Mundo
08/08/2008 - 21h26

Conselho Segurança não chega a acordo sobre conflito na Ossétia do Sul

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da Folha Online

O Conselho de Segurança (CS) da ONU concluiu nesta sexta-feira sua segunda reunião de emergência sobre o conflito entre a Geórgia e a separatista Ossétia do Sul sem chegar a um acordo sobre uma resolução que peça o fim das hostilidades.

"As negociações continuam, não terminaram. Continuaremos amanhã", disse o atual presidente do CS, o embaixador belga Jan Grauls, após quatro horas de discussões.

O diplomata atribuiu a falta de acordo à evolução dos eventos na região em conflito e à necessidade de alguns membros do Conselho de Segurança de consultarem seus países.

Arte/Folha Online

Os enviados da Rússia e da Geórgia trocaram acusações durante a reunião. O embaixador russo da ONU, Vitaly Churkin, disse que a Geórgia estava deliberadamente mirando nas forças de paz russas na Ossétia do Sul.

O embaixador da geórgia, Irakli Alasania, rechaçou as acusações russas, dizendo que Tbilisi está apenas se defendendo da agressão russa. Ele afirmou que a Rússia estava bombardeando alvos civis e a infra-estrutura na Geórgia.

"Tropas georgianas não estão mirando nas forças de paz", declarou. Se dirigindo a Churkin, ele questionou: "Você está pronto para parar os bombardeiros no ar?".

Questionado sobre relatos de que bombardeiros russos haviam atingido um tanque de contenção e infra-estrutura civil no porto de Poti, Churkin disse: "Não tenho essa informação".

Estado de emergência

O presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, irá decretar estado de exceção em todo o país nas próximas horas, afirmou o secretário nacional do Conselho de Segurança, Kakha Lomaia. "O decreto já está sobre a mesa do presidente para ser assinado", declarou. "Nós achamos que a Rússia começou a bombardear locais de infra-estrutura civil e econômica."
Considerada uma importante rota de transporte de petróleo e gás natural na fronteira russa, a Ossétia do Sul autoproclamou independência da Geórgia em 1992, após a queda da União Soviética. O território conta com o apoio de Moscou para a separação --inclusive por abrigar muitos cidadãos russos--, mas a Geórgia não reconhece a independência.

Nesta sexta-feira, depois de um cerco georgiano à cidade de Tskhinvali, considerada capital da província da Ossétia do Sul, a Rússia decidiu atacar o país. De acordo com testemunhas, a devastação na região é enorme.

Desde o começo dos bombardeios, cerca de 140 ônibus com refugiados chegaram à Ossétia do Norte, ainda de acordo com a Interfax. Outras mais de 500 pessoas buscaram abrigo em outras partes da Geórgia. Mais gente deve deixar a Ossétia do Sul amanhã (9).
O estado de exceção deve ser declarado pouco depois de Saakashvili ter dito em mensagem transmitida pela TV que o Estado havia retomado o controle sobre a Ossétia do Sul. Na TV, o presidente admitiu a morte de 30 cidadãos, "na maioria militares".

O lado separatista reclama muito mais mortes. O líder separatista da Ossétia do Sul, Eduard Kokoiti, afirmou que o conflito matou aproximadamente 1.400 pessoas na região, de acordo com a agência de notícias russa Interfax. "Nós vamos checar esse número, mas é por volta disso. Essa estimativa saiu das notificações de familiares."

Pedidos

Em pronunciamento, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, pediu que a Rússia "pare de atacar a Geórgia com aviões e mísseis" e "respeite a integridade territorial" do país, com a retirada das tropas. Tanto Rice quanto a Casa Branca pediram o cessar-fogo imediato. Oficiais dos EUA foram enviados à região para mediar os diálogos entre os envolvidos.

Depois de a Geórgia ter cercado Tskhinvali, a Rússia chegou a convocar uma reunião entre os integrantes do Conselho de Segurança, mas as negociações fracassaram porque os EUA e seus aliados --como o Reino Unido-- julgaram que os russos não incluíam a si mesmos nos acordos de não-utilização da força.

Com o fracasso, o primeiro-ministro da Rússia, Vladmir Putin, que estava em Pequim (China) para assistir à abertura da Olimpíada, determinou a ida das tropas à Ossétia do Sul. O intuito, segundo ele, seria proteger os russos que vivem no território separatista.

Com Efe, France Presse e Reuters

 

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