Mundo
20/07/2008 - 21h45

Países asiáticos condenam Mianmar por prisão de líder opositora

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da France Presse, em Cidade de Cingapura

A ditadura militar de Mianmar foi duramente criticada pelos demais membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) na abertura, neste domingo, de uma reunião de seus chanceleres. Todos se declararam "profundamente decepcionados" com a extensão da prisão domiciliar da líder opositora birmanesa, Aung San Suu Kyi.

Os ministros dos dez países que integram a Asean estão em Cingapura, para buscar soluções para a disparada de preços do petróleo e dos alimentos, com a preocupação de que a inflação ameace a estabilidade política da região.

Os ministros de Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Filipinas, Cingapura, Tailândia e Vietnã também debatem "a alta do preço do petróleo e dos alimentos, que criam um sério desafio para o bem-estar dos povos, assim como para o contínuo desenvolvimento econômico dos países", afirma um comunicado conjunto.

O problema, se não for resolvido, pode criar um desafio para as metas a longo prazo da região de se converter numa comunidade ao estilo da União Européia, com livre trânsito de mercadorias e serviços até 2015.

Os ministros da Asean também conclamaram a junta birmanesa a retomar o diálogo com o movimento de Aung San Suu Kyi, estagnado desde as críticas à polêmica "rota para a democracia" dos generais birmaneses.

No dia 27 de maio passado, a junta militar birmanesa prolongou por mais um ano a detenção da líder opositora que vive reclusa desde 2003.

História

Aung San Suu Kyi, Prêmio Nobel da Paz, lidera um incessante combate pela democracia, sistema político que seu país não vê há quase meio século.

Prêmio Nobel da Paz em 1991, ela sempre advogou pela não-violência em um país que vem sendo governado por juntas sucessivas desde 1962.

Nascida em 19 de junho de 1945, Suu Kyi, filha de Aung San, herói da independência birmanesa assassinada em 1947, teve acesso às melhores escolas de Rangun, prosseguindo seus estudos na Índia --país onde sua mãe foi nomeada embaixadora-- e depois seguiu para Oxford.

Assistente da Escola de Estudos Orientais de Londres, ele se casou em 1972 com o britânico Michael Aris, universitário especialista em Tibete e budismo, com quem teve dois filhos.

De volta à Birmânia em abril de 1988 para cuidar de sua mãe doente, Aung San Suu Kyi fez um discurso público pela primeira vez.

Em um país submetido à lei marcial, ele reivindicava a formação de um governo interino e eleições livres antes de fundar, com outros militantes, a Liga Nacional pela Democracia (LND).

Em maio de 1990, seu partido foi muito votado nas eleições pluralistas. A junta, mesmo com o resultado, se negou a deixar o governo. Até hoje os generais continuam no poder.

Mas a líder da oposição birmanesa sempre se disse convencida de ter "o povo ao seu lado", apesar da repressão promovida pela junta.

Suu Kyi teve a prisão domiciliar decretada de 1989 até meados de 1995. Depois disso, chegou a ter um breve período de "liberdade" até 2000. Em seguida, porém, ela foi novamente confinada entre as quatro paredes de sua residência por mais 19 meses.

Presa novamente em maio de 2003, depois de um ataque assassino contra seu carro, ela foi condenada a um terceiro período de prisão domiciliar e, a partir desse momento, sua pena não parou de ser prolongada.

Certa de sua causa e com o apoio ocidental, em particular o norte-americano e o europeu, Aung San Suu Kyi abandonou a queda-de-braço com o governo depois da abertura, no fim de 2000, de discussões históricas sobre a "reconciliação nacional".

 

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