Mundo
11/08/2008 - 22h39

Exército russo avança na Geórgia; ONU busca solução para conflito

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da Folha Online

A Geórgia fez mais um apelo ao Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas nesta segunda-feira para conter o avanço do Exército russo no país. Durante a reunião, funcionários da ONU confirmaram que a Rússia entrou em território georgiano para além das regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia.

A crise começou na quinta-feira (7), quando a Geórgia, aliado próximo de Washington, enviou tropas para retomar a Ossétia do Sul, uma região aliada da Rússia que declarou sua independência da Geórgia em 1992. Moscou, que apóia a secessão do pequeno território, respondeu enviando tropas ao país vizinho. Entenda as causas do conflito.

Os funcionários --B. Lynn Pascoe e Edmond Mulet-- afirmaram ao Conselho, em encontro a portas fechadas, que tropas russas que não fazem parte de forças de paz da Rússia, que já atuavam na região, entraram na Geórgia a partir da Abkházia e não encontravam resistência enquanto tomavam o controle da base militar georgiana de Senaki, segundo diplomatas que participaram da reunião.

Arte/Folha Online
mapa ossétia

Eles também disseram que três batalhões se somaram aos 2.500 militares que as forças de paz da Comunidade dos Estados Independentes (CEI) --aliança das ex-repúblicas soviéticas, dominada pela Rússia-- têm dos dois lados da linha de cessar-fogo entre a Abkházia e a Geórgia, de acordo com os diplomatas, que falaram em condição de anonimato.

"Uma invasão militar completa da Geórgia está acontecendo", disse Irakli Alasania, embaixador do país na ONU, a jornalistas após o encontro de duas horas do Conselho, requisitado pelo país. "Agora acho que o Conselho de Segurança tem de agir."

Essa foi a quinta reunião de emergência sobre o confronto desde quinta-feira.

Acusações

Diplomatas do CS disseram ainda que a sessão foi marcada por trocas de acusações entre Alasania e Vitaly Churkin, embaixador da Rússia, que foi questionado diversas vezes se a intenção da Rússia era derrubar o governo do presidente Mikhail Saakashvili.

"Nós, na Rússia, não sabemos como negociar com ele (Saakashvili)", Churkin disse a jornalistas após o encontro. "Não fazemos segredo disso."

Em Tbilisi, Saakashvili declarou nesta segunda que as tropas russas haviam dividido seu país ao meio ao tomar Gori, cidade estratégica na principal estrada leste-oeste do pais e a apenas 97 km da capital.

O vice-premiê russo, Sergei Ivanov, em referência a Senaki, disse à rede CNN que "o Exército da Rússia está tentando garantir a paz e, para tal, temos de atacar os alvos militares da Geórgia". O vice-premiê declarou que as tropas russas não haviam entrado em Gori e negou que elas tivessem ido além das duas regiões separatistas.

Diplomatas ocidentais, no entanto, afirmaram que as observações da ONU pareciam confirmar as suspeitas sobre os motivos russos. "Não recebemos uma questão clara hoje a essa questão", disse a jornalistas. "Por que começar um segundo front da Abkházia? Por que atacar o resto da Geórgia? E por que atacar a infra-estrutura da Geórgia? Por que ameaçar atacar o aeroporto civil de Tbilisi?".

Seus comentários fazem eco aos do presidente americano, George W. Bush, que exigiu nesta segunda que Moscou coloque fim à "escalada dramática e brutal" da violência na Geórgia, concorde com um cessar-fogo imediato e aceite a mediação internacional para colocar fim à crise na ex-república soviética.

Os comentários de Bush, que também insinuou que Moscou quer derrubar o governo georgiano, foram os mais fortes desde o início do confronto no Cáucaso.

Resolução

A França propôs nesta segunda que o CS adote uma declaração pedindo por um cessar-fogo imediato, respeite a soberania da Geórgia e o retorno à situação de uma semana atrás, antes de forças georgianas entrarem na Ossétia do Sul. O chanceler francês, Bernard Kouchner, esteve no país entre domingo e segunda, onde se encontrou com Saakashvili.

O Conselho deve aceitar a proposta na terça-feira. Os EUA têm pressionado por uma linguagem que condene as ações russas. Porém, tal proposta é meramente simbólica pois Moscou é um dos cinco membros do CS que tem poder de veto. Os outros são EUA, Reino Unido, China e França.

Como ao Geórgia não é um membro do Conselho, o país pode participar apenas mediante convite, e só pode participar de encontros com o desta segunda, a portas fechadas, não das consultas informais que ocorrem com maior freqüência.

 

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