Mundo
11/08/2008 - 01h27

Geórgia diz que aviões russos bombardearam arredores da capital

Publicidade

da Folha Online

Aviões russos bombardearam uma base militar e uma instalação de radares perto de Tbilisi, capital da Geórgia, na manhã desta segunda-feira (hora local), segundo o Ministério do Interior georgiano.

A Geórgia lançou um cerco à Ossétia do Sul na última quinta-feira (7), enviando tanques para a capital separatista, em tentativa de retomar o controle sobre a região. Em resposta, a Rússia tem bombardeado a Geórgia e realiza sobrevôos na região. O confronto já deixou cerca de 40 mil refugiados, de acordo com a Cruz Vermelha.

Os Estados Unidos acusaram neste domingo a Rússia de se opor a um cessar-fogo na região separatista da Ossétia do Sul, afirmando que Moscou quer derrubar o governo pró-Washington do presidente georgiano, Mikhail Saakashvili. Entenda as causas do conflito.

Musa Sadulayev/AP
Coluna de tanques russos segue em direção a Dzhava, na Ossétia do Sul; EUA acusam Rússia de querer derrubar governo da Geórgia
Coluna de tanques russos segue em direção a Dzhava, na Ossétia do Sul; EUA acusam Rússia de querer derrubar governo da Geórgia

"Houve dois bombardeios. Um contra a base militar de Kojori e outro no monte Makhata. Até onde sei, não há mortes", afirmou Shota Utiashvili, porta-voz do Ministério do Interior, à agência Reuters.

As explosões, ouvidas no centro de Tbilisi, ocorreram horas após o chanceler da França, Bernard Kouchner, chegar para conversas com o presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, em uma tentativa de interromper o conflito de quatro dias na região separatista da Ossétia do Sul.

Kouchner deve partir de Tbilisi para Moscou assim que conversar com Saakashvili. Não se sabe se ele deixou o país antes do bombardeio.

Os combates entre Rússia e Geórgia tiveram início na sexta-feira (9), com a entrada das forças da Geórgia na Ossétia do Sul, pequena Província pró-Moscou que declarou unilateralmente sua independência em 1992, e que conta com forças de paz russas sob mandato das Nações Unidas.

As tropas russas tomaram o controle da capital da Província, Tskhinvali, na manhã do domingo, e a Geórgia retirou suas tropas e ofereceu um cessar-fogo e conversas de paz.

Confrontos

A Rússia entrou em confronto com o Exército da Geórgia em terra e no mar, segundo relatos da noite deste domingo, apesar da oferta de cessar-fogo e da retirada da Ossétia do Sul.

Militares russos disseram ter afundado um barco georgiano que tentava atacar embarcações da Rússia no mar Negro, e autoridades georgianas declararam que o país vizinho enviou tanques da Ossétia do Sul a outras partes da Geórgia, em direção a uma cidade estratégica.

O Kremlin rechaçou a oferta de cessar-fogo da Geórgia, afirmando que primeiro deve-se garantir que as tropas georgianas irão de fato se retirar da Ossétia do Sul.

Arte/Folha Online

Temur Yakobashvili, porta-voz do Ministério do Interior da Geórgia, afirmou que tanques russos tentaram ir da Ossétia do Sul a outras partes da Geórgia, mas foram contidos por forças georgianas. Ele afirmou que os tanques tentaram chegar a Gori, mas não dispararam contra a cidade de cerca de 50 mil habitantes.

A Rússia também enviou embarcações para patrulhar a costa da Geórgia no mar Negro, mas Moscou negou que a medida tivesse a intenção de estabelecer um bloqueio.

Após a declaração unilateral de independência da Geórgia, a Rússia deu passaportes russos para a maioria dos habitantes da Ossétia do Sul, e líderes separatistas tentaram incorporar a região ao território russo.

Conselho de Segurança

O embaixador dos EUA na ONU, Zalmay Khalilzad, disse hoje perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas que, em uma conversa telefônica, o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, comunicou à secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que essa era a intenção de Moscou neste conflito.

"Ele disse a ela que a liderança da Geórgia deve ir embora, que Saakashvili deve ir embora. Isso é completamente inaceitável", disse hoje o diplomata americano durante a reunião urgente do Conselho de Segurança sobre a situação na Geórgia.

Porém, o chefe da diplomacia russa negou que tenha dito a Rice que o presidente georgiano deveria deixar o cargo. "Condoleezza Rice interpretou incorretamente nossa conversa", declarou à imprensa, segundo a agência oficial russa Itar-Tass.

A reunião, a quarta em três dias, foi interrompida para que um reduzido grupo de membros do Conselho negocie a redação de um projeto de resolução que peça o cessar-fogo e que possa ser apresentado nas próximas horas.

A Rússia já deixou claro que se oporá à proposta, apesar de fontes diplomáticas terem afirmado que a minuta substitui a "condenação" expressa aos ataques russos proposta inicialmente pelos EUA.

Discussão

Em um dos momentos mais tensos da reunião de hoje, o representante americano se dirigiu ao embaixador russo, Vitaly Churkin, e pediu declarações sobre as verdadeiras intenções russas na Geórgia, o principal aliado de Washington no Cáucaso.

"É a mudança de regime o objetivo de seu governo, a derrocada de um governo eleito democraticamente?", questionou.

Khalilzad afirmou, em declarações posteriores à imprensa, que "os dias em que líderes na Europa tombavam mediante a força militar acabaram".

Churkin se mostrou surpreso com a alusão pública a uma "ligação telefônica confidencial" e afirmou que "mudança de regime é uma invenção puramente americana" que eles não usam.

"Nunca utilizamos esta terminologia em nosso pensamento político. Nós somos pela democracia na Geórgia", disse Churkin à imprensa.

Segundo ele, "em algumas ocasiões há líderes eleitos democrática ou semi-democraticamente que provocam grandes problemas a seus países e às vezes esses líderes têm que se perguntar quão úteis foram para sua gente".

O embaixador georgiano Irakli Alasania também declarou que "a invasão russa" em seu território tem como meta tirar Saakashvili do poder.

"Saakashvili é o líder eleito da Geórgia e todo o país atualmente o apóia. Defenderemos nossa liberdade junto a nosso presidente", disse o representante georgiano, que esteve presente nas reuniões como parte interessada, apesar de não ser membro do Conselho de Segurança da ONU.

Com agências internacionais

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca