Mundo
23/07/2008 - 15h16

Obama defende negociação com Irã, mas critica programa nuclear

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colaboração para a Folha Online

O provável candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, defendeu sua proposta de negociar com o Irã, mas ressaltou que o "mundo precisa impedi-lo de desenvolver a bomba nuclear". Nesta quarta-feira, Obama se inseriu na política do Oriente Médio com reuniões e aparições ao lado de líderes israelenses e palestinos.

"Um Irã nuclear seria uma grave ameaça, e o mundo precisa impedi-lo de obter a arma nuclear', disse Obama durante uma coletiva em Sderot, uma cidade constantemente atingida por foguetes palestinos.

Obama, que discursava diante de um amontoado de destroços de foguetes disparados contra Sderot e seus arredores a partir da Faixa de Gaza, afirmou que "um Irã nuclear afeta o equilíbrio no mundo inteiro, e não apenas no Oriente Médio".

Ele também criticou os "ataques terroristas" contra Israel, o "rearmamento do Hizbollah", e o regime de Teerã que "patrocina o terrorismo".

Paz

O senador democrata afirmou que um acordo de paz com os palestinos é do interesse de Israel e ressaltou que ajudará a persuadir o Irã a não desenvolver armas nucleares.

O democrata tem sido criticado repetitivamente por seu adversário republicano, o também provável candidato John McCain, por ser ingênuo em acreditar que pode dialogar diretamente com "inimigos como o Irã".

Obama respondeu às críticas e afirmou que o objetivo para tal diplomacia não é porque "é ingênuo em relação à natureza desse regime (do Irã)".

"É porque, se nós mostrarmos vontade em dialogar para fazer acordo sobre esses problemas e se o Irã rejeitar qualquer abertura, isso nos colocará em uma posição mais forte para mobilizar a comunidade internacional no aumento da pressão sobre o Irã", acrescentou.

Jerusalém

O senador de Illinois também reafirmou que Jerusalém é a capital de Israel.

"Não mudei minha posição. Continuo afirmando que Jerusalém será a capital de Israel. Disse isso no passado, e repito isso hoje. Porém, também disse que se trata de uma questão vinculada ao estatuto final" dos palestinos dentro de um acordo de paz, disse.

Os palestinos querem transformar Jerusalém na capital de seu futuro Estado, mas a parte oriental da cidade foi anexada por Israel em 1967.

Em junho, o candidato democrata havia suscitado a indignação dos palestinos ao qualificar Jerusalém de capital indivisível de Israel. Desde então, sua equipe de campanha vem tentando suavizar esta declaração.

"Ele disse que Jerusalém deve ser um dos pontos do estatuto final negociado pelas duas partes, que Jerusalém continuará sendo a capital de Israel mas que ela não deve ser dividida por arame farpado e pontos de passagem", disse terça-feira (22) um conselheiro de Obama.

Críticas

Os comentários incentivaram uma rápida resposta do comitê de McCain, que acusou Obama de recuar em seu anseio anterior de encontrar líderes iranianos sem pré-condições. Obama afirmou que não mudou esse plano.

Em uma entrevista para a rede CBS de televisão, Obama afirmou que a visita a Israel também faz parte de uma estratégia para reverter o apoio dos judeus a McCain.

Na manhã desta quarta-feira, o senador por Illinois visitou o memorial do Holocausto em Jerusalém, onde disse que "ultimamente, esse é um lugar de esperança".

A viagem, que levou Obama ao Afeganistão, Iraque e Jordânia, e ainda incluirá três países europeus, é considerada por especialistas uma tentativa de derrubar as críticas de McCain sobre sua inexperiência em política externa.

Ainda hoje, Obama tomou café-da-manhã com o ministro da defesa israelense, Ehud Barak e encontrou com o presidente do Estado, Shimon Peres. A próxima escala da viagem internacional do democrata é a Alemanha, para onde irá amanhã.

Com Associated Press e France Presse

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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