Rússia cria força de choque para expulsar tropas georgianas da Abkházia
da Folha Online
A Rússia anunciou a criação de uma força de choque para expulsar as tropas georgianas do território da região separatista da Abkházia depois que o governo de Tbilisi (capital da Geórgia) foi acusado de enviar mais de 4.000 soldados para a fronteira, no oeste do país. A equipe russa será formada por 9.000 soldados.
"A força é integrada por 9.000 soldados e cerca de 350 equipes militares", disse Serguei Chaban, comandante-em-chefe das forças de paz russas na região do conflito georgiano-abkhazo, citado pelas agências russas. Diferentemente da Ossétia do Sul, a Abkházia é uma região que permanece sob controle da Geórgia, aliada dos Estados Unidos no Cáucaso. Entenda as causas do conflito.
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A Ossétia do Sul, que autoproclamou sua independência em 1992, foi cercada na quarta-feira passada (6) quando a Geórgia lançou uma ofensiva para retomar o controle da região, aliada da Rússia e cuja população tem nacionalidade russa.
O general Serguei Chaban ressaltou que o objetivo da nova força destacada por Moscou é obrigar o Exército georgiano a abandonar os altos do desfiladeiro de Kodori, única região abkhaza sob controle georgiano. O desfiladeiro é considerado um ponto estratégico por ser uma rota ideal para uma invasão na região.
"No caso de as unidades militares e policiais georgianas não deporem as armas as tropas russas terão que tomar as medidas necessárias para obrigá-las a fazê-lo", acrescentou Chaban.
O assessor do comandante-em-chefe das forças de paz, Aleksander Novitski, disse que o objetivo do desdobramento de novas tropas russas na Abkházia é "evitar a repetição do ocorrido com as tropas de paz na Ossétia do Sul". "As tropas russas querem impedir uma agressão militar georgiana contra a Abkházia e uma catástrofe humanitária."
A Abkházia, território banhado pelo Mar Negro, anunciou no domingo que não se deteria na fronteira da Geórgia na hora de "impor ordem" na região.
Refugiados
O conflito entre a Rússia e a Geórgia pela região separatista da Ossétia do Sul entrou no seu quarto dia com um dado preocupante divulgado pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Segundo a entidade, os três primeiros dias de confronto no sul do Cáucaso deixaram 40 mil deslocados internos ou refugiados.
A Rússia afirma ter acolhido 30 mil pessoas vinda da Ossétia do Sul em seu território, e a ONU fala em cerca de 20 mil refugiados, incluindo os vindos da Geórgia.
Moscou afirma que 2.000 pessoas morreram no conflito. Já uma fonte do governo georgiano disse que 130 soldados e civis seus morreram e 1.165 ficaram feridos, principalmente devido ao contra-ataque russo. Não há dados independentes. Jornalistas na região relatam que, pelo número de cadáveres, a estimativa da Rússia está mais próxima da realidade.
Desde a manhã de domingo a Geórgia afirma que suas forças se retiraram da região separatista e que foi pedido o fim das hostilidades à Rússia. O Kremlin afirmou apenas que embora o país vizinho tenha declarado o cessar-fogo, as tropas não deixaram as regiões de conflito.
Com agências internacionais
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