Mundo
20/07/2008 - 14h42

Colombianos protestam contra seqüestros; Betancourt pede libertação de reféns

Publicidade

da Folha Online

No Dia da Independência do país, os colombianos realizam neste domingo marchas em várias cidades do país e no exterior para pedir pela libertação dos mais de 2.800 seqüestrados no país. Os manifestantes pedem que as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e outros grupos ilegais parem de tomar pessoas como reféns e deponham suas armas.

Guillermo Legaria/Efe
Milhares de colombianos participam de protestos contra seqüestros no país
Milhares de colombianos participam de protestos contra seqüestros no país

As passeatas vão impor mais pressão às Farc, que sofreram duros golpes recentemente como resultado da ofensiva militar do presidente colombiano, Alvaro Uribe.

Uribe é visto como herói por muitos colombianos por partir para o ataque contra os rebeldes que combatem o governo desde os anos 1960. Ele alcançou 90% de apoio popular depois do resgate de 15 dos reféns das Farc --incluindo a franco-colombiana Ingrid Betancourt e três americanos-- ocorrido em 2 de julho.

Outras manifestações semelhantes foram realizadas em outras cidades do mundo, incluindo Paris, onde Betancourt discursou para uma multidão emocionada antes de um concerto do cantor colombiano Juanes.

Ela pediu aos rebeldes que mantenham conversações de paz com Uribe, cujo pai foi morto em uma fracassada tentativa de resgate das Farc, em 1983. Nos últimos 12 anos, 23.854 pessoas foram seqüestradas na Colômbia, das quais 2.800 permanecem em cativeiro.

Mobilização

A jornada, promovida com o lema "Liberdade Já", terá como ponto central Leticia, uma cidade da selva amazônica onde se reunirão os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe; do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; e do Peru, Alan García.

Além do tradicional desfile militar do Dia da Independência, a programação incluía um show da estrela pop colombiana Shakira, que cantou o hino nacional colombiano, a convite de Uribe.

Jose Miguel Gomez/Reuters
Milhares de colombianos participam de protestos contra seqüestros no país
Milhares de colombianos participam de protestos contra seqüestros no país

Na parada também estarão presentes os 11 militares e policiais resgatados pelo Exército no último dia 2, junto com Betancourt e os americanos.

Em Bogotá, as principais ruas foram cobertas de branco desde cedo, com centenas de milhares de manifestantes com camisas brancas com as inscrições como "Liberdade já", "Chega de seqüestrados" e "Paz para a Colômbia".

A ministra da Cultura colombiana, Paula Moreno, afirmou que até o momento o Grande Concerto, como foi denominada a iniciativa de fazer shows musicais em todos os municípios da Colômbia, é um sucesso ao qual se uniram 1.060 das 1.102 cidades do país.

Alguns atos já foram realizados ontem em Londres, Madri e Lima, onde grupos de colombianos se reuniram para pedir a liberdade dos reféns e celebrar o aniversário da independência.

Betancourt

Emocionada, Betancourt abriu um show em Paris em prol da libertação dos reféns das Farc e exigiu 'liberdade para todos' os seqüestrados da guerrilha. Dezoito dias após sua libertação, ela se dirigiu ao líder máximo das Farc, Alfonso Cano, para dizer: "Chega de seqüestros".

"Veja esta Colômbia, veja a mão estendida do presidente (colombiano, Álvaro) Uribe. Entenda que já não é mais hora de derramar sangue", disse Betancourt ao chefe das Farc.

William Fernando Martine/AP
Presidente colombiano, Alvaro Uribe, conversa com a cantora Shakira
Presidente colombiano, Alvaro Uribe, conversa com a cantora Shakira

Betancourt fez essas declarações no palco montado no Trocadero, em frente à torre Eiffel, diante de milhares de pessoas, a maioria colombianos e de outros países da América Latina.

O ato, que começou com 45 minutos de atraso, teve início com a execução no hino nacional colombiano, cantado pelos cidadãos do país presentes, já que hoje se comemora o Dia da Independência da Colômbia.

Betancourt disse que hoje é "o dia de fraternidade, da unidade entre todos os colombianos" e afirmou que nessa e em outras concentrações convocadas para reivindicar a liberdade dos reféns das Farc, "o amor é o único (sentimento) que nos move".

Por isso, "damos graças a Deus, damos graças à Virgem", disse a ex-refém da guerrilha, acompanhada de vários familiares no palco, com uma enorme bandeira da Colômbia e um cartaz que dizia: "Liberdade e paz".

