Mundo
19/07/2008 - 18h00

Assembléia do Nepal fracassa em eleger seu primeiro presidente

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colaboração para a Folha Online

A nova república do Nepal fracassou em eleger seu primeiro presidente neste sábado, quando nenhum dos três candidatos conseguiu a maioria necessária para abrir o caminho para a formação de um novo governo.

O Nepal vive em situação politicamente instável desde abril, quando ex-rebeldes maoístas venceram uma eleição histórica que não lhes deu a maioria, mas possibilitou a formação de uma assembléia especial que aboliu a monarquia de 239 anos.

As eleições para presidente são um passo-chave para a instalação do governo que deverá ser liderado pelos maoístas, com o apoio de outros partidos políticos.

Mas, na votação de sábado, nenhum dos candidatos dos três principais partidos conseguiu os 298 votos necessários na Assembléia Constituinte, assinalando a continuidade do entrave político.

Ram Baran Yadav, do partido do Congresso de Nepal foi o candidato que chegou mais perto do número mínimo, com 283 votos. Logo depois veio Ramraja Singh, com 270 votos. o terceiro candidato, Ram Prit Paswan, não conseguiu nenhum voto.

"Ninguém conseguiu a maioria para presidente", disse Manohar Bhattari, secretário-geral da assembléia. "Haverá uma nova eleição na segunda-feira."

Diferenças na escolha para presidente estreitaram os laços entre maoístas e outros partidos políticos que se unem após assinar um pacto de paz em 2006, que inclui a abolição da monarquia e a criação de uma república para substituí-la.

Os maoístas apoiaram o candidato do Partido Comunista, Singh, 73, que organizou uma série de atentados a bomba, incluindo ataques ao parlamento e ao palácio real, em 1985.

Contudo, apesar de ter a maioria na assembléia, o partido perdeu o apoio de um dos quatro partidos pequenos no último minuto. O Fórum Madheshi pelo Direito das Pessoas, o quarto maior grupo de uma assembléia especial que escreverá a nova constituição do Nepal, decidiu fazer uma aliança com o Congresso do país.

Assim, o candidato do Fórum, Paramananda Jha, foi eleito como vice-presidente pelos legisladores, segundo fontes oficiais.

Sob as determinação do pacto de paz, os dois lados encerraram uma guerra civil de dez anos e os rebeldes maoístas concordaram em participar de uma eleição.

Os maoístas disseram que estão conversando também com partidos políticos para formar uma colaizão de governo. Contudo, outros partidos rejeitaram até agora as negociações, alegando que os ex-rebeldes ainda praticam a violência e a intimidação.

O último rei do Nepal, Gyanendra, foi forçado a desistir do regime autoritário em abril de 2006, depois dos protestos pró-democracia. No começo do ano, ele teve que sair do palácio real e agora vive em uma residência de verão da antiga monarquia, nos arredores da capital.

Com Reuters e Associated Press

 

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