Geórgia aproveitou Olimpíada para atacar Ossétia, dizem analistas
FERNANDO SERPONE
da Folha Online
O clima criado pelo início da Olimpíada de Pequim (China) parece ter sido considerado pela Geórgia na escolha do momento para tentar retomar o controle da área separatista Ossétia do Sul, de acordo com especialistas ouvidos pela Folha Online. O cerco à principal cidade da Província separatista, Tskhinvali, começou no final da noite de quinta-feira, poucas horas antes da abertura dos Jogos.
"Não sei se isso fazia parte da estratégia ou se é coincidência, mas o momento era muito bom", diz Marshall Goldman, Ph.D em estudos da Rússia pela Universidade Harvard. "O mundo está distraído pela Olimpíada."
Jon Greenwald, vice-presidente do think-tank (grupo de estudos) International Crisis Group em Washington, partilha da opinião do professor de Harvard. Segundo Greenwald, o principal objetivo da ação georgiana era restabelecer a integridade territorial do país apostando que, "particularmente no momento da Olimpíada", a Rússia "poderia ficar relutante em responder militarmente".
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O conflito acabou acontecendo, de acordo com Greenwald, por dois erros --um referente à força militar da Geórgia e outro referente à reação da Rússia. "Eles [os militares georgianos] não conseguiram restabelecer rapidamente o controle da Ossétia do Sul, e os russos responderam militarmente, criando esse novo confronto militar."
Quando soube sobre o cerco georgiano ao território, o premiê russo, Vladimir Putin, afirmou de Pequim que as tropas russas deveriam intervir em prol dos cidadãos russos que vivem na região. Como Moscou já mantinha forças de paz na região, a resposta foi rápida.
Motivos
Sobre os motivos para a Rússia agir com tal velocidade e violência, Goldman aponta para razões econômicas, psicológicas e políticas. No âmbito psicológico, há o ressentimento da forma como os russos "sentem que foram tratados no começo dos anos 90, quando o país estava basicamente se desintegrando".
| Arte/Folha Online |
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Conter o avanço dos Estados Unidos na região é a dimensão política do confronto. No âmbito econômico, Goldman afirma que a Rússia perdeu uma fonte de renda e de poder político com a construção de um oleoduto e de um gasoduto na Geórgia. Até então, a única rota de gás e de petróleo extraído na Ásia Central enviado à Europa era pela Rússia.
"Agora, Turcomenistão, Cazaquistão e Uzbequistão podem exportar seu petróleo e gás através do Azerbaijão, Geórgia e Turquia", explica o professor, afirmando que a mudança deu maior autonomia a esses países e os permitiu diminuir seu preço. "A Geórgia tem claramente sido um alvo há algum tempo desde que os russos estão preocupados com essa questão."
Na opinião de Greenwald, Moscou teria como intenção evitar que a instabilidade na Ossétia do Sul atravesse a fronteira e afete o país. "A Rússia há muito se preocupa que a desordem e a insegurança ao sul dessa fronteira poderia se estender para dentro da Rússia."
Guerreiros
Questionado sobre os motivos que levaram a Geórgia a entrar em uma guerra com a Rússia, Goldman afirmou que os georgianos "são guerreiros, sempre foram".
Segundo o professor, o Cáucaso é uma região violenta, e os russos tiveram dificuldade em dominar os georgianos no século 19. "A região é montanhosa, e isso foi antes das armas modernas", disse o professor. "Mas as montanhas continuarão lá, a Geórgia suspeita que irá receber apoio do Ocidente, e é um jogo de blefe."
Já na opinião de Greenwald, para os georgianos a questão é de integridade territorial. Os territórios separatistas da Geórgia --Ossétia do Sul e da Abkházia-- são pequenos, mas Tbilisi, desde o colapso da União Soviética (1991), decidiu que iria recuperá-los, e o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, disse que o faria enquanto fosse presidente. "É possível que tenham sentido que, se aproveitassem rapidamente a situação da Ossétia do Sul, poderiam estabelecer um novo status quo", disse o analista.
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quando diz "Sr. J.R. , quem mais ajudou para a derrocada alemã foram os russos e não os aliados. Leia mais, por favor... ". Desculpe Sr. Guazzelli, procuro me aprofundar no que leio, portanto não leio pasquins ...
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