Mundo
18/07/2008 - 11h32

Cristina fala em traição e se reúne com ministro da Economia

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da Folha Online

Em sua primeira aparição pública, na noite desta quinta-feira, após a derrota sofrida no Senado, a presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, evitou falar diretamente sobre o tema e não citou o nome do vice-presidente Julio Cobos, cujo voto derrubou o projeto do governo para atribuir impostos às exportações.

Sem citar nomes, ela falou em "traições e deserções" dentro do próprio peronismo e reprovou aqueles que "não entenderam" o que ela disse durante a campanha eleitoral.

Com voto de minerva do vice-presidente, o Senado derrubou nesta quinta-feira o projeto do governo da presidente para atribuir impostos às exportações de grãos. A decisão de Cobos foi um duro golpe no governo de Cristina Kirchner, que sofreu um grande desgaste nos quatro meses de conflito com o setor agrário e viu sua popularidade despencar entre os argentinos.

Segundo o jornal argentino "Clarín", a presidente receberá nesta sexta-feira, por volta do meio-dia, o ministro da Economia, Carlos Fernández, na primeira audiência entre ambos desde que o Senado reprovou o projeto do governo. O encontro será na Casa Rosada e também terá a participação do secretário da Fazenda, Juan Carlos Pezoa.

17.jul.2008/Reuters
A presidente Cristina Fernandez de Kirchner fala ontem à noite na Província de Chaco
A presidente Cristina Fernandez de Kirchner fala ontem à noite na Província de Chaco

Ontem à noite, a presidente falou algumas vezes em um aeroporto, onde inaugurou uma reforma. A visita durou cerca de 90 minutos. Não houve outras reações do governo, em um dia de incertezas sobre o caminho que será tomado após o golpe no Senado.

Em sua primeira fala, a presidente defendeu os "cinco anos com a economia crescendo aos 8% anuais" e criticou "agentes econômicos que acreditam que o país pertence a uns poucos".

A segunda mensagem durou só cinco minutos. "Agradeço a presença de todos, para nos reencontrarmos, olhar nos olhos uns dos outros, homens e mulheres do povo, e saber nunca nos traímos", disse. "Escolhemos um caminho que é irrenunciável", afirmou Cristina.

"Alguns que pertencem a outros partidos têm me acompanhado, e outros que pertencem ao nosso desertaram", afirmou. Pouco depois, ela afirmou que "aos que talvez não tenham entendido o que havíamos falado em outubro, um dia entenderão".

Reunião

No encontro de Cristina com o ministro da Economia, espera-se que sejam definidos caminhos a serem tomados sobre o assunto.

Ontem, as quatro grandes patronais agropecuárias argentinas reivindicaram a retirada do decreto de aumento de impostos à exportação de grãos que detonou o conflito com o campo e que foi rejeitado pelo Senado.

"A Comissão reivindica que se derrogue a resolução 125", afirmou um comunicado da Comissão de Enlace, que agrupa as quatro patronais, em alusão ao decreto enviado ao Congresso pelo Executivo, que foi aprovado pela Câmara dos Deputados, mas rejeitado pelo Senado.

O documento dos ruralistas, intitulado "A República saiu fortalecida", propõe a criação de um debate agropecuário nacional para abordar uma política integral que dê resposta aos principais problemas do campo.

Além disso, eles agradecem muito especialmente o gesto "democrático" do vice-presidente do país, Julio Cobos, que, como líder da Câmara Alta, rompeu o empate no Senado entre governistas e opositores e votou contra a proposta da presidente.

Para Luciano Miguens, dirigente da Sociedade Rural, a rejeição à proposta governamental constituiu um "êxito importante" para o campo que, para ale, "tem de ter presença no Parlamento". "Saímos reconfortados deste êxito, a luta segue, seguiremos com instância judicial", acrescentou.

O aumento das chamadas retenções --impostos à exportação de grãos-- decretada pelo governo em março passado detonou a maior crise da gestão de Cristina, que tem sua popularidade no nível mais baixo desde que assumiu o mandato.

Com Efe

 

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