Mundo
15/08/2008 - 10h45

Escudo dos EUA no Leste Europeu é ameaça, afirma Rússia

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da Folha Online

O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, afirmou nesta sexta-feira que a atuação do país é a "garantia de segurança" do Cáucaso e criticou o acordo firmado ontem (14) entre Polônia e Estados Unidos para a instalação de um escudo antimísseis americano em território polonês. "O desenvolvimento de novas forças antimísseis têm como alvo a Rússia", acusou Medvedev.

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Mais cedo, o general Anatoly Nogovitsyn, integrante do comando militar russo, havia dito que o escudo deixou a Polônia "100% exposta a ataques" e insinuou que a Rússia está disposta a atacar a Polônia, caso o escudo seja usado contra o país. Nogovitsyn afirmou que a doutrina militar russa prevê a realização de ofensivas "a aliados de países que têm armas nucleares, se eles os ajudarem de alguma forma".

Arte/Folha Online
mapa ossétia

O acordo para a construção do escudo antimísseis dos EUA na Polônia prevê que, em troca, os EUA irão se comprometeram a reforçar as defesas aéreas polonesas e a ajudar o país a melhorar suas Forças Armadas. Trata-se de acordo semelhante ao firmado entre os EUA e a República Tcheca, em julho passado.

O novo escudo dos EUA no Leste Europeu acirra ainda mais a guerra de nervos entre EUA e Rússia. Nos últimos dias, os EUA elevaram o tom das críticas à rival devido ao conflito com sua aliada, a Geórgia.

Nesta sexta-feira, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, encontra o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, para formalizar um cessar-fogo.

Misha Japaridze/AP
Dmitri Medvedev (dir.) dá entrevista ao lado da alemã Angela Merkel
Dmitri Medvedev (dir.) dá entrevista ao lado da alemã Angela Merkel

Segundo o presidente da França e atual presidente da União Européia, Nicolas Sarkozy, que conduziu as negociações entre Geórgia e Rússia na maior parte do tempo, os russos só sairão do país vizinho depois que Saakashvili assinar o acordo de paz.

Na manhã desta sexta (horário local), as tropas russas ocupavam quatro cidades georgianas --Gori, Poti, Senaki e Zugdidi.

O documento obriga tanto a Geórgia quanto a Rússia a renunciar ao uso da força.

Bush

O presidente dos EUA, George W. Bush, reiterou suas críticas à Rússia pelo terceiro dia consecutivo. Nesta sexta-feira, na Casa Branca, ele afirmou que "uma relação de conflito com a Rússia não é interessante para os EUA, assim como uma relação de conflito com os EUA não é interessante para a Rússia".

Em outras ocasiões, Bush pediu à Rússia que respeitasse a soberania e a integridade territorial da Geórgia.

Separatistas

Na entrevista em que comentou o acordo entre Polônia e EUA, o presidente russo disse ainda que não acredita que as regiões separatistas da Geórgia --Ossétia do Sul e Abkházia, ambas pró-Rússia-- possam conviver com os georgianos, "depois do que aconteceu". De acordo com Medvedev, são as tropas de paz russas que garantem a paz na região.

Depois de receber o apoio de Medvedev, ontem, o presidente da Ossétia do Sul, Eduard Kokoiti, afirmou que não vai permitir que os georgianos que abandonaram suas casas no território separatista por causa do confronto entre Geórgia e Rússia retornem à região.

Há oito dias, a Geórgia realizou uma ofensiva para tentar retomar o controle sobre a Ossétia do Sul. Rapidamente, a Rússia reagiu. Os números de vítimas do conflito são dissonantes e ainda não foram checados por órgãos independentes. Enquanto a Rússia diz que 1.600 civis da Ossétia do Sul morreram; a Geórgia diz que há "quase 200" mortos.

"Cluster"

Nesta sexta, a Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos, em inglês) divulgou um documento no qual denuncia a utilização de bombas de dispersão --as chamadas bombas "cluster"-- por parte dos russos em áreas georgianas ocupadas por civis. Conforme a ONG, as bombas mataram 11 e "feriram dúzias" de pessoas em Ruisi e no centro de Gori.

O Estado Maior das Forças Armadas da Rússia negou as denúncias.

Ontem, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse estar "extremamente preocupado" com a situação humanitária na Geórgia. O presidente da Geórgia já afirmou que pretende acusar a Rússia de limpeza étnica, perante órgãos internacionais.

Com agências internacionais

Comentários dos leitores
J. R. (1000) 07/10/2009 09h20
J. R. (1000) 07/10/2009 09h20
Marcel Guazzelli () 04/03/2009 08h56 - Revisando, Sr. Marcel, as nossa informações se complementam. Eu apenas preferiria que Stalin não ficasse no poder, porém sem ele não sei se a Rússia teria vencido. Enfim, as tropas alemãs foram todas dizimadas pelos russos nos Balcãs. sem opinião
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Marcel Guazzelli (4) 04/03/2009 08h56
Marcel Guazzelli (4) 04/03/2009 08h56
Sr JR, as maiores baixas foram russas, as melhores tropas alemãs estavam no flanco oriental ... só pra citar alguma coisa.... não vou aqui abrir a wikipédia e pegar um monte de números para justificar a minha posição, o que sería muito fácil... Mas atacar velhos e menores de idade, flanco ocidental, tenho absolutamente certeza que foi bem mais fácil 4 opiniões
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J. R. (1000) 27/02/2009 16h08
J. R. (1000) 27/02/2009 16h08
O Ocidente informava a posição das tropas alemãs e enviava suprimentos e combustíveis para as linhas russas, ó Marcel Guazzelli (2) 04/10/2008 09h21
quando diz "Sr. J.R. , quem mais ajudou para a derrocada alemã foram os russos e não os aliados. Leia mais, por favor... ". Desculpe Sr. Guazzelli, procuro me aprofundar no que leio, portanto não leio pasquins ...
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