Preso na Sérvia, Karadzic é submetido a interrogatório
da France Presse, em Belgrado
da Folha Online
Um juiz de instrução concluiu na manhã desta terça-feira um interrogatório preliminar do ex-líder político dos sérvios da Bósnia, Radovan Karadzic, primeiro passo para sua extradição para o Tribunal Penal Internacional para a ex-Ioguslávia (TPII), em Haia, informou a agência Beta News.
"O interrogatório terminou", afirmou o juiz de instrução Milan Dilparic, citado pela agência. Dilparic se negou, entretanto, a revelar detalhes sobre o conteúdo da audiência, classificando-a de "confidencial".
| Anja Niedringhaus-16.jan.1993/Efe |
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| Karadzic mostra a jornalistas um mapa étnico da Bósnia em quartel |
Segundo o advogado de Radovan Karadzic, Svetozar Vujakic, citado pela Beta News, o ex-líder sérvio-bósnio afirmou que havia sido "detido na sexta-feira em um ônibus", em Belgrado, e que desde então é mantido "detido em uma cela". Karadzic, que teria classificado a situação de "farsa", havia utilizado seu "direito de se manter em silêncio durante o interrogatório", segundo Vujakic.
O advogado de Karadzic afirmou que o ex-líder político sérvio-bósnio, que foi examinado por um médico, "estava tranqüilo" durante o interrogatório, e acrescentou que ele permaneceria em uma unidade de detenção especial do tribunal sérvio encarregado de julgar os crimes de guerra, à espera de sua extradição para o TPII.
Segundo as normas jurídicas sérvias, a audiência preliminar é o primeiro passo no processo que é concluído com a extradição do suspeito para o Tribunal Penal Internacional.
Em um prazo de três dias, o juiz vai decidir se o acusado cumpre ou não as condições para ser enviado ao tribunal de Haia. Depois disso, Karadzic tem três dias para apelar da decisão do juiz. Então, o colégio de juízes do tribunal que julga os crimes de guerra em Belgrado tem três dias para se pronunciar sobre a extradição.
Depois, o acusado não tem direito a outra apelação e o Ministério da Justiça pode tomar a decisão de enviá-lo ao TPI.
"Radovan Karadzic foi localizado e detido na noite" de segunda-feira pelas forças de segurança sérvias, segundo um comunicado da Presidência sérvia, que não forneceu detalhes sobre a prisão.
Perfil
Karadzic, um dos maiores fugitivos acusado de crimes de guerra, foi acusado de arquitetar os assassinatos em massa que o tribunal da ONU (Organização das Nações Unidas) para crimes de guerra descreve como "cenas do inferno, escritas nas páginas mais negras da história humana".
| Reuters |
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| Montagem mostra foto recente do ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic e imagem dele em 1995; ele foi preso na Sérvia |
Acusado de organizar o massacre de 8.000 muçulmanos em Srebrenica, em 1995, entre outras atrocidades da Guerra da Bósnia (1992-1995), Karadzic liderou a lista dos mais procurados por mais de dez anos, recorrendo a disfarces elaborados para fugir das autoridades.
Ele foi o líder político dos bósnios-sérvios durante a guerra entre 1992 e 1995 que sucedeu a secessão da Bósnia-Herzegovina da Iugoslávia --quando houve o massacre de Srebrenica e do cerco a Sarajevo.
Formado psiquiatra, Karadzic, 63, se declarou presidente de uma república sérvio-bósnia quando a Bósnia-Herzegovina se separou da Iugoslávia, e foi visto em público pela última vez em 1996.
Karadzic foi preso ontem na Sérvia após quase 13 anos de buscas. Ao ser detido nas proximidades Belgrado, ele carregava um documento de identidade falso com o nome de Dragan Dabic. Com uma longa barba branca e óculos --imagem diferente daquela de quando ele foi visto pela última vez--, ele trabalhava com médico na capital sérvia.
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