China utiliza Olimpíada como pretexto para a repressão, diz Anistia
da France Presse, em Hong Kong
A menos de duas semanas da abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, a China utiliza o evento para reforçar sua repressão contra os defensores dos direitos humanos e expulsar os "indesejáveis" de Pequim, disse nesta segunda-feira a Anistia Internacional (AI).
"As autoridades utilizaram os Jogos Olímpicos como pretexto para intensificar as medidas e as práticas existentes que levaram a violações freqüentes dos direitos humanos", disse a organização em um relatório apresentado em Hong Kong.
"A repressão contra os defensores dos direitos humanos, os jornalistas e os advogados se intensificou devido à organização da Olimpíada em Pequim", afirmou a organização de defesa dos direitos humanos, com sede em Londres.
"A menos que haja uma mudança radical das autoridades, o legado das Olimpíadas não será positivo para os direitos humanos na China", completou.
A organização conclamou o Comitê Internacional Olímpico (CIO) e os dirigentes políticos a serem mais exigentes com Pequim, advertindo para medidas ainda mais repressivas depois dos Jogos Olímpicos.
Anistia enumerou cinco medidas para melhorar a situação dos direitos humanos no país, já apresentadas em uma carta aberta enviada ao presidente chinês, Hu Jintao.
A organização pediu a China que "liberte todos os prisioneiros políticos, impeça a polícia de promover detenções arbitrárias, publique a totalidade das estatísticas sobre a pena de morte e instaure uma moratória das execuções", além da liberdade total para a imprensa em Pequim.
Durante a preparação para a Olimpíada, as autoridades intensificaram o uso da detenção administrativa, principalmente contra os militantes dos direitos humanos e os mendigos, disse a Assessoria.
Em janeiro, Pequim lançou uma campanha contra "as atividades ilegais que abalam a imagem da cidade e perturbam a ordem social". Em maio, as autoridades aprovaram uma lei de "reeducação pelo trabalho".
Em junho, as autoridades de Xangai ordenaram aos militantes e às pessoas que assinam petições que se deslocassem a delegacias de polícia a cada semana. Eles também foram proibidos de deixar a cidade sem autorização ou de viajar a Pequim durante os Jogos.
A perseguição contra os jornalistas também aumentou, segundo a Anistia, que citou estatísticas do Clube da imprensa estrangeira da China segundo as quais 230 repórteres e fotógrafos foram impedidos de trabalhar pelas autoridades este ano. Em 2007, este número chegou a 108.
Para a organização de defesa dos direitos humanos, "o perigo é que, depois das Olimpíadas, quando a comunidade internacional já não terá mais os olhos voltados para a China, as violações continuem ou até se intensifiquem".
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