegrações e subsídios para pequenos e médios agricultores.
-30 de abril: Os produtores e o governo chegam a um acordo para retomar as exportações de carnes e trigo.
-2 de maio: As patronais agropecuárias retomam os protestos, mas sem bloquear estradas nem retomar o locaute, à espera das negociações.
-5 de maio: As autoridades argentinas retomam a exportação por quotas de carne de bovino.
-6 de maio: As entidades do campo se reúnem com o governo e asseguram que o Executivo admitiu que houve erros na aplicação do novo esquema tributário, o que foi desmentido horas mais tarde pelas autoridades.
-7 de maio: As entidades agropecuárias suspendem a comercialização de grãos para a exportação até 15 de maio, e se manifestam nas margens das estradas, mas garantem o fornecimento de alimentos. O protesto continua até 21 de maio.
-17 de maio: Empresários, banqueiros e legisladores pedem que o governo e o setor rural retomem o diálogo, diante de sinais da irritação da sociedade pela demora do conflito.
-19 de maio: As entidades rurais anunciam que a partir de 21 de maio retomarão a comercialização de grãos para a exportação como gesto para o reinício das negociações.
-23 de maio: governo e patronais agropecuárias retomam as negociações. A reunião termina com declarações oficiais de otimismo e uma clara inconformidade do campo.
-25 de maio: O setor rural convoca cerca de 300 mil pessoas em Rosário (centro da Argentina) para reivindicar o veto à alta dos impostos sobre as exportações de grãos.
-26 de maio: O governo rompe as negociações em função do "tom opositor" do ato em Rosário.
-28 de maio: O campo volta a não comercializar grãos com destino à exportação.
-29 de maio: O governo anuncia uma correção do esquema de impostos sobre as exportações de grãos, mas as mudanças não satisfazem o setor rural.
-17 de junho: O governo envia o decreto de alta tributária ao Congresso para sua discussão.
-5 de julho: O Parlamento, de maioria governista, aprova a iniciativa governamental por 129 votos a favor, contra 122 da oposição, e envia o decreto ao Senado para sua discussão.
-15 de julho: As grandes mobilizações convocadas a favor e contra a política governamental no conflito do campo provocam colapso em Buenos Aires.
-16 de julho: O governo sofre um duro revés após a rejeição do projeto no Senado, com o voto decisivo dado pelo vice-presidente do país, Julio Cobos.
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