Defesa de Karadzic denuncia confisco ilegal de pertences do ex-líder
da Efe, em Belgrado
da Folha Online
Goran Petronijevic, membro da futura equipe de assessores jurídicos do ex-líder sérvio-bósnio acusado de crimes de guerra Radovan Karadzic, disse nesta terça-feira que, durante a detenção de seu cliente, foram confiscados 'ilegalmente' alguns pertences importantes para a defesa dele diante da Justiça internacional.
"Entre essas coisas, está um computador portátil e mais de cinqüenta disquetes de material para sua defesa", disse hoje o advogado à imprensa em Belgrado.
"Exigirei à Procuradoria e ao juiz de instrução que sejam encontradas essas coisas", disse o advogado, que hoje visitou Karadzic na prisão onde permanece detido à espera de ser transferido ao Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII), em Haia, onde será julgado.
"Se não forem devolvidas, um dia deverão ser o objeto de um procedimento penal", advertiu Petronijevic.
Karadzic, ex-presidente servio-bósnio, foi detido pelos serviços de segurança sérvios na semana passada perto de Belgrado, onde vivia e trabalhava sob uma identidade falsa.
Outro advogado de Karadzic, Svetozar Vujacic, disse que seu cliente não se pronunciará sobre a acusação durante o primeiro comparecimento ao TPII, e pedirá um prazo adicional de 30 dias para preparar a defesa.
Karadzic, um dos maiores fugitivos acusado de crimes de guerra, foi acusado de arquitetar os assassinatos em massa que o tribunal da ONU (Organização das Nações Unidas) para crimes de guerra descreve como "cenas do inferno, escritas nas páginas mais negras da história humana".
Acusado de organizar o massacre de 8.000 muçulmanos em Srebrenica, em 1995, entre outras atrocidades da Guerra da Bósnia (1992-1995), Karadzic liderou a lista dos mais procurados por mais de dez anos, recorrendo a disfarces elaborados para fugir das autoridades.
Ele foi o líder político dos bósnios-sérvios durante a guerra entre 1992 e 1995 que sucedeu a secessão da Bósnia-Herzegovina da Iugoslávia --quando houve o massacre de Srebrenica e do cerco a Sarajevo.
Formado psiquiatra, Karadzic, 63, se declarou presidente de uma república sérvio-bósnia quando a Bósnia-Herzegovina se separou da Iugoslávia, e foi visto em público pela última vez em 1996.
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