Mundo
30/07/2008 - 15h23

Pai de brasileiro morto viaja aos EUA para conversar com promotor

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MÁRCIA SOMAN MORAES
colaboração para a Folha Online

Luiz Carlos de Castro Martins, pai do brasileiro morto em uma blitz policial em West Yarmouth (Massachusetts), viajará nesta quinta-feira aos Estados Unidos, onde conversará com o promotor de Justiça e os policiais encarregados da investigação do caso.

Martins disse à Folha Online que foi convidado pelo promotor para uma conversa na qual policiais explicarão a versão para o episódio que levou à morte do pintor André Martins, 25, no domingo (27).

Segundo comunicado da polícia, Martins foi morto a tiros por um policial quando tentava fugir de um bloqueio. Aparentemente, ele estaria fumando um cigarro de maconha naquele momento.

Arquivo Pessoal
O brasileiro André Martins, morto a tiros pela polícia do Estado de Massachussetts
O brasileiro André Martins, morto a tiros por policial no Estado de Massachussetts (EUA); polícia o acusa de estar fumando maconha

A mulher de Martins, Camila Campos Miranda, admitiu que havia maconha no carro, mas disse que Martins não fumava naquele momento. "Tinha maconha, mas isso não justifica atirar nele". Ela disse também que André não tentou fugir do bloqueio e apenas desviou para que seu carro não batesse no veículo policial que fechava a rua.

Para Martins, a polícia tenta justificar a morte de seu filho com o fato de que havia maconha no carro. "Nada justifica falar de alguém que partiu para a eternidade. Tudo que tentarem falar agora visa dar razão à atitude isolada de um policial", disse ele.

Martins, policial da reserva de Tapejara, no Paraná, reiterou que a atitude do policial "foi errada" e que havia "outras maneiras de parar o carro, como atirar nos pneus". "Não sei se o poder subiu à cabeça [do policial] no momento, se foi muita raiva, mas foi o momento custou caro", afirmou.

"Eu tenho certeza de que ele não jogou o carro em cima do policial. A marca dos pneus na rua prova que ele tentou apenas desviar. Ele não furou o bloqueio", disse o pai de André, que estava ilegalmente nos EUA desde 2001.

Martins irá aos EUA também para conversar com Camila e com seus dois netos, de 2 e 6 anos, que, segundo ele, ainda não sabem da morte do pai. "Ela [Camila] diz que minha neta está muito desconfiada, que ela diz "mãe, tem muita gente aqui em casa". Coitada, será uma luta para ela", disse, acrescentando que a menina era muito apegada ao pai.

Embora queira trazer o corpo do filho para ser enterrado no Brasil, Luiz Carlos disse não saber o que será feito, já que ainda não discutiu o assunto com Camila. "Ainda não sei o que faremos. Por enquanto, estou apenas tomando as providências necessárias", disse, acrescentando que ainda não há um prazo para a liberação do corpo de André.

Camila, disse ainda Martins, não deve voltar ao Brasil. "Ela está lá desde os cinco anos, ela já é uma americana", disse.

Contudo, ele preferiu não opinar sobre o processo judicial que a nora planeja abrir contra o Estado de Massachussets. "Acho que é o momento em que ela passa, uma forma de lidar com o sofrimento. Deixe as coisas acontecerem. A vida do meu filho não dá para recuperar".

A mulher do brasileiro, que trabalha em um consultório médico, foi na manhã de hoje a Boston, onde se reuniu com seu advogado para discutir as possibilidades de protesto. Ela não divulgou mais detalhes sobre o processo.

Versões

De acordo com o comunicado da polícia de Yarmouth, um carro de patrulha dirigido pelo policial Christopher Van Ness, 34, observava o carro de Martins e, quando o brasileiro acelerou seu veículo, acionou luzes azuis do carro policial "em uma tentativa de sinalizar para que ele parasse".

O automóvel do brasileiro, segundo o comunicado, virou na avenida Baxter, onde outros carros policiais realizavam uma blitz. "O veículo em questão [de Martins] virou à esquerda no jardim de uma casa localizada no número 41 da Baxter com o policial seguindo o carro", diz o texto.

Segundo o texto, o carro de Martins deixou marcas no asfalto, evidenciando a tentativa de fazer um retorno na rua. Tiros foram disparados pelo policial Van Ness, o carro diminuiu e parou no local. Ainda segundo o comunicado da polícia, os resultados preliminares da autópsia indicam que Martins morreu de um único tiro que perfurou seu corpo, atingindo o coração e os pulmões.

Uma porta-voz do Departamento de Polícia de Cape Cod disse, nesta quarta-feira, que "não há informações novas" na investigação do caso.

Camila apresenta uma versão diferente para o ocorrido. "O policial conversou por rádio com um segundo carro de polícia, que fechou a rua. Como viu que não ia conseguir parar a tempo, André virou o carro. O policial que bloqueou a rua desceu do veículo, apareceu na janela aberta e começou a atirar. Foram três tiros contra ele", relatou.

Para ela, o marido não teve chance de se defender ou de se explicar antes de ser morto a tiros. "Eles não pediram para pararmos nem para descermos do carro. Ele [o policial] só não acertou em mim porque eu abaixei no banco", disse ela sobre a morte de André.

Comentários dos leitores
Maria Lucia Maximiano (1) 29/07/2008 13h55
Maria Lucia Maximiano (1) 29/07/2008 13h55
CAMPINAS / SP
Por que tantos jovens e não jovens saem do país em busca de oportunidades?
O emprego formal cresce no país segundo as pesquisas eu fico muito triste quando vejo a falta de perspectiva, motivação e uma atividade remunerada ao povo brasileiro, quando isso irá acabar? e por que vão para os EUA de forma ilegal? Será que o patriotismo acabou ou não estamos ensinado nossos jovens a lutar por país melhor.
8 opiniões
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MARCOS MARTINS (8) 29/07/2008 12h07
MARCOS MARTINS (8) 29/07/2008 12h07
Já morei nos Estados Unidos, por algum tempo, portanto sei bem o que estou falando, bom... a policia quando começou a perseguiçao do carro do brasileiro, certamente eles através do sistema de computaçao que todo carro de policia americana tem, eles tiveram acesso a todos os dados do dono do carro, e como viram que si tratava de imigrante e brasileiro, não tiveram duvidas, atirou pra matar, pois si fosse um americano que tivesse dirigindo esse carro, certamente eles iriam saber, e a atitude tomada pelo policial seria outra., portanto eu acho que esse caso é mais uma discriminaçao quanto a imigrante. 16 opiniões
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Leonardo S. (101) 29/07/2008 10h39
Leonardo S. (101) 29/07/2008 10h39
Como diria o mestre Dalborga: Quando a cabeça na pensa o corpo padece. 2 opiniões
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