Forças russas vão trabalhar por paz na Ossétia do Sul, diz Medvedev
da Folha Online
O presidente russo, Dmitri Medvedev, afirmou neste sábado que os soldados do Exército russo enviados para a província da Ossétia do Sul, na Geórgia, vão trabalhar para buscar a paz na região. O local é palco de um conflito entre o governo da Geórgia e as autoridades separatistas.
Considerada uma importante rota de transporte de petróleo e gás natural na fronteira russa, a Ossétia do Sul autoproclamou independência da Geórgia em 1992, após a queda da União Soviética. O território conta com o apoio de Moscou para a separação --inclusive por abrigar muitos cidadãos russos--, mas a Geórgia não reconhece a independência.
Medvedev, que fez uma declaração no começo da manhã deste sábado (hora local) durante um encontro no Ministério da Defesa, afirmou que as forças na Ossétia do Sul têm a missão de proteger a população civil na região.
O conflito, que enfrenta uma escalada desde a quarta-feira passada, pode ter deixado mais de 1.400 mortos, segundo as autoridades da província. Nesta sexta-feira, depois de um cerco georgiano à cidade de Tskhinvali, considerada capital da província da Ossétia do Sul, a Rússia decidiu intervir.
Acordo
O Conselho de Segurança (CS) da ONU concluiu nesta sexta sua segunda reunião de emergência sobre o conflito entre a Geórgia e a Ossétia do Sul sem chegar a um acordo sobre uma resolução que peça o fim das hostilidades.
"As negociações continuam, não terminaram", disse o atual presidente do CS, o embaixador belga Jan Grauls, após quatro horas de discussões. O diplomata atribuiu a falta de acordo à evolução dos eventos na região em conflito e à necessidade de alguns membros do Conselho de Segurança de consultarem seus países.
Os enviados da Rússia e da Geórgia trocaram acusações durante a reunião. O embaixador russo da ONU, Vitaly Churkin, disse que a Geórgia estava deliberadamente mirando nas forças de paz russas na Ossétia do Sul.
Enquanto a Geórgia fecha o cerco a Tskhinvali, considerada capital da província separatista, com tanques e blindados, a Rússia responde com bombardeios e sobrevôos na região. O governo de Tbilisi acusa Moscou de atacar cidades, portos e bases aéreas do país e pediu ajuda à comunidade internacional denunciando a Rússia por agressão.
Ao mesmo tempo, a Geórgia diz que foram derrubados seis aviões russos durante os últimos dois dias de combate armado. Segundo o vice-ministro de Defesa georgiano, Batu Kutelia, "sob as bombas russas morreram dezenas de pessoas", disse.
O estado de exceção deve ser declarado pouco depois de presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, ter dito em mensagem transmitida pela TV que o Estado havia retomado o controle sobre a Ossétia do Sul.
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