Governo e oposição voltam a negociar no Zimbábue
da Efe, em Londres
O partido governista do Zimbábue, o União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), está perto de assinar um memorando de entendimento com o opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC, em inglês) para a abertura de conversas sobre a crise política no país.
O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, que falou neste sábado com o líder da oposição no Zimbábue, Morgan Tsvangirai.
O memorando, destinado a estabelecer as condições para o diálogo, será assinado na próxima semana, segundo o governante queniano.
"Estou incentivando este tipo de diálogo em interesse do povo do Zimbábue", acrescentou Odinga, que afirmou que Tsvangirai tinha destacado a disposição de se reunir com o presidente zimbabuano, Robert Mugabe, se as conversas preliminares corressem bem.
O acordo deveria ter sido assinado na semana passada, mas Tsvangirai decidiu não ratificá-lo por considerar que suas reivindicações não tinham sido cumpridas.
Por sua vez, o sub-secretário-geral da ONU para Assuntos Políticos e representante da organização no Zimbábue, Haile Menkerios, disse hoje a uma rádio de Johannesburgo que o presidente zimbabuano, Robert Mugabe, e Tsvangirai, chegaram de fato a um acordo, que pode ser assinado amanhã, em Harare.
Para Menkerios, este é um "primeiro passo" para um pacto que permita a formação de um Governo o Zanu-PF e o MDC, que tem a maioria no Parlamento.
O partido de Tsvangirai propunha, desde o ano passado, um fortalecimento da intervenção da União Africana (UA) nas conversas, pois desconfia da mediação do presidente sul-africano, Thabo Mbeki, a quem considera "parcial" e a favor de Mugabe.
O presidente zimbabuano foi derrotado no primeiro turno das eleições presidenciais realizadas em 29 de março por Tsvangirai, que não obteve, no entanto, o número de votos para uma maioria direta.
O segundo turno do pleito aconteceu em 27 de junho, mas Mugabe participou sozinho, pois Tsvangirai se retirou devido à onda de ataques e assassinatos contra os partidários do MDC por parte das milícias leais ao Governo com o consentimento das forças de segurança.
Apesar de a comunidade internacional ter considerado ilegítimo o resultado das eleições, Mugabe, no poder desde a independência do Zimbábue, em 1980, assumiu imediatamente o mandato e governa por decreto, pois ainda não convocou o Parlamento, no qual o MDC obteve a maioria nas legislativas realizadas também em março.
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