Bolívia celebra aniversário de independência em ambiente de tensão
da Folha Online
da Efe
A Bolívia comemorou nesta quarta-feira o 183º aniversário de sua independência em um ambiente de tensão política e social diante do referendo que decidirá a continuidade ou a revogação das principais autoridades do país, no próximo dia 10.
O ambiente de confronto vivido no país foi transferido para as comemorações, cujos principais atos nos últimos anos foram realizados em Sucre, capital histórica do país, onde foi fundada a República da Bolívia em 1825.
| David Mercado/Reuters |
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| Presidente boliviano, Evo Morales, participa no Palácio do Governo das comemorações pelo 183º aniversário de fundação do país |
No entanto, a hostilidade existente em relação ao presidente Evo Morales obrigou que fossem realizados dois atos paralelos: um governista em La Paz e outro em Sucre, pelo qual promovido pelos líderes da oposição.
Morales não consegue visitar Sucre desde novembro de 2007, já que os dirigentes locais exigem antes que ele peça perdão pelos três mortos e 300 feridos nos protestos contra a Assembléia Constituinte.
A decisão das autoridades de Sucre de não convidar Morales para os atos da Festa Nacional motivou também o presidente do Congresso e o vice-presidente do governo, Álvaro García Linera, a suspender ontem a tradicional sessão de honra do legislativo na cidade.
Democracia e economia
Morales fez hoje um discurso na varanda do Palácio do Governo de La Paz, em que pediu unidade para que se avance no processo de mudança empreendido por ele. O presidente defendeu os avanços sociais e econômicos vividos pelo país durante seu mandato.
O líder indígena afirmou que, sob seu governo, a Bolívia começou a recuperar sua dignidade e sua soberania após 183 anos de uma luta, primeiro contra a colônia espanhola e depois contra as ditaduras e os governos neoliberais.
Segundo Morales, essa luta "continua e continuará até que haja igualdade".
| Martón Alipaz/Efe |
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| Evo Morales discursa durante comemoração do aniversário de independência em La Paz |
O presidente boliviano declarou que seu país hoje é um Estado "viável, confiável, com muita esperança e muito futuro", apesar de em dois anos e meio de governo ser "impossível", segundo ele, atender a todas as reivindicações históricas do país.
No entanto, Morales afirmou que a Bolívia "vai bem", principalmente no âmbito econômico, graças às políticas redistributivas e à recuperação de recursos naturais e empresas estratégicas feitas pelo seu governo.
Para o presidente, a democracia boliviana "avança e se aprofunda", apesar de alguns "antipatriotas tentarem frear o processo de mudança".
O presidente boliviano lamentou que no país ainda existam grupos "que vêm das ditaduras e que não respeitam a democracia". No entanto, os encorajou a se juntar ao processo de mudança para garantir a igualdade de todos os bolivianos.
Morales pediu a seus opositores que não prejudiquem o referendo do próximo dia 10 de agosto para que o povo examine e julgue a gestão de suas principais autoridades.
| Jorge Silva/Reuters |
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| Jovens da oposição e pró-autonomia preparam material usado durante celebração do aniversário da independência, em Tarija |
O presidente chamou os opositores ao referendo de "egoístas". "Alguns antipatriotas, egoístas, tentaram frear esse processo de mudanças. Mas quero dizer que esse processo de mudanças se aprofunda e avança", disse Morales.
"Alguns não querem se submeter ao povo, só querem se submeter ao império. Melhor nos libertarmos do império e nos submetermos ao povo, é a convocação que faço", declarou o governante.
Na agenda paralela da qual Morales foi excluído, a Festa Nacional aconteceu em Sucre, onde esteve o presidente do Senado, o opositor Óscar Ortiz, como principal convidado da governadora do departamento (Estado) de Chuquisaca, a recentemente eleita e também de oposição Savina Cuéllar.
Referendo
Segundo rádios locais, o desfile cívico sofreu certo atraso por um protesto de professores filiados à Central Operária Boliviana (COB).
A Bolívia está a quatro dias do referendo revogatório que decidirá sobre a continuidade ou revogação do mandato de Morales, do vice-presidente García Linera, e de oito dos nove governadores do país.
A data se aproxima em um panorama de confusão e incerteza sobre a legalidade da consulta e sobre como serão interpretados os resultados depois de a Corte Eleitoral Nacional ter adotado para os governadores um critério diferente do estabelecido pela lei do referendo.
A reta final para o referendo se complicou com o aumento dos protestos sociais em vários pontos do país, alguns dos quais terminaram em violência.
É o caso do conflito ocorrido ontem na região de Oruro, onde um enfrentamento entre mineiros e as autoridades deixou dois mortos e mais de 40 feridos.
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