Policial que matou brasileiro nos EUA é afastado
da Folha Online
O policial Christopher Van Ness, 34, foi afastado da corporação nesta segunda-feira (28) após atirar e matar o brasileiro André Martins, 25, em uma avenida da cidade de Yarmouth, no Estado de Massachusetts (EUA). A informação é do promotor do distrito Michael O'Keefe.
Martins --que estava nos EUA desde 2001, trabalhava como pintor e tinha permanência ilegal no país-- teria furado uma blitz policial na madrugada do domingo (27), de acordo com a versão da polícia. Após uma perseguição, o carro do brasileiro colidiu com um veículo da polícia e, neste momento, o policial teria atirado.
O site do jornal "Boston Herald" cita que Van Ness trabalhava na polícia havia mais de três anos e era conhecido na região por ter salvado uma mulher durante um incêndio na casa dela, em abril.
| Arquivo Pessoal |
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| André Martins (em foto cedida pela família) foi morto em blitz policial nos Estados Unidos |
Segundo o promotor, Van Ness foi levado para o hospital Cape Cod --o mesmo para onde seguiu o brasileiro-- onde foi internado em estado de choque. O policial recebeu alta ontem. "Ele também foi claramente afetado por esta tragédia", disse O'Keefe.
A mulher de Martins, a brasileira Camila Miranda Campos, afirmou à Folha Online que o marido não teve chance de se defender ou de se explicar após o incidente.
Segundo ela, que estava no banco de passageiro do veículo dirigido pelo noivo, os dois voltavam de um restaurante à 1h (0h de Brasília), quando um carro policial se aproximou e deu sinal de luz. "O policial conversou por rádio com um segundo carro de polícia, que fechou a rua. Como viu que não ia conseguir parar a tempo, André virou o carro", disse ela, negando que Martins tenha fugido da polícia.
"O policial que bloqueou a rua desceu do veículo, apareceu na janela aberta e começou a atirar. Foram três tiros contra ele", relatou Camila, que está há 18 anos legalmente nos EUA.
Comunicado
De acordo com o comunicado da polícia de Yarmouth, um carro de patrulha dirigido pelo policial Christopher Van Ness, 34, observava o carro de Martins e, quando o brasileiro acelerou seu veículo, acionou luzes azuis do carro policial "em uma tentativa de sinalizar para que ele parasse".
Segundo o texto, o carro do brasileiro deixou marcas no asfalto, evidenciando a tentativa de fazer um retorno na rua.
De acordo com a polícia, "alguns tiros" foram disparados pelo policial Van Ness, o carro diminuiu e parou próximo ao local.
Ainda segundo o comunicado da polícia, uma autópsia foi conduzida na manhã desta segunda-feira e os resultados preliminares indicam que Martins morreu de um único tiro que perfurou seu corpo, atingindo o coração e os pulmões.
O comunicado informa ainda que Camila já deu depoimento à polícia e que "tem colaborado". O caso, continua o texto, está sob investigação dos detetives do Estado de Massachusetts, com a ajuda de um time de reconstrução de acidentes e especialistas em balística.
Indignação
O pai de André, Luiz Carlos de Castro Martins, policial da reserva de Tapejara, no Paraná, disse que o filho era um trabalhador, e que pode ter ficado com medo de parar porque estava irregular no país.
Ele criticou, contudo, a ação agressiva do policial. "Sou policial de reserva, o policial tem que estar preparado. Tem como anotar a placa [do carro], agir depois é o mais certo. Não precisa correr nem metralhar ninguém. Ou atira no pneu, o carro você recupera, a vida não", lamenta.
Luiz Carlos disse que o filho nunca teve problemas com a polícia, e que sua morte é uma "lição" para os policiais. "Eles têm que pensar antes de agir, ter mais cautela. Sei que a situação é difícil, mas não se pode simplesmente atirar em alguém. [...] Meu filho trabalhava honestamente nos EUA, mas os imigrantes são esquecidos naquele país".
"Estamos indignados. Ele era um trabalhador Tapejara inteira está chocada com o que aconteceu", disse Elisângela Cardoso Teodoro, tia de André, por telefone à Folha Online.
A família do brasileiro quer trazer o corpo do brasileiro para ser enterrado em Tapejara.
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