Mundo
29/07/2008 - 01h57

Policial que matou brasileiro nos EUA é afastado

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da Folha Online

O policial Christopher Van Ness, 34, foi afastado da corporação nesta segunda-feira (28) após atirar e matar o brasileiro André Martins, 25, em uma avenida da cidade de Yarmouth, no Estado de Massachusetts (EUA). A informação é do promotor do distrito Michael O'Keefe.

Martins --que estava nos EUA desde 2001, trabalhava como pintor e tinha permanência ilegal no país-- teria furado uma blitz policial na madrugada do domingo (27), de acordo com a versão da polícia. Após uma perseguição, o carro do brasileiro colidiu com um veículo da polícia e, neste momento, o policial teria atirado.

O site do jornal "Boston Herald" cita que Van Ness trabalhava na polícia havia mais de três anos e era conhecido na região por ter salvado uma mulher durante um incêndio na casa dela, em abril.

Arquivo Pessoal
André Martins
André Martins (em foto cedida pela família) foi morto em blitz policial nos Estados Unidos

Segundo o promotor, Van Ness foi levado para o hospital Cape Cod --o mesmo para onde seguiu o brasileiro-- onde foi internado em estado de choque. O policial recebeu alta ontem. "Ele também foi claramente afetado por esta tragédia", disse O'Keefe.

A mulher de Martins, a brasileira Camila Miranda Campos, afirmou à Folha Online que o marido não teve chance de se defender ou de se explicar após o incidente.

Segundo ela, que estava no banco de passageiro do veículo dirigido pelo noivo, os dois voltavam de um restaurante à 1h (0h de Brasília), quando um carro policial se aproximou e deu sinal de luz. "O policial conversou por rádio com um segundo carro de polícia, que fechou a rua. Como viu que não ia conseguir parar a tempo, André virou o carro", disse ela, negando que Martins tenha fugido da polícia.

"O policial que bloqueou a rua desceu do veículo, apareceu na janela aberta e começou a atirar. Foram três tiros contra ele", relatou Camila, que está há 18 anos legalmente nos EUA.

Comunicado

De acordo com o comunicado da polícia de Yarmouth, um carro de patrulha dirigido pelo policial Christopher Van Ness, 34, observava o carro de Martins e, quando o brasileiro acelerou seu veículo, acionou luzes azuis do carro policial "em uma tentativa de sinalizar para que ele parasse".

Segundo o texto, o carro do brasileiro deixou marcas no asfalto, evidenciando a tentativa de fazer um retorno na rua.

De acordo com a polícia, "alguns tiros" foram disparados pelo policial Van Ness, o carro diminuiu e parou próximo ao local.

Ainda segundo o comunicado da polícia, uma autópsia foi conduzida na manhã desta segunda-feira e os resultados preliminares indicam que Martins morreu de um único tiro que perfurou seu corpo, atingindo o coração e os pulmões.

O comunicado informa ainda que Camila já deu depoimento à polícia e que "tem colaborado". O caso, continua o texto, está sob investigação dos detetives do Estado de Massachusetts, com a ajuda de um time de reconstrução de acidentes e especialistas em balística.

Indignação

O pai de André, Luiz Carlos de Castro Martins, policial da reserva de Tapejara, no Paraná, disse que o filho era um trabalhador, e que pode ter ficado com medo de parar porque estava irregular no país.

Ele criticou, contudo, a ação agressiva do policial. "Sou policial de reserva, o policial tem que estar preparado. Tem como anotar a placa [do carro], agir depois é o mais certo. Não precisa correr nem metralhar ninguém. Ou atira no pneu, o carro você recupera, a vida não", lamenta.

Luiz Carlos disse que o filho nunca teve problemas com a polícia, e que sua morte é uma "lição" para os policiais. "Eles têm que pensar antes de agir, ter mais cautela. Sei que a situação é difícil, mas não se pode simplesmente atirar em alguém. [...] Meu filho trabalhava honestamente nos EUA, mas os imigrantes são esquecidos naquele país".

"Estamos indignados. Ele era um trabalhador Tapejara inteira está chocada com o que aconteceu", disse Elisângela Cardoso Teodoro, tia de André, por telefone à Folha Online.

A família do brasileiro quer trazer o corpo do brasileiro para ser enterrado em Tapejara.

 

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