Jornalista acusa CIA de forjar documento para ligar Saddam à Al Qaeda
da Efe
A Casa Branca mandou a CIA (agência de inteligência americana) falsificar um documento sobre a suposta relação do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein com a rede terrorista Al Qaeda, de Osama bin Laden, denuncia um livro do jornalista americano Ron Suskind lançado nesta terça-feira.
O site "Politico.com" informou que, segundo Suskind, a falsificação tinha o objetivo de ligar o regime de Saddam à Al Qaeda, para justificar a invasão dos Estados Unidos ao país árabe, em março de 2003.
Suskind, ganhador de um prêmio Pulitzer quando era repórter do jornal "Wall Street Journal" em 1995, promoverá entre hoje e amanhã seu livro de 415 páginas em várias entrevistas com a rede de televisão "NBC". A Casa Branca negou categoricamente as acusações do livro de Suskind, intitulado "The Way of the World".
Suskind acrescenta que o governo do presidente George W. Bush obteve informação do serviços de inteligência iraquiano "de que não havia armas de destruição em massa no Iraque a tempo suficiente para suspender a invasão".
A existência da carta já tinha sido divulgada pelo jornal britânico "The Sunday Telegraph" em 14 de dezembro de 2003 e ganhou ampla cobertura da mídia americana. Agora, Suskind destaca que a carta foi falsificada por instruções da Casa Branca.
Segundo Suskind, o governo Bush tinha entrado em contato com o diretor dos serviços de inteligência do Iraque, Tahir Jalil Habbush al Tikriti, nos últimos anos do regime de Saddam. Antes da invasão, Habbush al Tikriti tinha informado à Casa Branca que não existiam armas de destruição em massa, mas as autoridades dos EUA omitiram o fato e enviaram o funcionário iraquiano em segredo para a Jordânia, diz o livro.
"Pagaram a ele US$ 5 milhões --poderíamos dizer para comprar o seu silêncio--, e depois usaram seu status de cativo para ajudar a enganar o mundo sobre uma das verdades mais assustadoras da época: os EUA foram à guerra de forma fraudulenta", relata.
O Departamento de Estado americano, segundo Suskind, mantém Habbush al Tikriti na lista dos mais procurados e oferece uma recompensa de até US$ 1 milhão por sua captura.
Aparentemente, a Casa Branca havia "inventado" uma carta de Habbush al Tikriti a Saddam, com data de 1º de julho de 2001, afirmando que o estrategista dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, Mohammad Atta, tinha sido treinado no Iraque. Sua suposta presença no Iraque demonstraria "que havia um vínculo operacional entre Saddam e a Al Qaeda".
A Casa Branca negou as acusações de Suskind, que inclusive detalha que a ordem de inventar a carta foi escrita em papel timbrado "de cor creme" da Casa Branca.
Tony Fratto, um porta-voz da Casa Branca, declarou ao "Politico.com' que "a acusação de que a Casa Branca instruiu alguém para falsificar um documento de Habbush al-Tikriti a Saddam é simplesmente absurda". "Ron Suskind ganha a vida fazendo jornalismo sensacionalista. Quer vender livros com acusações exageradas que ninguém pode checar, incluindo as várias comissões bipartidárias que informaram sobre os dados de inteligência prévios à guerra", disse Fratto.
Antes deste último livro, Suskind já tinha ganhado fama com outros dois livros, lançados em 2004 e 2006, que também criticavam duramente a gestão Bush, e ficaram por meses na lista dos mais vendidos do jornal "The New York Times". A condução da Guerra do Iraque é um dos principais temas da disputa presidencial nos EUA.
O candidato democrata à Presidência dos EUA, Barack Obama, afirmou que a invasão foi um erro estratégico e defende que o Afeganistão deve ser a "frente central" da luta global contra o terrorismo.
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