Mundo
13/08/2008 - 01h15

EUA cancelam exercícios navais com Rússia em protesto contra invasão

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da Efe, em Washington
da Folha Online

Os Estados Unidos cancelaram uma série de exercícios navais que devia ser iniciada na sexta-feira com a Rússia e países da Otan em protesto contra a invasão russa da Geórgia.

Fontes oficiais, que pediram para não ser identificadas, indicaram que a decisão constitui uma prova da desaprovação pelas ações militares da Rússia na Geórgia.

"Não existe como realizar estes exercícios navais conjuntos perante a atual situação de crise", disse um funcionário do Pentágono.

A decisão, que não foi anunciada oficialmente, foi tomada em um momento em que os Estados Unidos e seus aliados consideram uma série de medidas para castigar a operação bélica russa contra o país vizinho. Além de Rússia e Estados Unidos, deveriam participar dos exercícios navais França e Reino Unido.

Esses exercícios, cujo objetivo é aumentar a cooperação em segurança marítima, são realizados todos os anos há uma década, e nele participam cerca de mil soldados dos quatro países.

Geórgia

Os conflitos entre Geórgia e Rússia começaram quinta-feira (7), quando a Geórgia, que é aliada dos EUA, enviou tropas para retomar o controle sobre a Ossétia do Sul, uma região separatista que declarou independência no começo dos anos 90. Moscou reagiu à ofensiva porque apóia a secessão do pequeno território e mantêm forças de paz na região.

Os números relativos às vítimas são dissonantes. Enquanto a Rússia diz que 1.600 civis da Ossétia do Sul morreram; a Geórgia diz que há "quase 200" mortos e centenas de feridos. Nenhum dos números foi verificado por fontes independentes. A ONU afirmou nesta terça que quase cem mil pessoas tiveram de sair de suas casas.

Um acordo assinado ontem pelos presidentes Mikhail Saakashvili (Geórgia) e Dmitri Medvedev (Rússia) pode acabar com o conflito. O acordo e as assinaturas foram mediados pelo presidente francês Nicolas Sarkozy, cujo país ocupa a presidência rotatória da UE (União Européia).

"É um documento político. É um acordo de princípios, e eu acho que nós concordamos quanto a isso", afirmou Saakashvili em entrevista coletiva. "Deve haver um cessar-fogo." Segundo o líder francês, Rússia e Geórgia "devem começar a aplicar os termos já amanhã [quarta]".

O acordo prevê a renúncia ao uso da força por parte dos dois países; o fim definitivo das ações militares; o livre acesso de ajuda humanitária; e o retorno tanto de tropas da Rússia quanto da Geórgia às suas posições originais.

 

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