Liga Árabe explicará ao Sudão plano para enfrentar acusação contra seu presidente
da Efe, no Cairo
O secretário-geral da Liga Árabe, Amre Moussa, viaja neste domingo (20) a Cartum (capital do Sudão) para explicar aos responsáveis sudaneses o plano adotado ontem pela organização para enfrentar a acusação de genocídio contra o presidente sudanês, Omar Hassan Ahmad al-Bashir.
O anúncio foi feito em comunicado divulgado durante a noite pela Liga Árabe, após reunião extraordinária dos ministros de Exteriores do grupo, que foi solicitada pelo governo sudanês.
A nota adverte para "os perigosos efeitos que terá sobre o processo de paz no Sudão" o pedido de detenção apresentado na segunda-feira passada pelo procurador-geral do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno Ocampo, contra Bashir, após acusá-lo de crimes de guerra na região de Darfur, no oeste do Sudão.
Os chefes da diplomacia árabe destacaram o profissionalismo, a independência e a capacidade dos tribunais sudaneses ao aplicar a justiça.
Nesse contexto, rejeitam "toda tentativa de politizar os princípios da justiça internacional para usá-la em menosprezo da soberania, da unidade e da estabilidade dos países".
Por último, pedem a Moussa que prossiga com seus contatos com a ONU e a União Africana para garantir uma mobilização comum com o objetivo de conseguir a paz e a reconciliação em Darfur.
É a primeira vez que o presidente de um país membro da Liga Árabe questiona as acusações do TPI, ao qual o Sudão preferiu não se integrar.
O conflito de Darfur começou em janeiro de 2003, quando dois grupos armados se rebelaram contra o governo pela situação de pobreza na qual se encontrava a região.
Desde então, pelo menos 300 mil pessoas morreram e 2,5 milhões foram forçadas a abandonar seus lares, segundo a ONU.
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