Mundo
22/07/2008 - 11h29

Mulher de Karadzic diz estar aliviada pelo marido estar vivo

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da Efe, em Sarajevo
da Folha Online

A mulher do ex-líder servo-bósnio Radovan Karadzic, Ljiljana Zelen, se mostrou nesta terça-feira "aliviada" ao saber que seu marido está vivo, e disse que espera poder visitá-lo em Belgrado.

"Estava totalmente confusa. Liguei a meu filho para que ele acordasse. Não estava bem, mas, depois de tudo, estou feliz que esteja vivo", disse hoje à imprensa local, em suas primeiras sensações após saber da detenção do marido.

As declarações de Zelen foram feitas em sua casa em Pale, a antiga capital servo-bósnia durante a guerra civil, situada a 23 quilômetros de Sarajevo.

A mulher de Karadzic e seus dois filhos, Sonja e Aleksandar, disseram que querem visitar o detido em Belgrado, mas, por enquanto, não podem viajar porque não têm a documentação.

Em janeiro, o alto representante internacional para a Bósnia, Miroslav Lajcak, ordenou que fossem retirados seus passaportes devido à relação com uma rede de ajuda para esconder Karadzic da Justiça.

Zelen pediu em público várias vezes que o marido se entregasse de forma voluntária, após denunciar pressões sobre a família.

Prisão

Acusado de ter planejado crimes de guerra que incluem o pior massacre na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Karadzic, cuja prisão foi anunciada ontem na Sérvia, vivia e trabalhava com identidade falsa em Belgrado, informaram nesta terça-feira as autoridades sérvias.

Reuters
Montagem mostra foto recente do ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic e imagem dele em 1995; ele foi preso na Sérvia
Montagem mostra foto recente do ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic (à esq.) e imagem dele em 1995; ele foi preso na Sérvia

Quando foi detido em um ônibus nas proximidades Belgrado, dando fim a mais de uma década de busca, Karadzic carregava um documento de identidade com o nome de Dragan Dabic. Ele trabalhava em um consultório de medicina alternativa na capital sérvia.

Vladimir Vukcevic, o promotor sérvio de crimes de guerra e coordenador de um plano de ação para a captura de criminosos de guerra, explicou nesta terça-feira que Karadzic foi detido nas proximidades de Belgrado, sem a ajuda de serviços secretos estrangeiros. "Trabalhamos sozinhos, sem a ajuda de fora", disse o promotor em entrevista coletiva.

Rasim Lajic, o ministro sérvio encarregado de cooperar com o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII), em Haia, disse na mesma entrevista coletiva que Karadzic era "muito convincente" em sua falsa identidade. O ministro mostrou uma foto do ex-presidente em que ele é visto com uma longa barba branca, cabelo grisalho e de óculos.

Segundo o ministro, a mudança de identidade e de imagem de Karadzic era tão boa que nem sequer as pessoas que alugaram um apartamento para ele o reconheceram. "Acho que todo mundo esperava que Ratko Mladic (o ex-líder militar servo-bósnio) seria preso primeiro, mas as informações que tínhamos nos levaram a Karadzic", afirmou Lajic.

"A operação aconteceu depois que seguimos por um tempo um grupo de pessoas que eram suspeitas de formar uma rede de apoio a Karadzic", acrescentou o ministro.

Perfil

Karadzic, um dos maiores fugitivos acusado de crimes de guerra, foi acusado de arquitetar os assassinatos em massa que o tribunal da ONU (Organização das Nações Unidas) para crimes de guerra descreve como "cenas do inferno, escritas nas páginas mais negras da história humana".

Acusado de organizar o massacre de 8.000 muçulmanos em Srebrenica, em 1995, entre outras atrocidades da Guerra da Bósnia (1992-1995), Karadzic liderou a lista dos mais procurados por mais de dez anos, recorrendo a disfarces elaborados para fugir das autoridades.

Ele foi o líder político dos bósnios-sérvios durante a guerra entre 1992 e 1995 que sucedeu a secessão da Bósnia-Herzegovina da Iugoslávia --quando houve o massacre de Srebrenica e do cerco a Sarajevo.

Formado psiquiatra, Karadzic, 63, se declarou presidente de uma república sérvio-bósnia quando a Bósnia-Herzegovina se separou da Iugoslávia, e foi visto em público pela última vez em 1996.

 

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