Israel enterra seus soldados; Beirute espera corpos de combatentes
da Folha Online
Milhares de israelenses participaram nesta quinta-feira dos funerais de Ehud Goldwasser e Eldad Regev, cujos restos mortais foram entregues ontem pelo grupo xiita libanês Hizbollah em uma troca com Israel que libertou cinco prisioneiros libaneses.
Familiares, amigos e pessoas anônimas se reuniram pela manhã em Israel no setor militar do cemitério de Nahariya (norte de Israel) para prestar suas última homenagens a Goldwasser, capturado em Israel em uma operação do Hizbollah em 12 de julho de 2006 junto com Regev, que estava sendo enterrado nesta tarde em Israel (manhã no Brasil).
| Pavel Wolberg/Efe |
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| Karnit, mulher de Ehud Goldwasser, chora durante enterro de soldado israelense |
A família do soldado Gilad Shalit, preso pelo movimento islâmico palestino Hamas na faixa de Gaza desde o fim de junho de 2006, também participou da cerimônia do enterro de Goldwasser, assim como vários deputados, entre eles o ex-primeiro-ministro e líder da oposição de direita (Likud), Benjamin Netanyahu.
"Para você, defender o país era um privilégio e não um dever, e eu te beijei como de costume antes que partisse. Nunca te esquecerei", disse Karnit Goldwasser, viúva do soldado.
Desde o seqüestro, Karnit organizou com a família de Regev uma campanha internacional para a libertação dos dois militares. O Hizbollah, entretanto, só afirmou que os soldados estavam mortos ontem.
| Eliana Aponte/Reuters |
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| Corpo do soldado Ehud Goldwasser é enterrado na cidade de Nahariya |
Segundo partes de um informe dos médicos forenses militares publicados nesta quinta-feira pela imprensa israelense, Goldwasser e Regev morreram no dia do seqüestro, por disparos de balas e granadas.
No enterro de Regev, o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, foi o primeiro a elogiar o soldado, segundo o jornal "Haaretz". Ele descreveu Regev como um "jovem impressionante", com grande amor e comprometido com a religião. No seu elogio, Barak reiterou que Israel estava comprometido a trazer para casa seus soldados capturados. "Não é a maneira que esperávamos ver Eldad e Ehud em Israel", disse ele, acrescentando: "Uma nação inteira presta homanegam à coragem mostrada pela família de Regev".
Troca
Os restos mortais dos dois foram entregues pelo Hizbollah ontem, como parte de uma troca com Israel, que colocou em liberdade cinco prisioneiros libaneses e devolveu os corpos de 199 combatentes palestinos e libaneses. O Hizbollah entregou dois caixões pretos a Israel com os restos mortais dos dois soldados. A identidade deles foi confirmada por meio de testes de DNA conduzidos por Israel.
Pelo acordo, Israel deveria libertar quatro prisioneiros --Maher Qorani, Mohammad Srour, Hussein Suleiman, Khodr Zeidan-- e Samir Kantar, que cumpria sentença de prisão perpétua pelas mortes de quatro israelenses, incluindo uma garota de 4 anos e o pai dela, em um ataque da guerrilha a uma cidade israelense em 1979. Os cinco foram recebidos ontem com festa pelo Hizbollah no Líbano.
Chamado em Israel de "mal em pessoa", Kantar foi perdoado formalmente na terça-feira (15). O presidente israelense, Shimon Peres, afirmou ter tomado uma decisão difícil, mas acrescentou que "a decisão não significa de maneira alguma o perdão aos atos de Kantar".
A captura dos dois soldados israelenses deu início a uma guerra de 34 dias com o Hizbollah. No confronto, morreram cerca de 1.200 pessoas no Líbano e 159 israelenses. O acordo foi visto como um triunfo para o grupo guerrilheiro xiita libanês e como uma dor necessária para muitos israelenses.
Líbano
No Líbano, vários caminhões com os restos de 199 combatentes libaneses e palestinos entregues por Israel saíram nesta quinta-feira de Naqura (fronteira sul do Líbano) com destino ao sul de Beirute, onde se prepara uma cerimônia em honra aos "mártires".
| Lutfallah Daher/AP |
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| Parentes dos combatentes mortos jogam arroz e pétalas de rosas em caixões no Líbano |
Os caixões foram envoltos na bandeira libanesa ou palestina segundo a origem dos mortos, foram colocados em caminhões decorados com flores.
Em uma cerimônia organizada pelo Hizbollah antes da partida dos caminhões até Beirute, os assistentes jogaram flores brancas e arroz sobre os caixões. A rota do cortejo incluía as cidades do sul e foi decorada com as bandeiras amarelas do Hizbollah.
Ontem, os cinco militantes libaneses libertados foram recebidos como heróis por dezenas de milhares de simpatizantes do grupo radical xiita Hizbollah.
A troca desigual foi vista como um trunfo por Hassan Nasrallah, líder do Hizbollah, que declarou que "a era das vitórias chegou" e consolidou a ascensão do grupo --apoiado peloa Síria e pelo Irã-- no cenário político libanês e sua reputação no mundo árabe em geral.
| Darko Bandic/AP |
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| Ex-prisioneiros prestam homanegem a corpos de combatentes entregues por Israel |
Nasrallah declarou que o Hizbollah havia alcançado seus dois principais objetivos desde o fim da guerra --conseguir a libertação de todos os prisioneiros libaneses no poder de Israel e formar um governo de unidade nacional.
A manifestação no reduto do grupo, no sul de Beirute, e a recepção dos cinco homens no aeroporto reuniu líderes políticos, mostrando o crescente controle do grupo sobre o poder do país. Entre eles havia membros de partidos rivais cujos simpatizantes lutaram durante o mês de maio contra militantes do Hizbollah. Os EUA classificam o grupo como terrorista.
Com France Presse e agências internacionais
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