15/07/2002
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07h46
Um tribunal paquistanês condenou à morte o xeque Omar, principal acusado pelo sequestro e assassinato do jornalista norte-americano Daniel Pearl, afirmou o promotor Raja Qureshi à TV estatal paquistanesa.
"O juiz condenou o xeque Omar [à pena de morte] por sequestro, conspiração e homicídio [de Pearl], enquanto os outros três acusados foram condenados à prisão perpétua", disse.
Omar e seus três cúmplices não demonstraram nenhuma emoção ao conhecer o veredito. "Eles se levantaram, ouviram e se sentaram", afirmou um promotor.
Mas, do lado de fora do tribunal, a revolta de seus advogados e parentes era evidente.
O advogado de Omar anunciou que vai recorrer e leu um comunicado dele, com ameaças à vida de quem tentar executar a pena. "Já disse antes que tudo isso [o julgamento] é uma total perda de tempo. É uma guerra decisiva entre o Islã e os kafirs [infiéis], e cada um está provando individualmente de que lado está", afirmou Omar, por meio do comunicado.
A família do jornalista saudou a condenação em um comunicado no site da fundação Daniel Pearl. "Nós, os pais, mulher e irmãs de Daniel Pearl, somos gratos pelos esforços incansáveis das autoridades no Paquistão e dos Estados Unidos para levar justiça aos culpados pelo sequestro e morte de Danny", diz o comunicado.
A viúva de Pearl, Mariane, teve um filho do casal em 28 de maio, quatro meses após o sequestro do jornalista.
Rebelião
O xeque Aslam, irmão de um dos cúmplices de Omar, convocou os muçulmanos a se rebelarem contra o regime militar do Paquistão, pois na opinião dele o julgamento demonstra que "o governo está de joelhos para a América".
As ruas de Hyderabad, onde ocorreu o julgamento, estavam calmas após a leitura da sentença.
A acusação disse que vai buscar penas mais duras contra os cúmplices de Omar. Ele deve ser enforcado, após um longo recurso. Seus companheiros devem passar no máximo 25 anos na prisão.
O "Wall Street Journal", em que Pearl trabalhava, emitiu uma breve nota em que diz que os colegas dele continuam velando por sua memória e que o veredito é um passo na direção da punição aos culpados.
Pearl foi sequestrado em 23 de janeiro em Karachi, no sul do Paquistão, quando buscava contato com grupos islâmicos para escrever uma reportagem. A polícia nunca localizou o seu corpo, mas um vídeo enviado às autoridades mostrava o correspondente sendo degolado.
O militante islâmico de origem britânica Ahmed Omar Saeed era acusado ao lado de outras três pessoas de sequestro e assassinato. Todos alegaram inocência.
Cada um dos réus também foi multado em 500 mil rupias (US$ 8.350), a serem entregues à viúva da vítima. Além disso, há um pedido de extradição dos Estados Unidos contra Omar, que pode ser cumprido caso ele seja absolvido em segunda instância.
"A decisão foi injusta. Não a esperávamos, porque demolimos todas as provas e testemunhos apresentados. Estamos confiantes de que uma instância superior irá consertar a decisão", afirmou o advogado Mohsin Imam.
Inspiração
Filho de um rico atacadista têxtil nos arredores da capital britânica, Omar sempre foi descrito como aluno brilhante. Ele se vinculou ao fundamentalismo islâmico em 1993, quando deixou a prestigiosa London School of Economics e se sentiu tocado pelas atrocidades cometidas contra os muçulmanos nos Bálcãs.
Omar recebeu treinamento no Afeganistão e no Paquistão e foi preso pela primeira vez em 1994 na Índia, acusado de sequestrar quatro turistas estrangeiros. Cinco anos depois, ele foi libertado em troca dos passageiros de um avião indiano, desviado para Candahar (então capital espiritual do regime Taleban).
A partir daí, o militante manteve uma vida discreta no Paquistão, até 11 de setembro. Desde então, segundo os promotores, ele começou a tramar maneiras de se vingar dos norte-americanos, que mantêm uma campanha militar contra o Taleban e a rede Al Qaeda no Afeganistão.
O julgamento começou em 5 de abril, em Karachi, e depois foi transferido a Hyderabad por motivos de segurança. Os jornalistas não puderam acompanhar as sessões, mas recebiam informações diárias dos advogados e da acusação.
