Geórgia diz que tanques russos em Gori violam acordo de cessar-fogo
da Folha Online
Autoridades georgianas afirmaram nesta quarta-feira que dezenas de tanques russos entraram na cidade estratégica de Gori e dominaram uma base militar dentro da Geórgia, violando o cessar-fogo intermediado pela União Européia para terminar com o conflito na região separatista da Ossétia do Sul que já deixou cerca de 100 mil deslocados, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas).
A Rússia negou imediatamente a informação sobre os tanques, mas admitiu que alguns soldados russos foram para a cidade com o objetivo de tentar implementar o acordo.
| Arte/Folha Online |
![]() |
A acusação acontece menos de 12 horas depois de o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, dizer ter aceitado o plano intermediado pela França.
O presidente russo, Dmitri Medvedev, disse que a Rússia estava interrompendo as ações militares porque a Geórgia pagou o suficiente pelo ataque realizado na última quinta-feira (7) contra a Ossétia do Sul --apoiada pelos russos.
De acordo com um alto oficial georgiano, Alexander Lomaia, cerca de 50 tanques russos entraram em Gori na manhã desta quarta. A cidade fica ao sul da Ossétia do Sul.
O subcomandante do comando militar russo, coronel Anatoly Nogovitsyn, negou a informação dizendo que nenhum tanque estava em Gori. Ele disse que os russos foram à cidade para tentar implementar a trégua com as autoridades georgianas locais, mas não encontraram ninguém.
Uma equipe da rede de televisão APTN em Gori viu alguns veículos blindados russos na manhã desta quarta perto de uma base militar. Nuvens de fumaça no ar indicavam alguma ação militar.
Um fotógrafo da agência de notícias Associated Press viu vários soldados russos e dois veículos blindados na periferia da cidade.
Já de acordo com a agência de notícias Reuters, testemunhas afirmaram que as tropas russas montaram dois pontos de controle nos subúrbios da cidade, no que a Geórgia também disse ser uma quebra do cessar-fogo.
Uma testemunha disse que as tropas russas avançaram ao sul da Ossétia do Sul para ocupar uma base georgiana abandonada a cerca de 4 ou 5 km do centro de Gori. Um câmera da Reuters disse ter visto um segundo posto de controle russo em uma estrada.
"Enquanto eu falo agora, tanques russos estão atacando Gori", disse o presidente Saakashvili em uma conferência de imprensa. Ele disse que as forças russas estavam quebrando o cessar-fogo anunciado ontem pelo presidente russo, Dmitri Medvedev.
Cessar-fogo
Ontem, os presidentes da Geórgia e da Rússia assinaram um acordo pelo fim dos combates. Segundo o presidente francês, Nicolas Sarkozy, que intermediou as negociações entre as duas autoridades e levou o documento de Moscou a Tbilisi, afirmou que a aplicação das normas de não-agressão e de retração das tropas devem ser aplicadas já nesta quarta-feira.
| David Mdzinarishvili-12.ago.2008/Reuters |
![]() |
| O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, anunciam acordo com a Rússia a jornalistas |
Tskhinvali, a capital da região separatista georgiana da Ossétia do Sul, passou uma noite tranqüila após o anúncio do fim das ações militares russas na região na terça-feira. Segundo as agências de notícias locais, não houve disparos de armamento pesado, artilharia e tanques.
Apesar disso, de acordo com a agência de notícias Associated Press, em Tskhinvali o cenário é de destruição. Diversos prédios estariam em ruínas, rodeados por focos de incêndio. A maioria dos danos estaria concentrada na sede do governo separatista. Nas áreas residenciais, os danos seriam bem menores.
O governo russo diz que comunicou cessar-fogo às tropas ainda na terça-feira, logo depois do anúncio da assinatura do acordo por parte do presidente. Durante todo o dia, no entanto, o governo georgiano denunciou novos ataques.
Os números relativos às vítimas são dissonantes. Enquanto a Rússia diz que 1.600 civis da Ossétia do Sul morreram; a Geórgia diz que há "quase 200" mortos e centenas de feridos. Nenhum dos números foi verificado por fontes independentes. A ONU afirmou nesta terça que quase 100 mil pessoas tiveram de sair de suas casas.
Acordo
O acordo prevê a renúncia ao uso da força por parte dos dois países; o fim definitivo das ações militares; o livre acesso de ajuda humanitária; e o retorno tanto de tropas da Rússia quanto da Geórgia às suas posições originais, entre outros pontos.
Originalmente, o documento previa também debates sobre o futuro das áreas separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia. Para contar com o apoio de Saakashvili, porém, esse item teve que ser eliminado. "É um documento político. É um acordo de princípios, e eu acho que nós concordamos quanto a isso", afirmou Saakashvili em entrevista coletiva.
Durante a conversa com Saakashvili, Sarkozy telefonou duas vezes para o presidente russo para buscar concordância sobre modificações solicitadas pelo líder georgiano.
Outros pontos polêmicos do acordo --como o que prevê a permanência de tropas de paz russas na região separatista-- teriam permanecido.
Os conflitos entre Geórgia e Rússia começaram quinta-feira (7), quando a Geórgia, que é aliada dos EUA, enviou tropas para retomar o controle sobre a Ossétia do Sul, uma região separatista que declarou independência no começo dos anos 90. Moscou reagiu à ofensiva porque apóia a secessão do pequeno território e mantêm forças de paz na região.
Com agências internacionais
Leia mais
- Questões psicológicas, econômicas e políticas motivaram Rússia
- Geórgia aproveitou Olimpíada para atacar Ossétia, dizem analistas
- Rússia e Geórgia aceitam trégua proposta pela UE
- Capital da Ossétia do Sul tem noite tranqüila após fim de operações militares
- EUA cancelam exercícios navais com Rússia em protesto contra invasão
- Rússia e Geórgia assinam acordo; capital separatista fica destruída
- Vídeo: Editora de Mundo fala de "interesses" da guerra
- Áudio: Para ex-correspondente, Georgia fracassou na tática
Livraria da Folha
- "Rumo a Uma Nova Guerra Fria" analisa política externa dos EUA
- Livro narra a resistência de ilha contra o cerco nazista na Segunda Guerra Mundial
- "A Marcha" recria eventos da guerra que mudou a história dos EUA
- Livro analisa o problema energético mundial e suas questões políticas, econômicas e ambientais
- LIVRARIA: Veja livros sobre temas internacionais em oferta
Especial




avalie fechar
avalie fechar
quando diz "Sr. J.R. , quem mais ajudou para a derrocada alemã foram os russos e não os aliados. Leia mais, por favor... ". Desculpe Sr. Guazzelli, procuro me aprofundar no que leio, portanto não leio pasquins ...
avalie fechar