Mundo
17/07/2008 - 08h03

Obama quer postura agressiva dos EUA contra Irã e Coréia do Norte

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da Folha Online

O provável candidato democrata Barack Obama disse querer livrar o mundo das armas nucleares e pediu que os EUA lutem contra as ameaças emergentes do terrorismo biológico e cibernético, o que incluiria uma postura mais agressiva contra Irã e Coréia do Norte, que mantêm programas nucleares.

"É hora de enviar uma mensagem clara ao mundo. A América procura um mundo sem armas nucleares", disse o democrata.

"Ambas estas nações [Irã e Coréia do Norte] tem uma história de apoio ao terror. Ambos deveriam enfrentar fortes e crescentes sanções se recusarem-se a abandonar seus programas nucleares ilícitos. E ambos exigem atenção diplomática agressiva e direta dos EUA e é isso que eu darei como presidente", disse ainda Obama.

O discurso vem uma semana depois dos exercícios militares do Irã, que testou o alcance de seus mísseis. O Irã tem um programa nuclear controverso que, segundo os EUA, é usado para a fabricação de armas.

Obama discursou na Universidade Purdue, em Indiana, sobre temas de segurança nacional --mais um passo na sua preparação para uma viagem ao Oriente Médio e à Europa.

"Enquanto as armas nucleares existirem, nós manteremos uma forte oposição. Mas nós faremos o nosso objetivo de eliminar todas as armas nucleares um elemento central de nossa política nuclear", disse Obama.

Em material distribuído aos repórteres, a campanha de Obama diz que ele trabalhará para combater todas as armas nucleares, mas não se comprometerá a eliminar o arsenal americano enquanto outros países ainda as tiverem.

O discurso vem não apenas como uma preparação para a primeira viagem internacional da campanha democrata, mas para melhorar as credenciais do senador em assuntos militares e de segurança nacional. Os dois temas são os pontos mais fortes de seu rival, o republicano veterano John McCain e foco de grandes críticas pela inexperiência de Obama.

Retomando o tom crítico à Guerra do Iraque --outro tema que esteve no centro da campanha está semana--, Obama disse que invadir o país após os ataques terroristas de 11 de setembro permitiu que outras ameaças se desenvolvessem.

"Em vez de tomar passos agressivos para garantir a segurança da tecnologia mais perigosa do mundo, nós gastamos quase US$ 1 trilhão para ocupar um país no coração do Oriente Médio que não mais tinha armas de destruição em massa", disse Obama, em referência ao fato de que nunca foi comprovada a existência das armas de destruição em massa que o presidente George W. Bush citou como motivo para a ação militar no Iraque.

"É hora de atualizar nossa estratégia de segurança nacional para ficar um passo a frente dos terroristas, para ver claramente as ameaças emergentes de nosso jovem século e tomar ação para fazer as pessoas americanas mais seguras", disse ainda Obama.

Uma das propostas apresentadas por Obama nesta semana é o reforço das tropas americanas no Afeganistão onde, defende, estão crescendo as forças da rede terrorista Al Qaeda. "É hora de ver a frente, os perigos de hoje e amanha, em vez dos de ontem. A América não pode permitir outro presidente que não entende as ameaças que nos confrontam agora e no futuro", disse Obama.

Os eleitores parecem divididos sobre as propostas para o Iraque de Obama e McCain, 47% do republicano contra 45% do democrata, segundo sondagem do "Washington Post"/ABC News. Mas, quando avaliam quem seria um bom comandante para as Forças Armadas do país, a experiência de McCain ainda dá a ele um cenário mais positivo. Segundo a pesquisa, 72% dos eleitores dizem que o republicano e veterano da Guerra do Vietnã seria um bom comandante-em-chefe para os EUA.

Apenas 48% dos eleitores têm a mesma opinião sobre Obama, senador em seu primeiro mandato, e outros 48% dizem que ele não seria um bom comandante para as forças militares do país.

Terrorismo

Para reverter este cenário, Obama quer mostrar que está disposto a combater firmemente as ameaças nucleares --um tom diferente da política de diálogo aberto que defendia no início da campanha.

No discurso, ele diz que o terrorismo nuclear é o "maior perigo" que o país enfrenta e disse que buscará apoio internacional para pressionar o Irã e a Coréia do Norte a desistirem de suas ambições nucleares.

A campanha de Obama disse que o senador, caso seja eleito, quer garantir a segurança de todo este material nuclear e aumentar o fundo em mais US$ 1 bilhão por ano para garantir que as armas nucleares sejam removidas de locais vulneráveis ao redor do mundo.

Carta republicana

Pouco depois do discurso de Obama, a campanha de McCain divulgou uma carta assinada por dez almirantes e generais elogiando os planos de segurança nacional do senador.

"Este país aprendeu o perigo de tratar os terroristas e seus Estados patrocinadores como pouco mais que um problema de força da lei. Nós estamos unânimes em nossa visão de que os fracassos do passado não devem ser repetidos e nós acreditamos que o longo histórico de John McCain no serviço nacional e seu julgamento já demonstrado em assuntos de segurança nacional deixam claro quem pode defender melhor este país e assegurar a paz e prosperidade em casa", dizia a carta.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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