Geórgia cumprirá cessar-fogo de três horas para retirada de civis
da Folha Online
A Geórgia cumprirá um cessar-fogo por um período de três horas --entre as 11h GMT (8h de Brasília) e as 14h GMT (12h de Brasília)-- nesta sexta-feira para permitir a retirada de civis da Ossétia do Sul, anunciou o prefeito de Tbilisi (capital georgiana), Guigui Ugulava, membro do partido no poder.
"Vamos respeitar um cessar-fogo entre as 15h e as 18h locais para estabelecer um corredor humanitário para os civis", afirmou Ugulava ao canal de televisão georgiano Rustavi-2. "Receberemos os civis em Gori [cidade vizinha à Ossétia do Sul localizada a noroeste de Tbilisi]. (...) Vamos garantir a segurança da população civil", disse o prefeito.
| Irakli Gedenidze/Reuters |
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| Tanques da Geórgia realizam cerco à Província de Tskhinvali |
Nesta sexta-feira, o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, decretou a mobilização geral do país e denunciou que aviões russos bombardeiam o território georgiano após a ofensiva lançada pelo governo contra a região separatista da Ossétia do Sul.
O chefe de Estado disse em mensagem transmitida pela TV local que é vítima de uma agressão em grande escala e que aviões russos bombardeiam seu território. "A Rússia está nos bombardeando. Foi lançada uma agressão em grande escala contra a Geórgia", disse Saakashvili.
Segundo a emissora de TV local Rustavi-2, cinco aviões russos bombardearam a cidade georgiana de Gori, a 25 km da Ossétia do Sul. Um dos aparelhos russos foi derrubado durante a operação e não há registro de vítimas.
Horas antes, a Geórgia lançou um ataque aéreo contra a região separatista, aliada de Moscou, no qual 15 pessoas morreram na cidade de Tskhinvali, capital da região separatista. O governo de Tbilisi alegou que planeja 'restaurar a ordem constitucional' da região, que planeja aderir à Federação Russa --da qual já faz parte a Ossétia do Norte.
A Ossétia do Sul, considerada uma importante rota de transporte de petróleo e gás natural na fronteira russa, autoproclamou sua independência em 1992 após o desmoronamento da União Soviética. O território conta com o apoio de Moscou para a separação, mas a Geórgia não reconhece sua independência.
Rússia
Depois dos confrontos, o Ministério da Defesa russo advertiu a Geórgia de que defenderá seus soldados das forças de paz e também os cidadãos russos na Ossétia do Sul --território separatista georgiano onde quase a totalidade da população tem passaporte russo e que pediu ajuda às autoridades russas para defender seus cidadãos.
| Irakli Gedenedze/Reuters |
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| Geórgia lança bombardeio em região separatista pouco antes de o presidente Mikhail Saakashvili decretar mobilização geral do país |
"Os dirigentes georgianos se lançaram em uma aventura suja. O sangue, derramado na Ossétia do Sul, recai sobre essas pessoas e seu entorno", diz o comunicado, divulgado pelo serviço de imprensa da Defesa russa.
Pouco antes, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, havia ameaçado a Geórgia com "medidas de resposta" pela "agressão militar" contra a região separatista georgiana da Ossétia do Sul.
Putin, que assistirá hoje na capital chinesa à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, não detalhou a que tipo de medidas se referia, e acusou Tbilisi de "iniciar as ações militares".
"O povo da Ossétia do Sul pede ajuda ao presidente e ao Executivo da Rússia, e que adotem medidas urgentes para defender os cidadãos que pertencem à Federação Russa", afirmava em comunicado o Comitê de Informação e Imprensa do governo separatista.
Escalada
A escalada do conflito ocorre desde a semana passada, quando um tiroteio matou seis pessoas, todas elas da região separatista, e mais de 30 feridos na sexta-feira (1).
Na quarta-feira passada (6), o governo georgiano e a administração ossetiana trocaram acusações sobre dois episódios violentos. No domingo (3), autoridades da região separatista denunciaram que a Geórgia estaria aproximando suas tropas da região do conflito, mas o governo de Tbilisi negou.
Um porta-voz do Ministério do Interior da Geórgia afirmou na quarta passada que os separatistas tentavam atacar o vilarejo de Avnevi, perto de Tskhinvali, e que os rebeldes destruíram um veículo blindado do Exército. Já a Rússia registra que a população separatista receberam disparos de metralhadoras, morteiros e artilharia de um grupo do Exército, no vilarejo de Khetagurovo.
Origem
A origem do conflito entre Geórgia e Ossétia do Sul data de 1922, quando Josef Stalin transformou a região separatista em Região Autônoma da República Socialista Soviética da Geórgia e acrescentou à área a planície adjacente, incluindo a cidade de Tskhinvali, habitada principalmente por georgianos.
Em 10 de novembro de 1989, o Congresso de Deputados Populares da região proclamou sua conversão em República Autônoma (dentro da Geórgia), decisão que o Parlamento georgiano declarou inconstitucional.
No ano seguinte, em 20 de setembro, os deputados locais proclamaram a soberania e a criação da República da Ossétia do Sul. Em resposta, o Parlamento da Geórgia aboliu a autonomia da Ossétia do Sul, em 10 de dezembro de 1990.
Um dia depois, explodiram os enfrentamentos armados e morreram as três primeiras vítimas, e depois a Geórgia impôs o estado de exceção na região.
A tensão nessas regiões aumentou nos últimos meses. As Províncias separatistas têm a maioria da população de cidadania russa, e a Rússia dá apoio político e financeiro aos rebeldes.
Com France Presse, Efe e Associated Press
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