Cerca de 1.400 morreram na Ossétia do Sul, diz líder separatista
da Folha Online
O líder separatista da Ossétia do Sul, Eduard Kokoiti, afirmou que o conflito com a Geórgia, que começou na madrugada desta sexta-feira, matou aproximadamente 1.400 pessoas, de acordo com a agência de notícias russa Interfax. "Nós vamos checar esse número, mas é por volta disso. Essa estimativa saiu das notificações de familiares."
Considerada uma importante rota de transporte de petróleo e gás natural na fronteira russa, a Ossétia do Sul autoproclamou independência em 1992, após o desmoronamento da União Soviética. O território conta com o apoio de Moscou para a separação --inclusive por abrigar muitos cidadãos russos--, mas a Geórgia não reconhece a independência.
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Desde o começo dos bombardeios, cerca de 140 ônibus com refugiados chegaram à Ossétia do Norte, ainda de acordo com a Interfax. Outras mais de 500 pessoas buscaram abrigo em outras partes da Geórgia. Mais gente deve deixar a Ossétia do Sul amanhã (9). Na cidade de Tskhinvali, considerada capital da província da Ossétia do Sul, a devastação é grande, dizem testemunhas. Serviços de água, eletricidade e telefonia estão cortados.
Nesta sexta, foi em Tskhinvali que os bombardeiros começaram.
Em pronunciamento na TV, o presidente georgiano, Mikheil Saakashvili, afirmou ter retomado o controle da Ossétia do Sul e admitiu a morte de 30 cidadãos, na maioria militares.
Na contramão do discurso de controle, a Geórgia decidiu retirar mil homens do Iraque, sob a justificativa de que "está enfrentando uma intervenção militar russa de envergadura".
Mais cedo, o primeiro-ministro da Rússia, Vladmir Putin, havia afirmado que o país precisava enviar tropas à Geórgia para defender os russos que vivem na Ossétia do Sul, como obriga a constituição. Putin deu as ordens de Pequim (China), onde assistiu a abertura da Olimpíada.
Confronto
Os problemas entre Ossétia do Sul e Geórgia se intensificaram há uma semana, quando um tiroteio matou seis moradores da região separatista e deixou mais de 30 feridos. Na quarta, o governo georgiano e a administração ossetiana trocaram acusações a respeito de duas ações violentas. No domingo (3), autoridades da região separatista denunciaram que a Geórgia se aproximava de Tskhinvali, mas o governo de Tbilisi negou.
Na madrugada desta sexta, as tropas da Geórgia cercaram Tskhinvali e promoveram um bombardeiro que teria matado 15 pessoas. De acordo com um correspondente da France Presse, as explosões ocorriam a cada 20 ou 30 segundos. Disparos de morteiros e armas pesadas eram disparados contra Tskhinvali a partir das aldeias georgianas dos arredores, informaram as agências de notícias russas, citando autoridades da Ossétia do Sul.
O Comitê de Informação e Imprensa do governo separatista, então, emitiu um comunicado pedindo ajuda à Rússia, em proteção aos cidadãos russos da área. A Rússia chegou a pedir uma reunião dos integrantes do Conselho de Segurança da ONU, mas o encontro fracassou porque aliados da Geórgia --como os Estados Unidos e o Reino Unido-- julgaram que o país não estendia a recusa de uso da força a si mesmo.
Com o fracasso, a Rússia enviou tropas, e os ataques se intensificaram. Em meio aos bombardeios, os envolvidos chegaram a realizar um cessar-fogo com duração de três horas, para permitir a saída de civis.
Na noite desta sexta, o Conselho de Segurança se reúne novamente para tentar um acordo que suspenderá os ataques e devolverá a questão às mesas de negociações.
Com agências internacionais
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