Premiê Vladimir Putin quer restaurar influência russa em Cuba
da Folha Online
O premiê russo, Vladimir Putin, quer que a Rússia restabeleça sua posição de influência em Cuba, aliada durante a Guerra Fria, segundo informações da imprensa russa desta segunda-feira.
A declaração surge em meio a persistentes especulações de que Moscou quer uma presença militar no país caribenho, a 150 km dos EUA, em resposta aos planos americanos de instalar componentes de um escudo antimísseis na Polônia e na República Tcheca.
"Nós devemos restaurar nossa posição em Cuba e em outros países", disse Putin, citado pela agência de notícias russa Interfax. Putin foi presidente da Rússia entre 2000 e 2008, sendo sucedido por seu próprio candidato, Dmitri Medvedev.
Putin falou nesta segunda ao ouvir um relatório sobre a viagem recente de uma delegação russa a Cuba. O vice-premiê Igor Sechin, entre outros, se reuniu com a liderança cubana e discutiu uma série de projetos de cooperação.
"Nós concordamos na prioridade da direção da cooperação --energia, mineração, agricultura, transporte, saúde e comunicações", declarou Sechin, segundo a agência RIA-Novosti.
Nova crise
Assuntos militares não foram mencionados nos relatórios. Mas a RIA-Novosti citou um influente analista militar e ex-autoridade de Defesa que afirmou que a Rússia pode realizar um retorno militar a Cuba.
"Não é segredo que o Ocidente está criando uma 'zona tampão' em volta da Rússia, envolvendo países na Europa central, no Cáucaso, os países dos Balcãs e a Ucrânia", afirmou Leonid Ivashov, chefe da Academia de Problemas Geopolíticos. "Em reposta, podemos aumentar nossa presença no exterior, inclusive em Cuba."
A Rússia se opõe aos planos americanos de instalar componentes do sistema antimísseis, afirmando que eles visam diminuir o potencial dos mísseis russos. Moscou já ameaçou dar uma resposta "técnico-militar", sem entrar em detalhes, se Washington levar seus planos adiante.
No mês passado, o Ministério da Defesa negou uma matéria de um dos principais jornais russos, segundo a qual o país estaria considerando colocar bombardeiros com capacidade nuclear em Cuba --medida que lembraria a Crise dos Mísseis, de 1962.
Mísseis nucleares soviéticos posicionados em Cuba no auge da Guerra Fria deixaram o mundo na iminência de um conflito nuclear, em 22 de outubro de 1962, após o então presidente dos EUA John F. Kennedy anunciar o fato à comunidade internacional.
Após uma semana de tensas negociações, o líder soviético Nikita Khrushchev retirou os mísseis da ilha.
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