Voto de vice derruba projeto de impostos sobre grãos na Argentina
da Folha Online
da Efe, em Buenos Aires
Com voto de minerva do vice-presidente da Argentina, Julio Cobos, o Senado derrubou nesta quinta-feira o projeto do governo da presidente Cristina Fernández de Kirchner para atribuir impostos às exportações de grãos.
A surpreendente decisão de Cobos foi um duro golpe no governo de Cristina Kirchner, que sofreu um grande desgaste nos quatro meses de conflito com o setor agrário e viu sua popularidade despencar entre os argentinos.
Após 18 horas de debates, a votação do projeto entre os senadores ficou empatada em 36 votos em plena madrugada. Coube ao vice-presidente argentino, Julio Cobos, também presidente do Senado, definir a situação.
| Martin Acosta/Reuters |
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| Manifestante segura cartaz agradecendo voto de vice-presidente em Buenos Aires |
De acordo com a Constituição, o vice-presidente, também presidente do Senado, foi obrigado a desempatar e emitiu um voto contrário à iniciativa governamental. Ele afirmou que a decisão foi motivada por suas "convicções" e seu convencimento de que é necessário buscar uma saída que satisfaça a sociedade.
"Este é um dos momentos mais difíceis da minha vida", admitiu o vice-presidente. Cobos pediu que a presidente apresente uma nova proposta que conte com as contribuições expressadas no tenso debate no Senado, e lamentou a "divisão" que o conflito provocou no país, que se refletiu também nas mobilizações nas ruas de simpatizantes dos dois lados.
"Que a história me julgue, peço perdão se estiver errado. Meu voto não é a favor, eu voto contra", concluiu um abatido vice-presidente, que se transformou hoje em uma peça-chave do conflito entre o governo e o campo.
Reações
O projeto governamental chegou ao Senado após ser aprovado pela Câmara dos Deputados por 129 votos a favor e 122 contra, em uma sessão que foi encerrada no dia 5 de julho e que durou mais de 17 horas.
O voto de Cobos contra a iniciativa governamental, põe em risco sua continuidade no governo e sacudiu as fileiras do partido governante.
| Leo La Valle/Efe |
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| Produtores agropecuários gritam a favor do vice-presidente argentino, Julio Cobos |
"Seria incrível pensar que o vice-presidente votaria contra o presidente, a não ser que lhe quisesse dar um golpe mortal", disse o legislador governista Miguel Pichetto, que criticou os peronistas que votaram contra a proposta governamental.
Já a oposição viveu hoje um grande triunfo, e enviou ao governo a mensagem de que não há um poder absoluto na Argentina.
Enquanto isso, centenas de simpatizantes governistas que aguardaram durante todo o dia em frente às portas do Parlamento deixaram o local após a derrota do projeto.
Já os defensores do setor agrário, que decidiram se concentrar no bairro de Palermo para acompanhar o debate através de telões instalados nas ruas, comemoraram a vitória.
O presidente da Federação Agrária, Eduardo Buzzi, afirmou que este resultado permite "construir com esperança um país federal", e elogiou "a coragem e a ação democrática" do vice-presidente.
Panelaços
Durante a noite de quarta-feira, foram ouvidos em vários bairros de Buenos Aires panelaços contra o governo e a favor da postura dos produtores agrários, e as manifestações continuaram após o resultado.
O conflito entre o campo e o governo começou no dia 11 de março, quando o Ministério da Economia ditou uma resolução na qual impôs impostos móveis às exportações de grãos.
A rejeição ao novo esquema tributário gerou uma série de locautes que impediram a comercialização de grãos, além de bloqueios de estradas e desabastecimento de alimentos para a indústria, que causaram milionárias perdas ao país.
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