Mundo
18/07/2008 - 20h02

Produtores argentinos encerram conflito após suspensão de imposto

colaboração para a Folha Online

Dirigentes dos produtores agropecuários argentinos afirmaram nesta sexta-feira que a decisão do governo de Cristina Kirchner em suspender os impostos sobre as exportações de grãos põe "fim ao conflito" que iniciou há mais de quatro meses.

No entanto, os líderes do campo acrescentaram que ainda esperam a solução para outras reivindicações do setor.

Arte Folha Online
mapa argentina

Luciano Miguens, dirigente da Sociedade Rural Argentina (SRA), afirmou à agência Efe que a decisão do Executivo acaba com a controvérsia e "permite pensar em um projeto que supere o anterior para recuperar o tempo perdido durante o conflito".

O anúncio da suspensão do imposto foi feito hoje pelo chefe de gabinete do governo, Alberto Fernández, após o veto do Senado à medida, decidido pelo voto de minerva do vice-presidente Julio Cobos.

O dirigente da SRA acrescentou que ainda resta "abordar uma extensa agenda" com benefícios para o "setor bovino, leitero, para as economias regionais e para a agricultura".

O líder da Federação Agrária Argentina, Eduardo Buzzi, disse em entrevistas para a televisão local que a suspensão anunciada hoje é "uma boa notícia a princípio, mas é necessário que seja mais aprofundada".

"Ainda falta um tratamento diferente de impostos para os pequenos e médios produtores", completou Buzzi.

Cobos

A Argentina viveu nesta sexta-feira um momento de idolatria e críticas ao vice-presidente. Enquanto os oposicionistas espalharam cartazes nas ruas e enviaram mensagens eletrônicas com saudações por seu voto decisivo no Senado, os governistas o qualificaram como "Judas" e "traidor".

Martin Acosta-17.jul.2008/Reuters
Manifestante segura cartaz agradecendo voto de vice-presidente em Buenos Aires
Manifestante segura cartaz agradecendo voto de vice-presidente em Buenos Aires

Cobos reafirmou que não irá renunciar ao seu cargo em uma viagem à Província de Mendoza, onde foi recebido com aplausos.

"Desejo que o governo da presidente seja o melhor", disse o vice.

Sua decisão de rejeitar o projeto do governo obteve um índice de aprovação de 75% da população, segundo a empresa de consultoria privada D'Alessio-Irol.

O vice-presidente é um engenheiro civil de 53 anos que foi expulso de seu partido, a social-democrata União Cívica Radical (UCR), por aliar-se aos Kirchner nas eleições presidenciais de 2007.

Cristina

Em sua primeira aparição pública, na noite de quinta-feira (17), após a derrota sofrida no Senado, a presidente evitou falar diretamente sobre o tema e não citou o nome de Cobos.

Sem citar nomes, ela falou em "traições e deserções" dentro do próprio peronismo e reprovou aqueles que "não entenderam" o que ela disse durante a campanha eleitoral.

17.jul.2008/Reuters
A presidente Cristina Fernandez de Kirchner fala ontem à noite na Província de Chaco
A presidente Cristina Fernandez de Kirchner discursa em aeroporto na Província de Chaco

Ontem à noite, a presidente falou algumas vezes em um aeroporto, onde inaugurou uma reforma. A visita durou cerca de 90 minutos. Não houve outras reações do governo.

Em sua primeira fala, a presidente defendeu os "cinco anos com a economia crescendo aos 8% anuais' e criticou "agentes econômicos que acreditam que o país pertence a uns poucos".

A segunda mensagem durou só cinco minutos. "Agradeço a presença de todos, para nos reencontrarmos, olhar nos olhos uns dos outros, homens e mulheres do povo, e saber nunca nos traímos", disse. "Escolhemos um caminho que é irrenunciável", afirmou Cristina.

"Alguns que pertencem a outros partidos têm me acompanhado, e outros que pertencem ao nosso desertaram", afirmou. Pouco depois, ela afirmou que "aos que talvez não tenham entendido o que havíamos falado em outubro, um dia entenderão".

Com Efe e France Presse

 

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