Geórgia denuncia bombardeios russos após ataque à Ossétia do Sul
da Folha Online
O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, decretou nesta sexta-feira a mobilização geral do país e denunciou que aviões russos bombardeiam o território georgiano após a ofensiva lançada pelo governo de Tbilisi contra a região separatista da Ossétia do Sul.
O chefe de Estado disse em mensagem transmitida pela TV local que é vítima de uma agressão em grande escala e que aviões russos bombardeiam seu território. "A Rússia está nos bombardeando. Foi lançada uma agressão em grande escala contra a Geórgia", disse Saakashvili.
| Irakli Gedenidze/Reuters |
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| Tanques da Geórgia realizam cerco à Província de Tskhinvali |
Segundo a emissora de TV local Rustavi-2, cinco aviões russos bombardearam a cidade georgiana de Gori, a 25 km da Ossétia do Sul. Um dos aparelhos russos foi derrubado durante a operação e não há registro de vítimas.
Horas antes a Geórgia lançou um ataque aéreo contra a região separatista, aliada de Moscou, no qual 15 pessoas morreram na cidade de Tskhinvali, a capital da região separatista. O governo de Tbilisi alegou que planeja "restaurar a ordem constitucional" da região, que planeja aderir à Federação Russa --da qual já faz parte a Ossétia do Norte.
A Ossétia do Sul, considerada uma importante rota de transporte de petróleo e gás natural na fronteira russa, autoproclamou sua independência em 1992 após o desmoronamento da União Soviética. O território conta com o apoio de Moscou para a separação, mas a Geórgia não reconhece a independência.
Após a resposta russa, Saakashvili afirmou que "as bombas e os ataques não nos assustam. Resistiremos e venceremos. Decreto a mobilização geral". O Ministério do Interior informou que a mobilização afeta reservistas com instrução militar e faixa entre 25 e 40 anos, reunindo cerca de 100 mil homens.
Defesa
O bombardeio russo também surge pouco depois de as autoridades do território separatista pedirem ajuda à Rússia para defender seus cidadãos, cuja maioria possui cidadania russa.
"O povo da Ossétia do Sul pede ajuda ao presidente e ao Executivo da Rússia, e que adotem medidas urgentes para defender os cidadãos que pertencem à Federação Russa", afirma em comunicado o Comitê de Informação e Imprensa do governo separatista.
Na região foram registrados combates durante toda a manhã desta sexta-feira (madrugada no Brasil), e a Geórgia lançou um cerco com veículos militares à capital regional Tskhinvali. Ao menos 18 pessoas ficaram feridas em confrontos, segundo os últimos dados divulgados.
| Irakli Gedenedze/Reuters |
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| Geórgia lança bombardeio em região separatista pouco antes de o presidente Mikhail Saakashvili decretar mobilização geral do país |
A escalada do conflito ocorre desde a semana passada, quando um tiroteio matou seis pessoas, todas elas da região separatista, e mais de 30 feridos na sexta-feira (1).
Na quarta-feira passada (6), o governo georgiano e a administração ossetiana trocaram acusações sobre dois episódios violentos. No domingo (3), autoridades da região separatista denunciaram que a Geórgia estaria aproximando suas tropas da região do conflito, mas o governo de Tbilisi negou.
Um porta-voz do Ministério do Interior da Geórgia afirmou na quarta passada que os separatistas tentavam atacar o vilarejo de Avnevi, perto de Tskhinvali, e que os rebeldes destruíram um veículo blindado do Exército. Já a Rússia registra que a população separatista receberam disparos de metralhadoras, morteiros e artilharia de um grupo do Exército, no vilarejo de Khetagurovo.
Guerra
O presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvilli, afirmou na quinta-feira --logo após os primeiros episódios de conflito-- que não quer uma guerra na região. Por sua vez, a Rússia acusou o governo de começar o incidente e se preparar para uma guerra.
"O confronto não é do interesse da Geórgia e eu tenho certeza que também não é do interesse da Rússia", disse Saakashvilli em entrevista à TV do país.
Os episódios causam temor na região graças às ameaças de reativar o conflito que deixou 2 mil mortos entre 1990 e 1992.
A Rússia pediu na semana passada à Geórgia e à Ossétia do Sul que reatem as conversas de paz, e acusou o governo de Tbilisi pelo rompimento do cessar-fogo.
"Consideramos de suma importância a retomada do processo negociador no formato da Comissão Mista de Controle (formada por Rússia, Geórgia, Ossétia do Sul e Ossétia do Norte) e a realização de reuniões de trabalho urgentes de representantes das partes em conflito", afirmou o Ministério de Assuntos Exteriores russo.
As autoridades georgianas defendem a substituição das forças de paz russas por um contingente policial internacional, iniciativa que conta com apoio da União Européia (UE) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Divisão
A origem do conflito entre Geórgia e Ossétia do Sul data de 1922, quando Josef Stalin transformou a região separatista em Região Autônoma da República Socialista Soviética da Geórgia e acrescentou à área a planície adjacente, incluindo a cidade de Tskhinvali, habitada principalmente por georgianos.
Em 10 de novembro de 1989, o Congresso de Deputados Populares da região proclamou sua conversão em República Autônoma (dentro da Geórgia), decisão que o Parlamento georgiano declarou inconstitucional.
No ano seguinte, em 20 de setembro, os deputados locais proclamaram a soberania e a criação da República da Ossétia do Sul. Em resposta, o Parlamento da Geórgia aboliu a autonomia da Ossétia do Sul, em 10 de dezembro de 1990.
Um dia depois, explodiram os enfrentamentos armados e morreram as três primeiras vítimas, e depois a Geórgia impôs o estado de exceção na região.
A tensão nessas regiões aumentou nos últimos meses. As Províncias separatistas têm a maioria da população de cidadania russa, e a Rússia dá apoio político e financeiro aos rebeldes.
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