Colômbia acusa de traição militares que divulgaram vídeo de resgate
da Folha Online
da Efe, em San José do Guaviare (Colômbia)
O governo da Colômbia acusou nesta terça-feira de "traição à pátria" os militares que divulgaram um vídeo da operação na qual foram resgatados, no último dia 2 de julho, 15 reféns das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), entre eles a franco-colombiana Ingrid Betancourt e três americanos.
| Efe |
![]() |
| TV exibe vídeo inédito de resgate de Ingrid Betancourt de acampamento das Farc; clique para ver mais imagens |
O ministro de Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, disse aos jornalistas que os responsáveis por vazar o material, divulgado ontem por um canal privado de televisão, já foram identificados e serão punidos por colocar em risco a vida dos militares que participaram da operação.
Santos pediu desculpas novamente ao CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha) por militares que participaram da chamada Operação Xeque terem utilizado o emblema da organização.
O ministro afirmou que os autores do vazamento incorreram em um "ato de deslealdade, possível corrupção e poderia constituir traição à pátria". Ele também pediu desculpas à imprensa pela entrega do material ao canal RCN Televisión, que o divulgou com exclusividade.
"Já sabemos quem são os responsáveis. (...) Oferecemos desculpas pelo uso indevido da logo (do CICV)", afirmou o ministro em San José do Guaviare, capital do departamento do Guaviare (sul do país). Foi justamente nesta região onde os 15 reféns foram resgatados.
O ministro da Defesa lembrou que, no dia da operação, as forças militares asseguraram que não haviam sido utilizados distintivos de qualquer organismo verdadeiro, mas que haviam sido criados emblemas de uma entidade humanitária inexistente para decorar os helicópteros.
Apesar disso, na filmagem divulgada ontem aparece um membro do grupo com um colete do CICV, além de pessoas que simulam ser de uma equipe do canal internacional Telesur, com sede na Venezuela.
| Rafa Salafranca/Efe |
![]() |
| O ministro Juan Manuel Santos (à esq.) acusou militares de traição à pátria |
"Essa foi a verdade que nos foi dita. O vídeo de ontem (segunda-feira) demonstra que a realidade era diferente. O emblema (do CICV) foi usado desde o começo da operação. Lamentamos muito que isso tenha ocorrido", afirmou o ministro. "Vamos investigar o que aconteceu. Vamos tomar ações", disse.
No entanto, ele ressaltou que este fato "não deve ofuscar" o êxito da operação de resgate dos reféns, sãos e salvos, que foi elogiada por governos, organismos e personalidades de todo o mundo, e destacou que nela "não houve um disparo".
Horas antes, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, acusou militares de vazar vídeos e, sobre o uso de logotipos do CICV, admitiu que não havia sido informado da totalidade da operação.
"É grave que integrantes das Forças Armadas vazem notícias de forma clandestina e sem coordenação com os superiores. Além disso, é grave que nas primeiras investigações sobre a operação não tenha saído à luz toda a verdade", afirmou o presidente colombiano.
Uribe reiterou "a necessidade de permitir que todos os veículos de comunicação tenham igual e oportuno acesso às notícias mais importantes", em alusão às críticas pela entrega do material ao canal televisivo.
Conflito
Segundo o consultor jurídico do Senado do Brasil Tarciso Dal Maso Jardim, doutorando em direito internacional pela Universidade Paris 10, a utilização do símbolo do CICV durante a operação realizada pelo Exército para o resgate de Ingrid Betancourt e de outros 14 reféns pode provocar uma série de conseqüências para o conflito interno na Colômbia.
"A guerrilha pode fazer o mesmo [usando o símbolo do CICV] e suspender ou diminuir as relações com o comitê. Enfim, há uma série de conseqüências terríveis para o conflito interno, que já é dramático. E ainda existem centenas de reféns que vão sofrer [as conseqüências disso]. É uma irresponsabilidade tremenda", afirmou Jardim em entrevista à Folha Online no mês passado.
| Divulgação |
![]() |
| Helicóptero usado em operação do Exército colombiano no resgate de Ingrid Betancourt e de outros 14 reféns no início do mês |
Segundo o jurista, só a operação realizada pelo Exército colombiano --sem a utilização do símbolo do comitê-- já poderia dificultar o trabalho das organizações humanitárias daqui por diante.
Questionado pela Folha Online sobre a utilização do emblema do CICV durante a operação, Jardim afirmou que o governo colombiano cometeu uma violação de um tratado internacional e, internamente, pode ser acusado do crime de perfídia. Segundo ele, a responsabilidade não é só de quem usou o símbolo, mas de toda a linha de comando, do presidente e do Estado colombiano.
"Primeiramente, a simulação ganha contornos mais graves e nos aproximaria mais do crime de perfídia, já que o próprio artigo 143 do Código Penal colombiano menciona a Cruz Vermelha. Em segundo lugar, mesmo que não caracterizássemos o caso como perfídia, pelos fins propostos da operação, o uso indevido do emblema da Cruz Vermelha é um ilícito internacional", disse o jurista.
Leia mais
- Júri indicia antigo integrante das Farc por seqüestro de americanos
- Colômbia avalia ação externa contra as Farc
- Líder das Farc está "ferido e cercado", diz governo colombiano
- Suposto coordenador de seqüestros das Farc é detido na Colômbia
- TV colombiana exibe imagens inéditas de resgate de Betancourt
Especial





avalie fechar
Nem precisava tanta grana.
Quem pode entregar os "cabeças" das Farc, é só gente interna mesmo.
Por dinheiro, que a verdadeira ideologia deles, esses "guerilheiros", fazem qualquer coisa.
Como já mostraram antes que são capazes, cortando até as maos de um líder da guerilha, para comprovar sua eliminação.
Uma fração do oferecido, teria sido mais do que sufiente...
avalie fechar
avalie fechar