Mundo
24/07/2008 - 15h38

Em Berlim, Obama pede união entre EUA e UE na luta contra o terror

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da Folha Online

O provável candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, discursou em Berlim por uma maior colaboração entre os países da União Européia (UE) e os EUA no combate aos "desafios do século 21", o aquecimento global e, principalmente, o combate ao terrorismo no Afeganistão e Paquistão.

Obama, que foi ovacionado pelos milhares de alemães presentes, afirmou que houve diferenças entre os EUA e a Europa e que haverá diferenças no futuro, "mas a colaboração e a parceria entre as nações é o único caminho para avançar nos propósitos comuns".

Tobias Schwarz/Reuters
U.S. Democratic presidential candidate Senator Barack Obama waves to the crowd after making a speech in front of the Victory Column (Siegessaeule) in Berlin July 24, 2008. REUTERS/Tobias Schwarz (GERMANY) US PRESIDENTIAL ELECTION CAMPAIGN 2008
Milhares de alemães se reúnem diante da Coluna da Vitória para ouvir o discurso do provável candidato democrata Barack Obama

"Agora é hora de construir pontes entre os países. Derrotar o terrorismo e nos juntar contra os muçulmanos que vivem pelo ódio em vez da esperança", disse Obama, em discurso em frente à Coluna da Vitória, no parque Tiergarten.

O democrata pediu que os países europeus trabalhem com os EUA no reforço do combate aos militantes terroristas da Al Qaeda e do Taleban no Afeganistão, um dos locais que visitou durante sua viagem internacional.

No Afeganistão, Obama reiterou sua proposta de enviar ao menos mais duas tropas de combate ao país. A chanceler alemã, conservadora Angela Merkel, deixou claro contudo que o país manterá sua oposição ao envio de tropas de combate ao país.

"Eu reconheço a dificuldade de combater [as forças terroristas] no Afeganistão. Mas a América não pode fazer isso sozinha. Os afegãos precisam de nós para combater o Taleban e a Al Qaeda e por eles precisamos renovar nossos esforços para derrotar o terrorismo", disse Obama, que afirmou estar discursando com cidadão dos EUA e do mundo e não como provável candidato presidencial.

"O muro de Berlim trouxe novas esperanças, mas mostrou que os perigos não estão mais dentro das fronteiras dos países", citou Obama, reiterando seu pedido por um esforço global no combate aos riscos do armamento nuclear e do terrorismo.

Relações

Michael Dalder/Reuters
U.S. Democratic presidential candidate Senator Barack Obama delivers his speech at the Victory Column (Siegessaeule) in Berlin July 24, 2008. REUTERS/Michael Dalder (GERMANY) US PRESIDENTIAL ELECTION CAMPAIGN 2008
Barack Obama discursa em Berlim e pede por aliança entre EUA e UE para combater terror

Embora não tenha citado diretamente o atual presidente George W. Bush, Obama aproveitou o discurso para reiterar que pretende estreitar as estremecidas relações diplomáticas entre EUA e Europa, caso seja eleito presidente.

"Na Europa, a visão de que a América é parte do problema e não um parceiro se tornou muito comum. Ainda haverá diferenças entre os países e a mudança em Washington não tornará o fardo mais leve, mas a cooperação entre os países é o único caminho", ressaltou.

As relações entre Alemanha e EUa ficaram estremecidas com a oposição alemã à invasão americana no Iraque. O presidente Bush é impopular no país e Barack Obama é visto como uma esperança de novos rumos para as relações do país.

Por isso, os alemães estão seguindo de perto a campanha presidencial americana e, segunda uma pesquisa recente, 76% deles votariam em Obama contra apenas 10% que indicaram preferência ao seu rival republicano, John McCain.

"Neste século precisamos de uma UE forte", disse Obama aos berlinenses. "Precisamos combater o terrorismo que ameaça todo o continente. Precisamos enviar uma mensagem direta ao Irã sobre suas ambições nucleares, precisamos apoiar os palestinos que querem alcançar a paz e precisamos trabalhar pelos milhares de iraquianos que querem um país livre e o fim da guerra", disse Obama, ovacionado pela platéia.

Lema

Obama aproveitou a oportunidade para discursar sobre a história do muro de Berlim e de sua própria história, citando constantemente os dois mais importantes lemas de sua campanha, a esperança e a mudança.

"Eu sei que não pareço com os americanos que já falaram aqui. A história que me trouxe aqui é improvável", disse Obama, contando aos alemães sua história de filho de um queniano e uma americana do Kansas.

Retomando a história de Berlim, Obama lembrou as dificuldades vividas pelos alemães nos tempos em que o muro dividia a cidade entre um lado capitalista e um lado comunista. "Mas as pessoas mantiveram a chama da esperança acesa, elas não desistiram. Esta cidade, acima de todas as outras, conhece o sonho da liberdade".

"Não há desafio muito grande para um mundo que se mantém como um", completou, levando a platéia a gritar "Yes, we can" (Sim, nós podemos), um dos principais slogans da campanha democrata.

Reiterando seu pedido por uma aliança maior entre os EUA e a Europa, Obama lembrou que foi somente quando a Alemanha juntou forças com os americanos que o muro foi derrubado e Berlim unificou-se.

"Uma parceria verdadeira e o progresso verdadeiro dependem do trabalho constante, de dividir promessas, de uma aliança de paz, de aprender, ouvir e confiar um no outro", disse Obama. "A escala do nosso desafio é grande e o caminho é longo. Vamos responder ao nosso desatino e agir para um mundo melhor", conclui o democrata.

Chegada

Obama chegou nesta quinta-feira em Berlim, sua primeira parada na Europa. Ele foi direto do aeroporto à chancelaria, onde reuniu-se, a portas fechadas, com Angela Merkel.

Jens Wolf/Efe
Texto: BER14 BERL N (ALEMANIA) 24.07.08 La canciller alemana, Angela Merkel (dcha), y el candidato demúcrata a la presidencia de Estados Unidos, Barack Obama, saludan desde el balcún de la Cancilleróa de erlón (Alemania), el 24 de julio de 2008. Esta tarde, Obama ofrecerÆ un discurso frente a la Columna de la Victoria de la capital alemana sobre su idea de cooperaciún transatlÆntica. EFE/Jens Wolf
Obama posa para fotos ao lado da chanceler alemã Angela Merkel

Um porta-voz da chanceler disse que os dois tiveram uma conversa "muito aberta" sobre uma grande variedade de assuntos.

Segundo comunicado de Ulrich Wilhelm, os dois discutiram temas importantes de política externa, como a situação do programa nuclear do Irã, o Afeganistão, Paquistão e o processo de paz no Oriente Médio.

As conversas entre Obama e Merkel, realizadas a portas fechadas na chancelaria, incluíram também uma parceria econômica e a "necessidade de cooperação no nível internacional e entre organizações internacionais para resolver importantes questões globais".

O porta-voz disse ainda que ambos os políticos ressaltaram "o grande significado de relações próximas amigáveis entre os alemães e americanos".

Obama deve viajar ainda à França e Inglaterra antes de encerrar sua primeira viagem internacional como provável candidato às eleições gerais americanas.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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