Sérvios protestam a favor de Karadzic; advogado deve apelar contra extradição
colaboração para a Folha Online
Nacionalistas sérvios entraram em embate contra a polícia em Belgrado, criticando o governo pró-ocidental que capturou Radovan Karadzic, o ex-presidente bósnio-sérvio acusado de crimes de guerra. O advogado de Karadzic afirmou que irá apelar contra os planos da Sérvia em extraditar o ex-líder para o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII), uma corte da ONU.
Em Belgrado, os cerca de 200 manifestantes do grupo extremista sérvio Obraz atiraram pedras e potes de barro na polícia, falando repetidamente a palavra "traição".
"Este é um dia duro para a Sérvia", afirmou Tomislav Nikolic, líder do ultranacionalista Partido Radical Sérvio. "Karadzic era um mito e uma lenda do povo sérvio", acrescentou.
| Reuters |
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| Montagem mostra foto recente do ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic (à esq.) e imagem dele em 1995; ele foi preso na Sérvia |
Nikolic também afirmou que fará tudo que puder para derrubar o governo pró-ocidente.
No vilarejo onde Karadzic nasceu, Petnjica, um parente afirmou à agência Associated Press que estava "triste porque ele (Karadzic) não se matou ao invés de deixar-se capturar".
Ainda esta manhã, um juiz de instrução concluiu um interrogatório preliminar, considerado o primeiro passo para extradição do ex-líder bósnio-sérvio acusado de crimes de guerra para o TPII, em Haia.
No total, a lei sérvia prevê um prazo máximo de nove dias para que seja tomada uma decisão final sobre a transferência à corte internacional. Este período está dividido em três partes de três dias: um para a instrução judicial, um para a apelação da defesa e outro para decidir sobre a apelação.
Segundo o promotor Vladimir Vukcevic, um juiz emitiu uma ordem para transferência de Karazvic da Sérvia para Haia nesta terça-feira. O advogado de Karadzic, Svetozar Vujakic, disse que vai recorrer.
Prisão
Segundo o advogado, citado pela Beta News, o ex-líder sérvio-bósnio afirmou que havia sido "detido na sexta-feira (18) em um ônibus", em Belgrado, e que desde então é mantido "detido em uma cela". Karadzic, que teria classificado a situação de "farsa", havia utilizado seu "direito de se manter em silêncio durante o interrogatório".
Vujakic também afirmou que o ex-líder político, que foi examinado por um médico, "estava tranqüilo" durante o interrogatório, e acrescentou que ele permaneceria em uma unidade de detenção especial do tribunal sérvio encarregado de julgar os crimes de guerra, à espera da decisão sobre sua extradição.
Imagens de Karadzic divulgadas após o anúncio de sua prisão mostravam o ex-líder sérvio-bósnio de cabelos e barba brancos. Uma delas mostrava ele usando óculos. Segundo as autoridades sérvias, ele trabalhava em um consultório de medicina alternativa na capital sérvia.
Quando foi detido em um ônibus nas proximidades Belgrado, dando fim a mais de uma década de busca, Karadzic carregava um documento de identidade com o nome de Dragan Dabic. O nome falso era o mesmo usado para colaborar com uma revista sobre saúde.
Perfil
Karadzic, um dos maiores fugitivos acusado de crimes de guerra, foi acusado de arquitetar os assassinatos em massa que o tribunal da ONU para crimes de guerra descreve como "cenas do inferno, escritas nas páginas mais negras da história humana".
| Arte Folha |
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Acusado de organizar o massacre de 8.000 muçulmanos em Srebrenica, em 1995, entre outras atrocidades da Guerra da Bósnia (1992-1995), Karadzic liderou a lista dos mais procurados por mais de dez anos, recorrendo a disfarces elaborados para fugir das autoridades.
Ele foi o líder político dos bósnios-sérvios durante a guerra entre 1992 e 1995 que sucedeu a secessão da Bósnia-Herzegovina da Iugoslávia --quando houve o massacre de Srebrenica e do cerco a Sarajevo.
Formado psiquiatra, Karadzic, 63, declarou-se presidente de uma república sérvio-bósnia quando a Bósnia-Herzegovina se separou da Iugoslávia, e foi visto em público pela última vez em 1996.
Com agências internacionais
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