Geórgia decretará estado de exceção em breve, diz secretário
da Folha Online
O presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, irá decretar estado de exceção em todo o país nas próximas horas, afirmou o secretário nacional do Conselho de Segurança, Kakha Lomaia. "O decreto já está sobre a mesa do presidente para ser assinado", declarou. "Nós achamos que a Rússia começou a bombardear locais de infra-estrutura civil e econômica."
O anúncio pode acontecer em meio à segunda reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a questão. O encontro pretende evitar que seja declarada guerra.
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Considerada uma importante rota de transporte de petróleo e gás natural na fronteira russa, a Ossétia do Sul autoproclamou independência da Geórgia em 1992, após a queda da União Soviética. O território conta com o apoio de Moscou para a separação --inclusive por abrigar muitos cidadãos russos--, mas a Geórgia não reconhece a independência.
Nesta sexta-feira, depois de um cerco georgiano à cidade de Tskhinvali, considerada capital da província da Ossétia do Sul, a Rússia decidiu atacar o país. De acordo com testemunhas, a devastação na região é enorme.
Desde o começo dos bombardeios, cerca de 140 ônibus com refugiados chegaram à Ossétia do Norte, ainda de acordo com a Interfax. Outras mais de 500 pessoas buscaram abrigo em outras partes da Geórgia. Mais gente deve deixar a Ossétia do Sul amanhã (9).
O estado de exceção deve ser declarado pouco depois de Saakashvili ter dito em mensagem transmitida pela TV que o Estado havia retomado o controle sobre a Ossétia do Sul. Na TV, o presidente admitiu a morte de 30 cidadãos, "na maioria militares".
O lado separatista reclama muito mais mortes. O líder separatista da Ossétia do Sul, Eduard Kokoiti, afirmou que o conflito matou aproximadamente 1.400 pessoas na região, de acordo com a agência de notícias russa Interfax. "Nós vamos checar esse número, mas é por volta disso. Essa estimativa saiu das notificações de familiares."
Pedidos
Em pronunciamento, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, pediu que a Rússia "pare de atacar a Geórgia com aviões e mísseis" e "respeite a integridade territorial" do país, com a retirada das tropas. Tanto Rice quanto a Casa Branca pediram o cessar-fogo imediato. Oficiais dos EUA foram enviados à região para mediar os diálogos entre os envolvidos.
Depois de a Geórgia ter cercado Tskhinvali, a Rússia chegou a convocar uma reunião entre os integrantes do Conselho de Segurança, mas as negociações fracassaram porque os EUA e seus aliados --como o Reino Unido-- julgaram que os russos não incluíam a si mesmos nos acordos de não-utilização da força.
Com o fracasso, o primeiro-ministro da Rússia, Vladmir Putin, que estava em Pequim (China) para assistir à abertura da Olimpíada, determinou a ida das tropas à Ossétia do Sul. O intuito, segundo ele, seria proteger os russos que vivem no território separatista.
Confrontos
Os problemas entre Ossétia do Sul e Geórgia se intensificaram há uma semana, quando um tiroteio matou seis moradores da região separatista e deixou mais de 30 feridos. Na quarta, o governo georgiano e a administração ossetiana trocaram acusações a respeito de duas ações violentas. No domingo (3), autoridades da região separatista denunciaram que a Geórgia se aproximava de Tskhinvali, mas o governo de Tbilisi negou.
Na madrugada desta sexta, as tropas da Geórgia cercaram e bombardearam Tskhinvali, ao que a Rússia reagiu.
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