Polícia se mobiliza para conter protesto contra extradição de Karadzic
da Efe, em Belgrado
da Folha Online
A polícia sérvia mobilizou grandes medidas de segurança para evitar incidentes durante o protesto convocado para esta terça-feira pelos setores nacionalistas contra a detenção e a extradição do ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic, preso na semana passada, acusado de genocídio e crimes de guerra.
"O objetivo é proteger os bens estatais, os cidadãos, e garantir a segurança dos participantes da reunião e dos representantes dos meios de comunicação", disse o chefe de polícia de Belgrado, Slobodan Vukolic.
Vukolic disse à emissora de rádio B92 que "a polícia protegerá todas as instalações de importância da cidade e os lugares nos quais possam ocorrer alterações da ordem e da paz pública".
| Reuters |
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| Ex-líder sérvio-bósnio aparece em um vídeo participando de uma palestra |
Esta manifestação pode ser a maior na capital sérvia desde fevereiro, quando centenas de milhares de pessoas protestaram contra a proclamação da independência do Kosovo, em um dia no qual grupos violentos atacaram a embaixada dos EUA e de outros países ocidentais, causando distúrbios e atos de vandalismo.
O Ministério do Interior anunciou que gravará e fotografará a marcha, para ter material que possa identificar possíveis arruaceiros. O protesto, que começa às 19h (14h de Brasília), foi convocado pelo ultranacionalista e opositor Partido Radical Sérvio (SRS).
Karadzic foi detido no último dia 21 em Belgrado pelos serviços secretos sérvios depois de ter permanecido foragido por quase 13 anos, desde que em 1995 foi acusado de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Durante esse período conseguiu escapar das autoridades utilizando uma identidade falsa.
Perfil
Karadzic, um dos maiores fugitivos acusado de crimes de guerra, foi acusado de arquitetar os assassinatos em massa que o tribunal da ONU (Organização das Nações Unidas) para crimes de guerra descreve como "cenas do inferno, escritas nas páginas mais negras da história humana".
Acusado de organizar o massacre de 8.000 muçulmanos em Srebrenica, em 1995, entre outras atrocidades da Guerra da Bósnia (1992-1995), Karadzic liderou a lista dos mais procurados por mais de dez anos, recorrendo a disfarces elaborados para fugir das autoridades.
Ele foi o líder político dos bósnios-sérvios durante a guerra entre 1992 e 1995 que sucedeu a secessão da Bósnia-Herzegovina da Iugoslávia --quando houve o massacre de Srebrenica e do cerco a Sarajevo.
Formado psiquiatra, Karadzic, 63, se declarou presidente de uma república sérvio-bósnia quando a Bósnia-Herzegovina se separou da Iugoslávia, e foi visto em público pela última vez em 1996.
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