Mundo
28/07/2008 - 20h46

EUA dizem ter controle do Iraque; explosões matam ao menos 50

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colaboração para a Folha Online

O general David Petraeus, comandante das tropas norte-americanas no Iraque, afirmou em entrevista para a agência Reuters que "as forças dos EUA e do Iraque controlam virtualmente todo o país e e as tropas de Bagdá devem ser capazes de arcar com toda a responsabilidade de segurança do país no fim de 2009".

"Isso é, com certeza, uma grande mudança se comparado com apenas um ano atrás", afirmou o general, acrescentando que o Iraque estava nas mãos da rede terrorista Al Qaeda em 2006.

Susan Walsh-11.set.2007/AP
General David Petraeus, comandante dos EUA no Iraque, discursa no Capitólio; hoje, ele disse possuir o controle de quase todo o país
General David Petraeus, comandante dos EUA no Iraque, discursa no Capitólio; hoje, ele disse possuir o controle de quase todo o país

Nesta segunda-feira, quatro atentados a bomba mataram ao menos 50 pessoas e feriram mais de 240, informou a polícia local. A agência Associated Press aumentou o número de mortos para 57. De qualquer maneira, hoje foi o dia mais sangrento no Iraque desde 17 de junho, quando um caminhão-bomba matou 63 pessoas no bairro de Hurriyah, também em Bagdá.

A entrevista de Petraeus foi realizada antes que ele soubesse dos ataques.

O general afirmou que o progresso no Iraque no ano passado foi "muito dramático" e que alguns suicidas ainda conseguirão passar pelas redes de segurança.

Em setembro, Petraeus irá entregar pareceres a Washington para comunicar sobre a possibilidade de mais soldados deixarem o Iraque. Neste mês de julho, outras cinco brigadas foram enviadas ao país para ajudá-lo a se recuperar dos conflitos internos.

O general também afirmou que os últimos soldados que voltaram aos EUA não ocasionaram "nenhum impacto na segurança", o que sugere a possibilidade da volta de mais tropas. Atualmente a força norte-americana no Iraque conta com cerca de 147 mil soldados.

"Nós precisamos de mais algumas semanas para ver se a situação segue o caminho da redução do time de brigada", acrescentou.

Petraeus ressaltou que ainda há áreas do norte do Iraque onde a Al Qaeda possui santuários --como são chamados os centros de treinamento da rede terrorista.

"Não são áreas que eles necessariamente controlam, mas há áreas nas quais eles possuem alguma liberdade de movimentação", disse.

Segurança

O general americano afirmou que a segurança obtida no Iraque possibilitou uma redução no número de rebeldes estrangeiros que entravam no país. No ano passado, eram registrados cerca de cem rebeldes por mês, número que caiu para 20.

Petraeus assumiu o controle das tropas norte-americanas no Iraque em fevereiro de 2007, quando a violência interna atingia seu pior momento.

A violência decresceu bastante desde então e, segundo o general, as forças iraquianas passaram a liderar mais operações e o primeiro-ministro Nuri al Maliki tem aumentado sua capacidade de governabilidade no país, mais de cinco anos após a invasão dos EUA que derrubou o regime de Saddam Hussein.

O Iraque acredita que conseguirá o controle de todo o seu território até o fim deste ano, segundo declarações do assessor de segurança de Maliki.

Dez das 18 Províncias iraquianas estão sob controle da coalizão entre Exército local e tropas dos EUA e Petraeus afirmou que mais duas localidades serão conquistadas em 2008.

Questionado se todas as Províncias estarão sob o controle da coalizão até o fim de 2009 --época prevista pelo general para a retirada das tropas norte-americanas-- ele respondeu: "Isso está certamente na esfera do possível. Nos somos cautelosos, mas se as condições permitirem, nós obviamente apoiaremos isso".

Ataques

A violência desta segunda-feira começou em Bagdá, quando três mulheres-bomba explodiram no meio de uma multidão de peregrinos xiitas. Nenhum grupo assumiu a responsabilidade pelas explosões, mas o Exército norte-americano culpou a Al Qaeda.

Os ataques foram realizados quando dezenas de milhares de peregrinos se dirigiam em direção ao santuário de Kadhamiya, a noroeste da cidade. A maioria dos mortos eram mulheres e crianças, disseram a polícia e fontes da área da saúde.

Em um ataque separado, ao menos 22 pessoas morreram e outras 150 ficaram feridas em um protesto curdo na cidade de Kirkuk, informaram autoridades iraquianas, segundo a Reuters. Já a Associated Press afirma que 25 pessoas morreram e 185 ficaram feridas.

O major-general Jamal Tahir, porta-voz da polícia de Kirkuk, afirmou que o ataque também foi realizado por uma mulher-bomba. O Exército dos EUA confirmou que a explosão foi realizada por um suicida, mas não precisou se era uma mulher.

Com Associated Press e Reuters

 

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