Mundo
08/08/2008 - 13h15

Líder separatista diz que conflito na Ossétia do Sul matou "centenas de civis"

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da Folha Online

O líder separatista da Ossétia do Sul, Eduard Kokoiti, afirmou nesta sexta-feira que o conflito iniciado horas atrás na região já matou "centenas de civis". O Ministério de Defesa da Rússia anunciou a morte de dez soldados das forças de manutenção da paz enviadas à área aliada. Testemunhas afirmaram que a capital provincial, Tskhinvali, está "devastada".

De acordo com a Cruz Vermelha, a população está escondida em porões, e as ambulâncias têm dificuldades de localizar os feridos. Diversos países já pediram o fim do confronto.

Arte/Folha Online

Os problemas se intensificaram há uma semana, quando um tiroteio deixou seis moradores da região separatista mortos e mais de 30 feridos. Na quarta-feira (6), o governo georgiano e a administração ossetiana trocaram acusações sobre dois episódios violentos. No domingo (3), autoridades da região separatista denunciaram que a Geórgia estaria aproximando suas tropas da região do conflito, mas o governo de Tbilisi negou.

Considerada uma importante rota de transporte de petróleo e gás natural na fronteira russa, a Ossétia do Sul autoproclamou independência em 1992, após o desmoronamento da União Soviética. O território conta com o apoio de Moscou para a separação, mas a Geórgia não reconhece a independência.

"Tenho certeza de que em breve a independência da Ossétia do Sul será reconhecida", disse Kokoiti. O líder falou depois de o ministro de Reintegração da Geórgia Temur Yakobashvili ter considerado que Tskhinvali estava sob "pleno controle" das tropas georgianas.

O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, falou em "cenas de limpeza étnica" na Ossétia do Sul. "O número de refugiados aumenta e há ameaça de crise humanitária."

Confronto

Os problemas começaram na madrugada desta sexta, quando tropas da Geórgia cercaram Tskhinvali, considerada capital da separatista Ossétia do Sul.

Houve um primeiro bombardeio que, conforme dados preliminares, matou 15 pessoas. De acordo com um correspondente da France Presse, as explosões ocorriam a cada 20 ou 30 segundos. Tiros de morteiros e armas pesadas eram disparados contra Tskhinvali a partir das aldeias georgianas dos arredores, informaram as agências de notícias russas, citando autoridades da Ossétia do Sul.

O Comitê de Informação e Imprensa do governo separatista, então, emitiu um comunicado pedindo ajuda à Rússia, em proteção aos cidadãos russos da área. De Pequim (China), onde participa da abertura da Olimpíada, o primeiro-ministro da Rússia, Vladmir Putin, afirmou que tomaria ações retaliadoras. Pouco depois, tanques russos partiram em direção a Tskhinvali.

O presidente georgiano, Mikheïl Saakachvili, acusou a Rússia de atacar a Geórgia e exigiu que o país parasse.

Segundo a televisão georgiana Roustavi, aviões russos atingiram Gori, cidade natal de Joseph Stalin, a oeste de Tbilisi, a 33 km de Tskhinvali. O governo georgiano também afirmou que ter havido bombardeio russo em uma base aérea situada a 40 km de Tbilisi. Nesse bombardeio, três soldados georgianos teriam sido mortos.

Moscou desmentiu que as forças aéreas russas tenham atacado e afirmou que autoridades estudam "medidas de urgência" para restabelecer a paz na região, anunciou o Kremlin citado pela agência Itar-Tass.

Cessar-fogo

Entre as 11h GMT (8h de Brasília) e 14h GMT (12h de Brasília), um cessar-fogo permitirá que civis da Ossétia do Sul deixem suas casas rumo à cidade georgiana de Gori, anunciou o prefeito de Tbilissi, Guigui Ougoulava, alto responsável do partido no poder.

"Eu vi corpos nas ruas, em meio a prédios destruídos", afirmou Lyudmila Ostayeva, 50, que conseguiu deixar Ossétia do Sul e instalar-se em Dzhava, uma vila perto da fronteira com a Rússia. "É impossível contá-los agora. Não há quase nenhum prédio intacto."

Com agências internacionais

 

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