Aliados de Musharraf reiteram intenção de dificultar impeachment
da Reuters, em Islamabad
da Associated Press, em Islamabad
Os partidos aliados do presidente paquistanês Pervez Musharraf disseram nesta sexta-feira que não irão facilitar o processo que o movimento de coalizão pretende iniciar com o intuito de conseguir o impeachment de Musharraf. O anúncio foi feito no momento em que vários jornais do país afirmavam que Musharraf deveria renunciar para evitar uma crise política.
Na segunda-feira (11), dia do aniversário de 65 anos de Musharraf, a Assembléia Nacional, câmara baixa do Parlamento, vai se reunir para iniciar o processo de afastamento. O partido do ex-premiê Nawaz Sharif anunciou que vai voltar a fazer parte de coalizão de oposição. Sharif foi deposto em 1999 com o golpe militar liderado por Musharraf.
São necessários dois terços dos votos no Parlamento para o impeachment ser aprovado, e a coalizão possui maioria na Casa --controla 236 dos 339 assentos na Assembléia Nacional e 51 dos 100 postos no Senado. O grupo ainda tenta atrair parlamentares independentes.
Mussahid Hussain, líder do principal partido que apóia Musharraf, disse à agência Associated Press que "a decisão sobre o impeachment do presidente vai abrir uma 'caixa de Pandora'". Hussain reiterou que o partido vai continuar apoiando Musharraf. "Não vai ser assim tão fácil."
Musharraf deixou o comando do Exército, posto que ocupava desde antes do golpe, em 2007. Agora, as atenções se voltam para como o Exército vai reagir ao pedido de Impeachment de seu antigo líder. Lisa Curtis, analista da organização conservadora norte-americana Heritage Foundation, disse à agência Reuters que o destino de Musharraf "está nas mãos do novo chefe do Estado-Maior do Exército, o general Ashfaq Kayani".
Quando assumiu, Kayani afirmou que não pretendia envolver o Exército em questões políticas.
Musharraf, que está no poder há oito anos e foi reeleito para mais cinco em outubro de 2007, insiste que não pretende renunciar e quer cumprir o resto do mandato. Alguns dos principais jornais do país afirmaram em editorial que o líder paquistanês deveria renunciar. O jornal "Dawn" disse em seu editorial que "o destino do presidente está selado, e ele deveria ser aconselhado a se retirar graciosamente".
Os analistas temem que uma luta política no Paquistão pode fortalecer os grupos extremistas islâmicos, ligados ao Taleban (grupo extremista islâmico que controlava o vizinho Afeganistão e foi deposto na invasão americana em 2001) e à rede terrorista Al Qaeda.
A região da fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão é refúgio de muitos militantes dos dois grupos, e Musharraf deu apoio total aos Estados Unidos após os ataques de 11 de setembro de 2001. Além disso, há temores sobre o destino do arsenal nuclear do país, que há décadas luta com a Índia pelo controle da região da Caxemira.
Com Reuters e Associated Press
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