Mundo
11/08/2008 - 09h40

Sob ameaça de impeachment, Musharraf diz que não deixa o cargo

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da Folha Online

O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, não irá renunciar ao cargo, disse o porta-voz dele, o general aposentado Rashid Qureshi, nesta segunda-feira, dia em que o ditador faz 65 anos. Na semana passada, uma coalizão de governo anunciou ter feito acordo para dar início ao processo de impeachment de Musharraf.

Por conta da ameaça, houve a expectativa de que ele renunciaria para evitar uma crise política, o que acabou negado.

O acordo contrário a Musharraf inclui o partido do ex-premiê Nawaz Sharif, que foi deposto em 1999 com o golpe militar liderado por Musharraf. São necessários dois terços dos votos no Parlamento para o impeachment ser aprovado, e a coalizão tem maioria --controla 236 dos 339 assentos na Assembléia Nacional e 51 dos 100 postos no Senado. O grupo ainda tenta atrair parlamentares independentes.

Nunca houve impeachment na história do Paquistão, mas analistas políticos afirmam que a instauração do processo contra Musharraf é inevitável --a não ser que ele renuncie.

"Todos os democratas e os políticos sérios vão querer ser lembrados como apoiadores do lado certo da história", afirmou o ministro da Informação, Sherry Rehman. Ele não afirmou quando o processo de impeachment será iniciado, mas adiantou que ele deve durar semanas.

"O trabalho do comitê de destituição está quase no fim. O grupo dá os toques finais na ata de acusação", disse à agência de notícias France Presse Farzana Raja, alta dirigente do Partido do Povo Paquistanês (PPP). "Nós demos a ele [Musharraf] uma chance de renunciar, demos alguns meses. Mas chegamos à conclusão de que agora o povo do Paquistão, por meio de seus representantes eleitos do Parlamento, terá que fazê-lo."

No fim de semana, o ministro da Justiça, Farooq Naek, disse que a ata feita pela coalizão possui acusações de má administração e violação da Constituição.

O pronunciamento realizado pelo porta-voz de Musharraf nesta segunda foi o primeiro feito pela cúpula presidencial, desde o anúncio do acordo para o impeachment. Na mensagem, o porta-voz não informou se Musharraf planeja adotar alguma medida para evitar o processo --como destituir ou dissolver o Parlamento ou decretar estado de exceção.

Com Reuters e France Presse

 

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