Bush pressiona Rússia por retirada de tropas da Geórgia
da Folha Online
O presidente dos EUA, George W. Bush, pressionou a Rússia nesta segunda-feira para interromper sua ação militar na Geórgia, alertando que "uma escalada brutal e dramática" da pressão de Moscou sobre o pequeno país vizinho possa colocar em risco suas relações com o Ocidente.
Bush declarou que Moscou aparentemente tenta derrubar o governo do presidente georgiano Mikhail Saakashvili, aliado próximo de Washington.
"A Rússia invadiu um país vizinho soberano e ameaça um governo democrático eleito pelo seu próprio povo. Tal ação é inaceitável no século 21", afirmou o presidente a jornalistas na Casa Branca.
A crise começou na quinta-feira, quando a Geórgia enviou tropas para retomar a Ossétia do Sul, uma região aliada da Rússia que declarou sua independência da Geórgia em 1992. Moscou, que apóia a secessão do pequeno território, respondeu enviando tropas ao país vizinho. Entenda as causas do conflito.
Bush citou relatos de que as tropas russas entraram em outras partes da Geórgia além da Ossétia do Sul. "Estou profundamente preocupado com os relatos de que tropas russas se moveram para além da zona de conflito, atacaram a cidade georgiana de Gori e ameaçam a capital Tbilisi", declarou, após retornar de sua viagem à China para assistir à Olimpíada.
Ampliação do conflito
Nesta segunda, os militares russos deixaram a cidade Senaki, no oeste da Geórgia, de acordo com o Ministério de Defesa da Rússia. Moscou informou que só ocupou a região para "eliminar uma ameaça" à Ossétia do Sul.
O avanço das tropas russas a Senaki --distante tanto da Ossétia do Sul quanto de outra área separatista da Geórgia, a Abkházia-- marcou a criação de uma segunda frente de batalha por parte da Rússia, hoje. Os oficiais russos, no entanto, negam ter intenção de ocupar regiões que não sejam as separatistas.
Mais cedo, a Geórgia havia denunciado a ocorrência de ataques russos também nas cidades de Gori, Zugdidi e Kurga. O presidente georgiano afirmou que as tropas inimigas tinham "cortado a ligação entre o leste e o oeste do país"; e que suas tropas deviam recuar para defender a capital do país, Tbilisi.
| Arte/Folha Online |
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"Há evidências de que as forças russas possam começar a bombardear em breve o aeroporto da capital. Se eles relatos forem precisos, essas ações russas iriam representar uma escalação dramática e brutal do conflito na Geórgia", disse Bush.
O americano disse que a continuidade do conflito na Ossétia do Sul pode ser "inconsistente com as garantias que recebemos da Rússia de que seus objetivos estão llimitados a restaurar o status quo" que existia antes do início do confronto.
De acordo com o presidente, a Geórgia aceitou os termos de um acordo de paz que a Rússia havia dito previamente que também aceitava --cessar-fogo imediato, retirada das forças da zona de conflito, retorno ao status quo de 6 de agosto e comprometimento em conter o uso da força.
"O governo da Rússia deve respeitar a integridade territorial da Geórgia e sua soberania. O governo russo deve reverter o curso em que parece estar e aceitar esse acordo de paz como um primeiro passo na direção de resolver esse conflito", declarou o americano.
"As ações da Rússia nesta semana levantaram sérias questões sobre suas intenções na Geórgia e na região. Essas ações danificaram significativamente a posição da Rússia no mundo", afirmou. "E essas ações podem colocar em risco as relações da Rússia com os EUA e Europa. É tempo de a Rússia ser fiel à sua palavra e agir para encerrar a crise."
Mais cedo nesta segunda, o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, rebateu as afirmações dos EUA dizendo que o apoio à Geórgia revela uma "cínica mentalidade de Guerra Fria".
O confronto já deixou cerca de 40 mil refugiados, de acordo com a Cruz Vermelha. Não há consenso sobre o número de mortos, mas ele seria de aproximadamente 2.000.
Cessar-fogo
Ministros das Relações Exteriores do grupo dos sete países mais desenvolvidos do mundo --Estados Unidos, Itália, França, Alemanha, Japão, Reino Unido e Canadá-- já apelaram à Rússia para que aceite "um cessar-fogo imediato" com a Geórgia e respeite a "integridade territorial" do país, informou o Departamento de Estado dos EUA.
Em atenção a um pedido da Geórgia, o Conselho de Segurança da ONU realiza sua quinta reunião emergencial sobre o conflito, ainda hoje. Como o país não participa do Conselho, a representação contrária à Rússia deve ficar por conta dos EUA, aliados da Geórgia.
De acordo com o ministro de Relações Exteriores francês, o presidente georgiano está disposto a chegar a um acordo. "O presidente Saakashvili aceitou praticamente todas as propostas que fizemos", afirmou.
Na terça (12), a ministra georgiana das Relações Exteriores se reúne com dirigentes da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). O representante permanente da Rússia na Otan reivindica uma reunião na mesma data.
Com Reuters, Associated Press e France Presse
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