Com agências internacionais
Leia mais sobre a guerra contra o terrorismo
Xeque Omar é condenado à morte por sequestro e homicídio de Pearl
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da Folha OnlineUm tribunal paquistanês condenou à morte o xeque Omar, principal acusado pelo sequestro e assassinato do jornalista norte-americano Daniel Pearl, afirmou o promotor Raja Qureshi à TV estatal paquistanesa.
"O juiz condenou o xeque Omar [à pena de morte] por sequestro, conspiração e homicídio [de Pearl], enquanto os outros três acusados foram condenados à prisão perpétua", disse.
| Reuters - 29.mar.2002 |
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| Ahmed Omar Saeed, condenado à morte pelo assassinato de Daniel Pearl |
Mas, do lado de fora do tribunal, a revolta de seus advogados e parentes era evidente.
O advogado de Omar anunciou que vai recorrer e leu um comunicado dele, com ameaças à vida de quem tentar executar a pena. "Já disse antes que tudo isso [o julgamento] é uma total perda de tempo. É uma guerra decisiva entre o Islã e os kafirs [infiéis], e cada um está provando individualmente de que lado está", afirmou Omar, por meio do comunicado.
A família do jornalista saudou a condenação em um comunicado no site da fundação Daniel Pearl. "Nós, os pais, mulher e irmãs de Daniel Pearl, somos gratos pelos esforços incansáveis das autoridades no Paquistão e dos Estados Unidos para levar justiça aos culpados pelo sequestro e morte de Danny", diz o comunicado.
A viúva de Pearl, Mariane, teve um filho do casal em 28 de maio, quatro meses após o sequestro do jornalista.
Rebelião
O xeque Aslam, irmão de um dos cúmplices de Omar, convocou os muçulmanos a se rebelarem contra o regime militar do Paquistão, pois na opinião dele o julgamento demonstra que "o governo está de joelhos para a América".
As ruas de Hyderabad, onde ocorreu o julgamento, estavam calmas após a leitura da sentença.
A acusação disse que vai buscar penas mais duras contra os cúmplices de Omar. Ele deve ser enforcado, após um longo recurso. Seus companheiros devem passar no máximo 25 anos na prisão.
O "Wall Street Journal", em que Pearl trabalhava, emitiu uma breve nota em que diz que os colegas dele continuam velando por sua memória e que o veredito é um passo na direção da punição aos culpados.
Pearl foi sequestrado em 23 de janeiro em Karachi, no sul do Paquistão, quando buscava contato com grupos islâmicos para escrever uma reportagem. A polícia nunca localizou o seu corpo, mas um vídeo enviado às autoridades mostrava o correspondente sendo degolado.
O militante islâmico de origem britânica Ahmed Omar Saeed era acusado ao lado de outras três pessoas de sequestro e assassinato. Todos alegaram inocência.
Cada um dos réus também foi multado em 500 mil rupias (US$ 8.350), a serem entregues à viúva da vítima. Além disso, há um pedido de extradição dos Estados Unidos contra Omar, que pode ser cumprido caso ele seja absolvido em segunda instância.
"A decisão foi injusta. Não a esperávamos, porque demolimos todas as provas e testemunhos apresentados. Estamos confiantes de que uma instância superior irá consertar a decisão", afirmou o advogado Mohsin Imam.
Inspiração
Filho de um rico atacadista têxtil nos arredores da capital britânica, Omar sempre foi descrito como aluno brilhante. Ele se vinculou ao fundamentalismo islâmico em 1993, quando deixou a prestigiosa London School of Economics e se sentiu tocado pelas atrocidades cometidas contra os muçulmanos nos Bálcãs.
Omar recebeu treinamento no Afeganistão e no Paquistão e foi preso pela primeira vez em 1994 na Índia, acusado de sequestrar quatro turistas estrangeiros. Cinco anos depois, ele foi libertado em troca dos passageiros de um avião indiano, desviado para Candahar (então capital espiritual do regime Taleban).
A partir daí, o militante manteve uma vida discreta no Paquistão, até 11 de setembro. Desde então, segundo os promotores, ele começou a tramar maneiras de se vingar dos norte-americanos, que mantêm uma campanha militar contra o Taleban e a rede Al Qaeda no Afeganistão.
O julgamento começou em 5 de abril, em Karachi, e depois foi transferido a Hyderabad por motivos de segurança. Os jornalistas não puderam acompanhar as sessões, mas recebiam informações diárias dos advogados e da acusação.
Com agências internacionais
Leia mais sobre a guerra contra o terrorismo


