Mundo
23/07/2008 - 12h11

Preso, Karadzic corta o cabelo e faz a barba

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da Efe, em Belgrado
da Folha Online

O ex-líder servio-bósnio Radovan Karadzic, preso na última segunda-feira (21) acusado de crimes de guerra com uma aparência muito diferente das últimas imagens dele vistas em 1996, cortou o cabelo e fez a barba, afirmou nesta quarta-feira seu advogado, Svetozar Vujacic.

Vujacic, que visitou hoje seu cliente na prisão em Belgrado, disse que Karadzic "está como novo, com o mesmo aspecto de 14 anos atrás, barbeado, com o cabelo curto". Segundo o advogado, Karadzic "não envelheceu nada, só está um pouco mais magro".

Karadzic, que se escondia sob a identidade falsa de Dragan Dabic, estava com barba e cabelo brancos e compridos no momento da detenção, um aspecto muito diferente do que seriam suas últimas aparições em público. Partiu dele o pedido para cortar o cabelo e fazer a barba.

Vujacic disse também que seu cliente "está cheio de força e energia, com boa saúde psíquica e física, otimista, certo de que a justiça e a verdade vencerão, com a ajuda de Deus".

Defesa

Também hoje, Vujacic afirmou que seu cliente se encarregará de sua própria defesa durante seu processo no Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII).

"Karadzic terá uma equipe de juristas na Sérvia que o ajudará em sua defesa, mas defenderá a si mesmo no TPII", afirmou Vujacic à imprensa. "Ele está convencido que, com a ajuda de Deus, ganhará". Segundo o advogado, seu cliente estava em boas condições mentais e físicas. Ele não estava falando com os investigadores, mas "se defendendo com o silêncio".

Reuters
Ex-líder sérvio-bósnio aparece em um vídeo participando de uma palestra
Ex-líder sérvio-bósnio aparece em um vídeo participando de uma palestra

Karadzic foi detido na segunda-feira à noite (21) em Belgrado pelos serviços secretos sérvios depois de ter permanecido foragido por quase 13 anos, desde que em 1995 foi acusado de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Durante esse período conseguiu escapar das autoridades utilizando uma identidade falsa.

Vujacic ainda afirmou que na próxima sexta-feira, último dia do prazo previsto pela lei, apresentará um recurso contra a transferência de Karadzic para Haia, para atrasar o máximo possível sua entrega ao TPII. Depois de apresentado o recurso, os juízes do tribunal de Belgrado encarregado de julgar os crimes de guerra terão três dias para se pronunciar.

Acusado de crimes de guerra que incluem o pior massacre na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Karadzic usava uma identidade falsa e trabalhava como médico em um consultório de medicina alternativa em Belgrado.

Imagens de Karadzic divulgadas após o anúncio de sua prisão mostravam o ex-líder sérvio-bósnio de cabelos e barba brancos e compridos. Uma delas mostrava ele usando óculos. Segundo as autoridades sérvias, ele trabalhava em um consultório de medicina alternativa na capital sérvia.

Quando foi detido em um ônibus nas proximidades Belgrado, dando fim a mais de uma década de busca, Karadzic carregava um documento de identidade com o nome de Dragan Dabic. O nome falso era o mesmo usado para colaborar com uma revista sobre saúde.

Perfil

Karadzic, um dos maiores fugitivos acusado de crimes de guerra, foi acusado de arquitetar os assassinatos em massa que o tribunal da ONU (Organização das Nações Unidas) para crimes de guerra descreve como "cenas do inferno, escritas nas páginas mais negras da história humana".

Reuters
Montagem mostra foto recente do ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic e imagem dele em 1995; ele foi preso na Sérvia
Montagem mostra foto recente do ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic (à esq.) e imagem dele em 1995; ele foi preso na Sérvia

Acusado de organizar o massacre de 8.000 muçulmanos em Srebrenica, em 1995, entre outras atrocidades da Guerra da Bósnia (1992-1995), Karadzic liderou a lista dos mais procurados por mais de dez anos, recorrendo a disfarces elaborados para fugir das autoridades.

Ele foi o líder político dos bósnios-sérvios durante a guerra entre 1992 e 1995 que sucedeu a secessão da Bósnia-Herzegovina da Iugoslávia --quando houve o massacre de Srebrenica e do cerco a Sarajevo.

Formado psiquiatra, Karadzic, 63, se declarou presidente de uma república sérvio-bósnia quando a Bósnia-Herzegovina se separou da Iugoslávia, e foi visto em público pela última vez em 1996.

Com France Presse, Reuters, Associated Press e Efe

 

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