Mundo
22/07/2008 - 08h07

Obama encerra visita ao Iraque com encontro com líderes sunitas

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colaboração para a Folha Online

O provável candidato democrata Barack Obama encerrou sua rápida visita ao Iraque com um encontro com líderes sunitas que se uniram às forças americanas e iraquianas na luta contra os insurgentes.

Obama viajou até Ramadi, capital da Província de Anbar, a oeste de Bagdá, para se encontrar com os líderes sunitas chamados de Conselheiros do Despertar que se juntaram aos americanos na luta contra os militantes da Al Qaeda e do clérigo xiita anti-EUA, Moqtada al Sad.

Um porta-voz da Província, Jamal Mashedani, revelou que a conversa de Obama com os líderes incluiu novos esforços para combater a Al Qaeda no Iraque. Nem o porta-voz, nem a embaixada dos EUA no Iraque deram maiores detalhes das conversas.

A viagem de Obama ao Iraque incluiu ainda conversas e um passeio de helicóptero com o comandante das tropas americanas no Iraque, general David Petraeus, e reuniões com o primeiro-ministro, Nouri al-Maliki, o presidente, Yalal Talabani, e o vice-presidente, Tareq al Hachemi para discutir a situação do país após cinco anos da invasão americana.

Segundo fontes parlamentares, Obama se reuniu com o presidente e o vice para discutir a evolução da situação política do país. Nenhum outro detalhe da conversa foi divulgado.

O democrata encontrou-se também Maliki, com quem, segundo fontes parlamentares, conversou sobre a situação das 145 mil tropas americanas no país, sua preparação e disposição.

Maliki e Obama falaram também sobre a possibilidade de retirada das tropas de combate do país.

Logo após o fim da reunião de Obama com Maliki, o porta-voz do governo, Ali al-Dabagh, disse aos repórteres: "Nós estamos esperando que, em 2010, as tropas de combate saiam do Iraque". Embora não tenha declarado seu apoio a nenhum candidato, o apoio à proposta de Obama --uma das mais marcantes diferenças de sua política com a do republicano John McCain deve contribuir com a campanha democrata.

O apoio veio também do vice-presidente. "Eu ficaria feliz em alcançar um acordo de dizer, por exemplo, 31 de dezembro de 2010 marcaria a saída da última tropa de combate dos EUA", disse a repórteres, após a reunião com o democrata. A data estaria sete meses após a proposta de Obama de retirar as tropas em 16 meses, a partir do início do novo mandato.

Obama não conversou com os repórteres, mas, segundo comunicado emitido nesta segunda-feira pelo Senado americano, o primeiro-ministro concordou com a proposta negociada junto ao democrata de retirada das tropas americanas do Iraque até 2010.

"O primeiro-ministro disse que este é um momento apropriado para iniciar um plano de reorganização de nossas tropas no Iraque, incluindo números e missões", revela o documento. Maliki "manifestou sua esperança de que as forças de combate possam sair do Iraque em 2010", diz.

"O primeiro-ministro Maliki contou-nos que as pessoas do Iraque apreciam profundamente os sacrifícios dos soldados americanos, eles não querem uma presença sem fim estabelecido das forças de combate americanas", disse o comunicado de Obama, conjunto com os senadores Chuck Hagel, republicano de Nebraska e Jack Reed, democrata de Rhode Island, que acompanham a viagem internacional do presidenciável.

Os senadores também reconheceram a queda da violência no país, mas ressaltaram que "embora tenha havido um movimento de progresso político, reconciliação e desenvolvimento econômico, não houve o suficiente para trazer uma estabilidade duradoura ao país".

McCain sempre defendeu o sucesso da Guerra do Iraque e exortava Obama a reconhecer que estava errado quando dizia que a invasão americana foi um fracasso.

Segundo a televisão estatal iraquiana Al Iraquiya, o premiê apresentou o cenário do progresso da situação iraquiana desde que, com a invasão americana, o regime de Saddam Hussein foi derrotado. Segundo Maliki, o Iraque enfrentou com sucesso as ameaças dos terroristas da al Qaeda e das milícias xíitas.

O senador democrata causou polêmica na semana passada ao dizer que poderia "refinar" sua visão sobre o Iraque depois de conversar com os comandantes americanos. A ala mais liberal dos democratas acusaram Obama de estar caminhando em direção ao centro para conquistar mais eleitores. Com o apoio de Maliki à retirada, Obama deve reconquistar o apoio desta ala do seu partido.

Próxima parada

Na agenda de viagem do senador, as próximas paradas foram a Jordânia, onde fará uma rápida visita, e Israel, onde deve chegar na noite desta terça-feira.

Em Israel, ele deve se encontrar com os líderes locais e --ao contrário de seu rival republicano John mcCain que visitou o país em março-- se reunirá com líderes palestinos, na Cisjordânia.

Obama tem um sólido histórico político de apoio a Israel e já afirmou publicamente que apóia o direito de Israel de defender-se. Contudo, muitos analistas apontam que ele ainda tem dificuldade de conquistar o eleitorado judeu.

"Existe o temor entro os mais velhos e os mais religiosos de que Obama tenha menos simpatia por Israel ou mais simpatia pelos palestinos, o que seria neutro na questão do Oriente Médio, mas para muitos judeus é tão ruim quanto ser antiisraelense porque eles acreditam que Israel está lutando por sua vida em meio a uma vizinhança muçulmana hostil", disse Jonathan Goldberg, diretor do jornal americano judeu "The Forward".

Segundo Goldberg, este temor é acentuado pelos boatos de que Obama é muçulmano e pela manutenção de seu segundo nome, Hussein. "[Isso] desperta temores simbólicos, assim como algumas coisas de seu passado, como suas simpatias de juventude pela militância de identidade negra ou sua associação com o reverendo Wright", disse.

Outro motivo seria a proposta de Obama de dialogar abertamente com o Irã, tido como grande ameaça a Israel --que afirma que o país persa está usando seu programa nuclear para construir armas.

Um dos objetivos da viagem de Obama a Israel seria justamente reforçar seu apoio à causa dos judeus e vencer de vez a relutância deste eleitorado que tradicionalmente apóia os democratas.

Depois de Israel e Jordânia, Obama deve visitar França, Alemanha e Reino Unido. Segundo sua equipe, a viagem serve para que Obama conheça a situação real dos países em conflito e para que estreite os laços diplomáticos com importantes aliados na Europa "para solucionar os desafios do século 21".

Analistas apontam, contudo, que a primeira viagem internacional de Obama como provável candidato serve para mostrar aos eleitores que ele pode lidar com temas de política externa e segurança nacional.

Com agências internacionais

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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