Mundo
14/08/2008 - 10h07

Milhares protestam na Índia por independência da Caxemira

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da Folha Online

Milhares se reuniram nas ruas de Caxemira nesta quinta-feira para protestar pela independência da região. As manifestações começaram horas depois do ministro do Exterior do Paquistão pedir para as Nações Unidas impedirem a violação dos direitos humanos na dividida região do Himalaia.

O comunicado divulgado pelo Paquistão causou polêmica na Índia, que disse que os comentários eram "profundamente contestáveis". A Caxemira foi dividida entre o Paquistão e a Índia em 1948 e, desde então, causa tensões entre os dois países.

Os protestos desta quinta-feira, iniciados na noite desta quarta-feira em Srinagar, foram motivados pelos rumores de que forças de segurança estavam quebrando casas e batendo em mulheres e crianças.

"Esta é uma questão de honra, saiam de nossas casas", diziam anúncios tocados no sistema de som de várias mesquitas de Srinagar. Milhares de pessoas saíram as ruas gritando "Longa vida ao Paquistão" e "Nós queremos a Independência".

A tensão na região aumentou nas últimas seis semanas com os protestos de uma maioria muçulmana contra uma minoria hindu. Os confrontos deixaram ao menos 34 mortos, muitos dos quais era manifestantes mortos a tiros em violentos confrontos com a polícia e os soldados.

Muitas vilas foram atacadas e delegacias queimadas. A morte mais recente ocorreu quando a polícia abriu fogo contra manifestantes em Srinagar, um confronto que deixou também três feridos, informaram a polícia e o hospital local.

Paquistão

Nesta quarta-feira, o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, acompanhou as declarações de seu ministro e, horas depois, disse condenar "a violação dos direitos humanos e a supressão nestas pessoas oprimidas".

O governo da Índia reagiu rapidamente à acusação. "Pedir envolvimento internacional em assuntos internos da soberania indiana é gratuito, ilegal e apenas reflete uma linha de pensamento que não trouxe boas conseqüências para o Paquistão no passado", disse o ministro de Exterior indiano, em um comunicado.

Nesta quinta-feira, o ex-primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif disse que o tema era sim de fundamental importância para os paquistaneses. "Este assunto da Caxemira não é um assunto interno da Índia, é um assunto tanto para o Paquistão quanto para a Caxemira", disse.

Dois grupos internacionais de direitos humanos --Human Rights Watch e anistia Internacional-- lançaram comunicados separados nos quais pedem que a Índia pare de usar armas contra os manifestantes a menos que a vida dos policiais estejam sendo ameaçadas.

A Índia também sofre com tensões com movimentos separatistas na região de Nova Déli. A maioria dos movimentos era pacífica até 1989 quando uma insurgência islâmica violenta começou. Os rebeldes querem que parte da Índia se torne independente ou seja anexada ao território paquistanês.

A Índia acusa o país vizinho de ajudar os rebeldes, uma acusação que o Paquistão nega.

Com France Presse e Associated Press

 

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