Mundo
11/08/2008 - 15h09

Legisladores paquistaneses exigem saída do presidente Musharraf

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da Associated Press, em Islamabad
da Folha Online

Os legisladores da mais poderosa Província paquistanesa acusaram o presidente, Pervez Musharraf, de conduta imprópria e exigiram que ele renunciasse ao cargo, uma exigência que aumenta a pressão sobre o anúncio do governo de coalizão de que pedirá o impeachment contra o líder.

Em Assembléia, os legisladores de Punjab votaram a favor da resolução anti-Musharraf com 321 votos contra 35. Em meio à crise política, até mesmo 35 membros do partido pró-Musharraf, a Liga Paquistanesa Muçulmana, votaram a favor da derrubada do presidente.

Os legisladores do governo de coalizão, liderado pelo partido da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, gritaram "Vai, Musharraf, vai" e apoiaram a decisão de acabar com o governo aliado aos Estados Unidos. Eles acusaram o líder de violar a constituição, de conduta imprópria e mau gerenciamento econômico.

Mian Khursheed/Reuters
Texto: Pakistan President General Pervez Musharraf attends a referendum rally in Abbottabad, 125 km (80 miles) north of Islamabad in this April 15, 2002 file photo. Pakistan's ruling coalition agreed on August 7, 2008 to begin impeachment proceedings against President Musharraf, a move likely to deepen political instability in the country. REUTERS/Mian Khursheed/Files (PAKISTAN)
Presidente Pervez Musharraf vive intensa pressão para renunciar

Apesar da votação não ter peso constitucional, a Assembléia aumenta ainda mais a pressão sobre Musharraf que, contudo, anunciou que não irá renunciar ao cargo.

Na semana passada, uma coalizão de governo anunciou ter feito acordo para dar início ao processo de impeachment de Musharraf. Por conta da ameaça, houve a expectativa de que ele renunciaria para evitar uma crise política, o que acabou negado.

O acordo contrário a Musharraf inclui o partido do ex-premiê Nawaz Sharif, que foi deposto em 1999 com o golpe militar liderado por Musharraf. São necessários dois terços dos votos no Parlamento para o impeachment ser aprovado, e a coalizão tem maioria --controla 236 dos 339 assentos na Assembléia Nacional e 51 dos 100 postos no Senado. O grupo ainda tenta atrair parlamentares independentes.

Nunca houve impeachment na história do Paquistão, mas analistas políticos afirmam que a instauração do processo contra Musharraf é inevitável --a não ser que ele renuncie.

"Todos os democratas e os políticos sérios vão querer ser lembrados como apoiadores do lado certo da história", afirmou o ministro da Informação, Sherry Rehman. Ele não afirmou quando o processo de impeachment será iniciado, mas adiantou que ele deve durar semanas.

"O trabalho do comitê de destituição está quase no fim. O grupo dá os toques finais na ata de acusação", disse à agência de notícias France Presse Farzana Raja, alta dirigente do Partido do Povo Paquistanês (PPP). "Nós demos a ele [Musharraf] uma chance de renunciar, demos alguns meses. Mas chegamos à conclusão de que agora o povo do Paquistão, por meio de seus representantes eleitos do Parlamento, terá que fazê-lo."

O pronunciamento realizado pelo porta-voz de Musharraf nesta segunda-feira foi o primeiro feito pela cúpula presidencial, desde o anúncio do acordo para o impeachment. Na mensagem, o porta-voz não informou se Musharraf planeja adotar alguma medida para evitar o processo --como destituir ou dissolver o Parlamento ou decretar estado de exceção.

 

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