Betancourt lembrou que ainda há milhares de reféns em poder das Farc e afirmou que "a guerra tem de acabar na Colômbia e no mundo inteiro". A ex-refém agradeceu repetidamente a todos os presentes, particularmente "aos franceses, que nunca nos abandonaram".

Antes do discurso da ex-refém, os organizadores mostraram cartazes com fotos dos companheiros de infortúnio de Betancourt que continuam na selva colombiana e dos quais ela mesma citou os nomes de vários.

Mensagens

Na madrugada deste domingo, Betancourt, acompanhada dos cantores colombiano Juanes e espanhol Miguel Bosé, enviou mensagens de esperança aos reféns em poder da guerrilha das Farc, em uma transmissão de rádio.

"O mundo está unido, estamos de mãos dadas, estamos pensando em vocês e estamos fazendo uma corrente por vocês. Tenham fé, cada dia mais tranqüilidade, saibam que em breve terão o direito de aproveitar a liberdade", afirmou Betancourt.

Vincent Kessler/Reuters
Ingrid Betancourt chora com a irmã durante evento pela libertação dos reféns
Ingrid Betancourt chora com a irmã durante evento pela libertação dos reféns

Juanes pediu que a guerrilha entenda que "é hora de dialogar para pôr fim a esta guerra injusta". Alguns atos já foram realizados sábado em Londres e Lima, onde grupos de colombianos se reuniram para pedir a liberdade dos reféns. No Peru, o presidente Alan García participou de uma manifestação.

"Há muitas pessoas privadas de liberdade e peço aos colombianos que saiam às ruas para pedir sua libertação", disse o cabo da polícia Armando Castellanos, um dos resgatados.

As Farc mantêm em seu poder ao menos três políticos e 22 integrantes das forças de segurança, e pretendem trocá-los por prisioneiros. É a terceira manifestação desse tipo realizada este ano na Colômbia, onde mais de 2.800 pessoas são mantidas reféns por diferentes grupos criminosos.

Com agências internacionais

Comentários dos leitores
Jorge Bronze (42) 02/12/2009 07h58
Jorge Bronze (42) 02/12/2009 07h58
JR, você deveria dizer que os votos estão sendo comprados juntamente com suas consciências. Os bolsas diversas não dignificam ninguém, apenas resolvem num momento o seu problema, este desgoverno pretende criar mais dois bolsas, o da cultura e o do celular, isso se chama compra de voto, e o PT é PHD nisso, agora falar em 3º mandato para o imcomPeTente, é exatamente fazer o que o lixo do Zelaia iria fazer, se perpetuar no poder como alguns idiotas estão querendo fazer na América Latina, simplificando alguns são cópias baratas do Hugo Chavez e este por sua vez é uma planta nascida do esterco da revolução cubana. Este governo, tem sim laços de amizade com as FARC, pois guerrilheiro defende guerrilheiro, o caso mais conhecido neste governo é a Dilma, que era também colega do heroi do PT "Lamarca", guerrilheiro assassino cruel, assaltante de bancos, (aliás a Dilma também foi), sequestrador, ladrão de armas do exército, desertor, e ainda assim sua familia recebeu mais de um milhão de indenização mais a pensão de coronel. sem opinião
avalie fechar
Ricardo Perrone (48) 12/11/2009 11h26
Ricardo Perrone (48) 12/11/2009 11h26
O Governo colombiano não deveria exercer esse tipo de artifício para capturar assassinos, bandidos ou guerrilheiros. Pagar recompensa é um estímulo a práticas detestáveis do caráter humano, como: ganância, traição e mentira. O governo deveria pegar o valor de tal recompensa e empregar nas atividades investigativas da polícia ou mesmo em sua modernização. O Estado deve ter por meta estimular o bom comportamento na sociedade, banindo práticas detestáveis mesmo que sejam por uma boa causa. 5 opiniões
avalie fechar
O Pacificador (232) 12/11/2009 11h03
O Pacificador (232) 12/11/2009 11h03
"Governo colombiano oferece US$ 1 milhão pelos assassinos de soldados do país..."
Nem precisava tanta grana.
Quem pode entregar os "cabeças" das Farc, é só gente interna mesmo.
Por dinheiro, que a verdadeira ideologia deles, esses "guerilheiros", fazem qualquer coisa.
Como já mostraram antes que são capazes, cortando até as maos de um líder da guerilha, para comprovar sua eliminação.
Uma fração do oferecido, teria sido mais do que sufiente...
sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (277)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca